Ailanthus altissima

Ailanthus altissima

Nesta altura do ano ainda não estão assim, carregados de sementes (que vistas de perto são lindas). São a invasora mais resistente e de crescimento mais fulgurante com que nos deparamos no quintal. Chamam-se Espanta Lobos (Ailanthus altissima) e vieram da China não se sabe quando. Impedem o crescimento de outras plantas, expandem-se por baixo da terra quando as cortamos, não se percebe onde acaba uma e começa a seguinte. Crescem nos baldios da cidade e percorrem as bermas da estrada do país inteiro. Ainda por cima cheiram mal. Todos os dias arrancamos as que germinaram da noite para o dia e de quando em vez chamamos amigos para ajudar a arrancar árvores adultas até ao último pedaço de raiz. Ramos cortados expostos a meses de sol ressuscitaram quando fizemos o disparate de os usar como estacas. Uma leitora enviou-me este vídeo com uma técnica interessante para quem tenha destas árvores a crescer por perto. Ainda não experimentámos mas estou curiosa:

do quintal

os primeiros
os primeiros
Alecrim, tomilho, erva-príncipe, poejo, cidreira, orégãos. Tomate, couve, batatas. Salva, manjericão, cebolinho. Favas, morangos, coentros e salsa. Nêsperas. Nabiças, urtigas, chagas e uma alface. Pimentos e beringelas que estão agora a crescer. Num ano e pouco, tudo isto. De um matagal impenetrável nasceu comida. À custa de força de braços (do R. sobretudo), de composto caseiro e estrume de ovelha (tinha de ser), de conselhos, ajuda dos amigos, algumas leituras e outras tantas experiências. A última, muito sonhada e finalmente concretizada num assomo de loucura do qual receámos vir a arrepender-nos, consistiu em adoptar duas galinhas (hélas, não são de raça autóctone). Vieram da feira da Brandoa, da qual somos clientes assíduos e que é altamente recomendável a toda a gente que tenha uma horta (mesmo que seja em vasos na varanda).
As galinhas andaram à solta várias semanas, até decidirem que as folhas de tomateiro eram a sua iguaria predilecta. Depois disso foram confinadas a uma parte do quintal onde continuam a ter uma dieta variada que inclui restos da cozinha e a ocasional osga. Cresceram, chamam por nós de manhã se o pequeno-almoço se atrasa e fazer-lhes companhia é a actividade mais relaxante de que me consigo lembrar.
Hoje de manhã, pela primeira vez, fizeram-nos esta surpresa.

Further reading:
Capicua, A minha horta.

jardinar

folhas de acanto
germinar

O jardineiro e o hortelão brincam aos deuses – decidem quem vive e quem morre, que plantas são boas e que bichos são maus. Talvez fosse por isso que o jardim da minha mãe era uma colecção de ervas daninhas com uns coentros e umas violetas pelo meio: custava-lhe escolher.

No nosso jardim que não é nosso os acantos (os acantos das colunas e do William Morris) são reis e senhores. Mas para nascer uma horta os acantos têm de sair. Não é muito justo.

weaving with branches

Teço com ramos e troncos e penso nela e no privilégio de crescer a (ver) fazer coisas com as mãos.

compostor

quintal

quintal

Vive connosco e come praticamente tudo o que dantes se deitava fora na cozinha, alternado com as folhas secas do quintal. Não tendo como albergar umas galinhas, que era o que me apetecia, fazer terra fértil em vez de lixo também é alguma coisa.
O compostor foi fabricado em Portugal e veio daqui.