o tapete oriental em portugal

o tapete oriental em portugal

Está quase a fechar, mas ainda há um fim-de-semana para ver O Tapete Oriental em Portugal no Museu de Arte Antiga. A exposição, comissariada por Jessica Hallett e Teresa Pacheco Pereira, é belíssima e tem sido justamente elogiada. Gostava de partilhar algumas fotografias do interior, porque a montagem valoriza ainda mais o trabalho de pesquisa por detrás do projecto mas, ao contrário do que acontecia há uns meses, agora (felizmente) as salas são bem guardadas pelos vigilantes do museu. A forma como os tapetes estão expostos, junto aos quadros, nalguns casos sobrepostos ou a cobrir estrados semelhantes aos das pinturas, cria como que uma sucessão de pequenas cenografias que nos transportam no tempo e para dentro das imagens.

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louise-marie cumont

louise-marie cumont

louise marie cumont

O convite para a inauguração tinha-me despertado a curiosidade e o post da Ana confirmou que era uma exposição a não perder, mas a visita superou as expectativas. A artista Louise-Marie Cumont (n. 1957) cria livros, mantas e outros objectos recorrendo quase exclusivamente a uma técnica tradicional de patchwork que consiste em criar blocks (quadrados) figurativos através da justaposição de quadrados, triângulos e rectângulos de pano. O padrão deste tipo mais conhecido é provavelmente o schoolhouse mas há muitos outros, que aparecem geralmente nos sampler quilts americanos desde os finais do século XIX.

As limitações da técnica são habilmente exploradas pela artista, que constroi séries a partir de objectos facilmente redutíveis a formas simples: a cadeira, a cama, o carro, a casa. Na exposição podem ver-se alguns dos livros e mantas produzidos por Louise Marie-Cumont em séries limitadas (alguns deram origem a versões impressas em papel) e há uma manta-brinquedo-gigante para mexer que torna ainda mais óbvia a qualidade técnica das peças e o cuidado na escolha dos materiais.

Mais sobre o mesmo:

Imagens da exposição e do workshop que teve lugar em Setembro.

Para quem quiser treinar a técnica, um livro japonês com alguns padrões (imagens aqui e aqui).

Os livros de pano da Rita e casas de retalhos.

Ema: Lindas ilustrações em tecido e a minha única incursão no género até à data.

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remade in portugal

re-made in portugal

re-made in portugal

Taça Attitude, de Alda Tomás (Portugal) e porta lápis, Tramando S. A. (Argentina)

Fomos ver a exposição Remade in Portugal, na Estufa fria. Trata-se de um projecto originalmente italiano, com o objectivo de incentivar as empresas ao desenvolvimento de produtos realizados com material reciclado, que apresentem um desenho original e qualidade de produção. Estão expostos os resultados das edições estrangeiras da iniciativa e as peças concebidas pelos vários criadores portugueses convidados. Pode-se mexer, sentar, experimentar e ler nas legendas do que é feita cada uma. Pela composição inesperada, destacam-se as taças de Alda Tomás (ainda por cima muito bonitas), 50% feitas de lamas de uma ETAR mas, em geral, a representação portuguesa não fica em nada atrás das anteriores.

Creio que seria igualmente interessante, numa iniciativa do género, mostrar como (ainda que por razões diferentes – de economia e necessidade, e não de consciência cívica/ecológica) o reaproveitamento e mesmo a reciclagem são práticas de sempre e não uma novidade. Na produção têxtil, que conheço um bocadinho melhor, os exemplos são múltiplos e óbvios: dos tapetes de trapo às mantas de retalhos, passando pelos chinelos de ourelos, bolas para brincar, etc. Isto para não falar nos usos (em desuso?) dos desperdícios da indústria no dia-a-dia: aqueles emaranhados de fios a que nas garagens se limpa(va) as mãos, o baetão cinzento que agora não se encontra. E por falar em baetão, na exposição há uma secção muito interessante dedicada a uma base de dados de eco-design italiana, a matrec. Um dos materiais em exibição chama-se pannotex e é primo direito do nosso baetão de desperdício. Aliás, quase que aposto que daria uns bons quilts…

Ainda a propósito, um link há meses em carteira: Alentejo Bowls de Daniel Michalik.

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museu de etnologia ii

Pinturas Cantadas

Ao contrário do que aconteceu na dos panos, que não a interessou muito, na exposição Pinturas Cantadas – arte e performance das mulheres de Naya a E. (cuja curiosidade fora despertada pelo lindo cartaz recebido do avô) esteve tão entretida e atenta como nós. É de facto uma exposição invulgarmente interessante, e as peças expostas pedem uma visita demorada (ou várias). Para além disso, é um excelente programa para crianças: as peças estão à altura certa e bem protegidas, auscultadores em alguns panos permitem ouvir as suas histórias e o documentário (que vale a pena ver inteiro) retrata a vida das mulheres pintoras e o meio em que vivem de forma atraente até para uma menina de quatro anos e meio (vê-se com pormenor o fabrico caseiro das tintas, as etapas da pintura e as tarefas da vida quotidiana, no fundo tão semelhantes às nossas mas tão diferentes).

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museu de etnologia i

tecelagem cabo verde e guiné

tecelagem cabo verde e guiné

Uma das exposições patentes no Museu de Etnologia (a Mary também viu) apresenta (a propósito do trabalho de uma artista plástica contemporânea) lindíssimos panos tradicionais de Cabo Verde e Guiné Bissau. São compostos por várias faixas estreitas tecidas em tear manual cosidas umas às outras. Parecem já ter deixado de fazer parte (ou quase) da maneira de vestir do nosso tempo, tendo provavelmente sido gradualmente substituídos a partir do século XIX (como na Europa), por tecidos decorados por estampagem (muito mais baratos e em boa parte importados). A tradição no entanto subsiste (pelo menos em parte) graças ao folclore e à procura global(izada) do que é étnico. On-line, encontra-se a Artissal (uma associação de Tecelagem tradicional que produz artigos artesanais de qualidade e promove um projecto de desenvolvimento comunitário na Guiné-Bissau) e uma página norueguesa – The Capeverdean pano – a unique handicraft – com o contacto de Henrique Sanchies, tecelão caboverdeano.

A exposição inclui ainda um conjunto de capulanas da colecção do MNE, recolhidas nos anos 90 na Guiné. A legenda chama-lhes panos legós, designação (local?) que o Google desconhece.

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