as mantas da d. guiomina

manta

manta

Em Castro Daire há cada vez menos ovelhas. Quase não se vêem rebanhos e a lã dos que há consta que em boa parte é queimada. Muita é sedeúda, a maneira local de dizer que tem as fibras muito compridas e pouco macias, mas também há algumas ovelhas marinhotas (de meirinha, o nome dado em Portugal desde o século XV à lã de melhor qualidade proveniente das ovelhas merino), de lã mais frisada e macia. Algumas delas pertencem à D. Guiomina. Como não queria desperdiçar a lã lembrou-se de a fiar mais grossa e pouco torcida, de a ugar (juntar dois fios num novelo) e de fazer com este fio fofo grandes mantas de malha. Leva a malha para o monte, com as ovelhas, e as mantas vão crescendo… Read more →

fiar sem roca

d. deolinda

d. deolinda

d. deolinda

No Mezio, na Serra de Montemuro, fia-se a lã sem roca. Usa-se um pequeno cesto no braço esquerdo para guardar a lã e um fuso de urgueira (fuso de tipo 2 segundo as normas oficiais para estas coisas). A grande diferença deste processo está nos gestos com que se prepara a lã antes do momento da torção: sem nunca largr o fuso da mão direita, usam-se ambas as mãos para criar uma longa mecha, que é depois rapidamente torcida e enrolada no fuso. Os gestos hábeis da D. Deolinda mereciam um vídeo melhor, mas fica o registo (vale a pena ouvir com atenção a conversa): Read more →

traje

peixeira

peixe

Já não é o das varinas do Benoliel, mas deve ser um dos poucos trajes que sobrevivem na cidade. O avental é a peça chave, quase sempre rodeado de rendinhas e às vezes em cetim preto a parecer uma lingerie de usar por fora. Nas costas, um casaco de malha faz as vezes do xaile. Uma peixeira contente junto à Rotunda da Boavista, ontem de manhã.

agulha

agulha

Enquanto eu e a Daniela víamos o Sr. Manuel Chaves a fazer agulhas, o F. deitou discretamente mãos à obra e fez uma também, de um pauzinho que achou no chão. Ontem, ao ver este link partilhado pela Rita, lembrei-me de a estrear finalmente. As agulhas de madeira (normalmente todas descascadas e branquinhas) são muito mais frequentes nas nossas aldeias do que se possa pensar – em pelo menos três, de norte a sul, ouvi mulheres contar que em meninas aprenderam a fazer meia nas agulhas que elas próprias talharam. Fazer é poder! Read more →

aprestos de cozinha

as idades dos sabores

as idades dos sabores
Formas para chocolates (em cima) e dois modelos tamancos de pisar ouriços de castanhas (sempre me tinha perguntado como é que este trabalho era feito antigamente…).

Programa para um Domingo: almoçar uma salada no Café do Monte, passear pelo bairro Estrela D’Ouro (provavelmente o mais bonito bairro operário de Lisboa) e a seguir visitar a exposição de Aprestos de Cozinha no mercado de Santa Clara (onde agora mora o Centro de Artes Culinárias). Só faz pena as legendas das peças serem tão parcas de informação (faltam datas, origens, histórias…). Read more →

(i)material

alcochete
Janela decorada com cobertor e estandarte em forma de barrete para as Festas do Barrete Verde, Alcochete, Agosto de 2011.

Notas soltas à volta do mesmo tema:

O IMC acaba de lançar um Kit de Recolha do Património Imaterial, editado em papel mas disponível também em pdf para download gratuito. Foi concebido para ser usado por professores e alunos do 2º e 3º ciclos e parece muito bem estruturado e intencionado (O Kit foi concebido sobretudo para aplicação a nível local, promovendo a interação dos jovens com os elementos da comunidade (aldeia, freguesia, bairro, etc.), assim como o conhecimento aprofundado e a valorização do seu Património Imaterial.). Nos anos 70, mas num contexto político bem diferente, foi também graças a alunos e professores de muitas escolas que se fez uma das mais interessantes colecções de livros sobre produções artesanais portugueses (a colecção Artes e Tradições da editora Terra Livre). A acompanhar…

Arquivos digitais: a minha amiga Catarina Miranda tem vindo a dar a conhecer no seu blog uma série de arquivos fotográficos portugueses cujas colecções começam a estar acessíveis através da internet. Vai sendo mais fácil conhecermo-nos.

Saber e contar: é muitas vezes nos blogs mais discretos, feitos apenas com o intuito de partilhar, que se encontra informação mais interessante sobre tradições locais. É o caso, entre tantos outros, da secção de etnografia do blog Alcoutim Livre (obrigada António pelo link).

as alforjas

alforja

sacos do trigo

Outra aldeia. Passeamos a seguir ao almoço numa das tardes mais quentes do ano. Uma senhora sentada convida-nos a entrar em sua casa para as meninas verem os gaticos. O alforge (em mirandês são alforjas) à vista perto da porta chama-me a atenção. Conversamos. Os gatinhos fugiram mas há galinhas. E uma casa que parece um museu cujas portas se abrem a desconhecidos. Read more →

amor de lã

amor de lã

amor de lã

De casa da tecedeira segui para casa da D. Isabel, escrinheira e fiandeira. Na noite anterior percorrêramos a aldeia a pé. Vimos as estrelas, as vacas a dormir, ouvimos os mochos e as cigarras, admirámos as casas de pedra silenciosas. Nem com muito optimismo conseguiria ter imaginado o estendal de lã que vi pela manhã. Aqui os teares emudecem (mas houvesse encomendas e acredito que voltassem a tecer) mas ainda se fia. A nossa sala de estar é aqui, disse a D. Maria da Cruz apontando para um banco de pedra no largo. E de Inverno estamos aqui, num outro mais abrigado. Se tivesse vindo ontem já nos conhecia todas, dantes fiava-se aqui muito. Hoje temos uma missa e um convívio, mas venha amanhã que lhe mostro o que quer ver. Read more →

Page 5 of 11« First...34567...10...Last »