Deutsche Bauern in Ungarn

Deutsche Bauern in Ungarn

Não resisto a mostrar aqui algumas ilustrações de um livro que herdei inesperadamente, depois de hesitar durante vários dias por achar que talvez fosse demasiado politicamente incorrecto fazê-lo. O livro (Deutsche Bauern in Ungarn) pertencia a uma minha tia-avó, que o recebeu como prémio do liceu pelo seu aproveitamento na disciplina de Alemão, e as imagens (bem como a qualidade gráfica e de impressão da obra) são, quanto a mim, indiscutivelmente admiráveis. A hesitação deveu-se ao facto de ter percebido que a autora, a artista austríaca Erna Piffl, especialista em desenho etnográfico, esteve ao serviço do regime nazi. Pode-se gostar dos desenhos da mesma maneira depois de o saber? Não tenho a certeza. Mas deixar por isso de os mostrar já me estava a parecer um acto de censura.

Sobre o tema, para quem domine o idioma, veja-se o site do Bundesinstituts für Kultur und Geschichte der Deutschen im östlichen Europa. Read more →

russian textiles

russian textiles

russian textiles

russian textiles

Comprei o livro Russian Textiles: Printed Cloth for the Bazaars of Central Asia este Verão, depois de o namorar nos inúmeros blogs em que tem sido citado (mais imagens). Como muitas outras pessoas não resisti às imagens dos magníficos tecidos mas as minhas expectativas foram largamente superadas pelo resto do conteúdo. O livro é essencialmente um mostruário de extraordinários tecidos estampados produzidos na Rússia entre os meados do século XIX e os meados do século XX, com destino (segundo os autores) aos mercados da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Tajikistão, etc.), onde eram usados no vestuário tanto feminino como masculino. Ao folheá-lo, a primeira coisa que me surpreendeu foram as fotografias a cores, que parecem retiradas de uma revista de viagens ou produção de moda actual e são afinal do início do século passado. O seu autor, um dos pioneiros da cromatografia, foi Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii e pertencem actualmente à colecção da Library of Congress (vale a pena explorar o site e vê-las uma a uma). Read more →

abstract design in american quilts

abstract design in american quilts

abstract design in american quilts

Outro livro que comprei recentemente foi o catálogo da reposição, em 1991, da exposição Abstract Design in American Quilts realizada em 1971 no Whitney Museum em Nova Iorque. Cheguei até ele através de uma entrevista com Denyse Schmidt (uma das criadoras de quilts mais interessantes da actualidade) e por sorte encontrei uma cópia do catálogo a bom preço.

Nesta exposição, cerca de sessenta quilts anónimos realizados entre os meados do século XIX e os anos 30 do século XX e escolhidos unicamente com base nas suas características estéticas foram expostos como se de pintura se tratasse. Foi a primeira vez que tal sucedeu e o evento teve enormes repercussões. Da introdução do patchwork americano no Japão à edição de centenas de livros sobre o tema, da organização de um mercado em torno dos quilts antigos à proliferação de textile artists e exposições de quilts, foram inúmeras as consequências directas e indirectas desta exposição. Por detrás dela estiveram Jonathan Holstein e Gail van der Hoof, um casal residente em Nova Iorque e frequentador do meio artístico, que anos antes começara a comprar quilts em feiras de velharias. Jonathan Holstein redigiu para o catálogo de 1991 um interessante texto de mais de cem páginas em que descreve detalhadamente tanto o processo que deu origem à exposição como os acontecimentos que se lhe seguiram, que incluíram a itinerância da mostra por vários países e continentes e o contacto com os especialistas em têxteis dos grandes museus. É uma leitura mais do que recomendável para qualquer pessoa com um interesse histórico sobre o tema.
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mil anys de disseny en punt

Mil anys de disseny en punt

Mil anys de disseny en punt

Com o calor que está não tenho conseguido trabalhar. Aproveito para ler alguns livros a que não resisti nos últimos meses e a que ainda não tinha dado a devida atenção.

Cheguei a este livro através da minha pesquisa sobre meias tradicionais portuguesas para um livro que estou a planear. É o catálogo da exposição homónima realizada no Centre de Documentació i Museu Tèxtil, instituição catalã dedicada à preservação, estudo e promoção da cultura têxtil, em 1997 (a edição é em Catalão e Castelhano). Para além da reprodução de 180 peças expostas, inclui vários textos interessantes sobre as malhas na indústria e outros de teor histórico. Montse Stanley assina um resumo da história do tricot onde se reproduzem as peças tricotadas mais antigas encontradas na península ibérica (uma almofada e umas luvas do século XIII, estas últimas – porque o mundo é pequeno – pertencentes ao mesmo Rodrigo Ximénez de Rada cujas crónicas estudei na minha outra vida).

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oméga et l’ourse

oméga et l'ourse

a et oméga

Na última ida ao IFP não lhe resisti. A Beatrice Alemagna é uma das minhas ilustradoras preferidas, e este seu livro – Oméga et l’Ourse – é talvez o mais bonito dos que conheço. As páginas são de grande formato, o que é óptimo para se poder apreciar todos os pormenores da ilustração e entrar literalmente dentro da história. Como noutros trabalhos, usa uma técnica que mistura de forma única o desenho e a colagem de recortes. O resultado é perfeito.

Para ler, em francês, uma entrevista com Beatrice Alemagna.

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as mulheres do meu país

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas

Já tem sessenta anos, mas foi a minha descoberta bibliográfica de 2008 e agora nem percebo como é que fiz uma licenciatura em história sem conhecer este livro. Agora tenho a sorte de partilhar a custódia de um exemplar com o meu pai, que já tem escrito sobre ele (1, 2, 3) enquanto livro de fotografia. Começou por me chamar a atenção por ser provavelmente a melhor colecção de testemunhos da prática do babywearing em Portugal, não só pelas imagens como pelas descrições da autora. É lindíssima (e houve mais quem reparasse) a imagem da mãe com o filho preso no xaile (A maneira de pôr o xaile e segurar com ele a criança é característica, não só daquela região [Serra da Estrela] mas de quase todas as aldeias portuguesas.), e surpreendentes as fotografias de Miranda do Douro, onde o método mais comum era trazer os bebés sobre as costas (por vezes das avós ou das irmãs) durante todo o dia, tal e qual se faz ainda hoje na maioria dos países africanos.

Para quem não sabe (eu também só me apercebi recentemente), o método de transportar os bebés presos no xaile como mostra a foto acima era conhecido em toda a Europa até há pelo menos cinquenta anos. Por cá já só há algumas avós que o sabem usar, mas no País de Gales é considerado parte do património cultural da região, e há até algumas empresas que se dedicam à venda de nursing shawls para o efeito. Não tendo uma avó do campo, sugiro este vídeo (a partir dos 3m50s) para o aprender.

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women from finland and mozambique

Women from finland and mozambique

Women from finland and mozambique

Women from finland and mozambique

Não foi uma prenda de Natal, mas não me importava nada, porque é um dos livros mais bonitos que vi nos últimos tempos. Chama-se Women from Finland and Mozambique e é uma colecção de retratos de mulheres moçambicanas pela fotógrafa finlandesa Magi Viljanen e de retratos de mulheres finlandesas pelo fotógrafo moçambicano Rui Assubuji, todos paginados junto a imagens de tecidos dos respectivos países. Para além das fotografias, inclui uma curta entrevista a cada uma das retratadas e alguns textos sobre a condição das mulheres em Moçambique e na Finlândia. O livro é pouco referido on-line – só o encontrei à venda nesta loja sul-africana – mas no site da fotógrafa Magi Viljanen há mais imagens. Também percebi que foi distinguido pelo The Finnish Book Art Committee. Curiosamente, há outra obra distinguida na mesma categoria que também é right up my alley (está quatro livros acima na lista): Sukkasillaan, sobre meias tradicionais finlandesas. Mais imagens aqui.

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histoire de l’art

histoire de l'art

histoire de l'art

A minha última descoberta na biblioteca do IFP tornou-se o actual livro favorito da E. Tanto que depois de o lermos de fio a pavio já o contou às amigas de visita, já copiou páginas inteiras de desenho e texto e continua a folheá-lo diariamente. Eu também o adoro e estou a pensar comprar uma cópia cá para casa. Não conhecia nem o autor (mais aqui) nem a obra, mas a capa tão sóbria no meio das outras chamou-me de imediato a atenção. É a história do pintor Luco Pax, súbdito de um rei que passa os dias a comer gelados em frente à televisão, das suas pinturas que ganham vida e do seu amor pela filha do rei, que vive fechada na torre do castelo. Ingredientes que podiam ser os de qualquer outra história infantil mas que aqui são usados com imenso humor e a acompanhar um grafismo muito longe do habitual para esta faixa etária mas nem por isso menos apelativo.

Paul Cox, Histoire de L’art. Seuil, 1999.

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