d’ornellas

d'ornellas
d'ornellas

Uma marca, umas botas. Um modelo concebido e apurado em cada um dos seus pormenores (o fecho impecável na traseira, a pala presa pelo atacador, a cor e textura da pele) para servir como uma luva. E para durar, porque o que se quer numas botas assim é que durem muito tempo. São obra do criador de cavalos Lusitanos Gonçalo d’Ornellas e não sendo já um segredo é como se fossem porque ainda não estão nas lojas. Encomendam-se directamente por email ou via facebook (digam que vão da minha parte) e depois já não se tiram dos pés.

d'ornellas
d'ornellas

carimbos agatha – a lã

carimbos agatha - a lã

carimbos agatha - a lã

Não me lembro deles na minha, mas sei que existiam em muitas escolas primárias. Cheguei a estes graças à Rita Rodrigues, que me avisou que estavam à venda. São dez, organizados numa caixa dedicada aos processos da lã. Mostram o pastor, o tosquiador, o operário da indústria dos lanifícios, o tintureiro e a fiandeira, a tecedeira, a senhora da loja e a senhora a fazer malha. Um ciclo da lã bem mais sexista do que na realidade, mas ainda assim delicioso (a A. quis logo colorir as impressões). Também são curiosas as pequenas incongruências, como a estranha posição em que uma senhora carda a lã e a outra segura nas agulhas de tricot. Como diz tão bem o Benjamim Pereira, para saber explicar é preciso saber como se faz. Read more →

bons ares

buenos aires

buenos aires

Chamam-se Buenos Aires mas são mesmo de cá. Como juntam dois tópicos frequentes deste blog – mantas e botas – era impossível ficar-lhes indiferente. Esta manhã fomos conhecer o João Mesquita, um dos responsáveis pelo projecto, e comprovar que as botas, com os seus canos e palas feitos de mantas alentejanas tradicionais, são tão cómodas como bonitas. No fim ainda fizemos um test drive no pátio com a ajuda do único pé 37 cá de casa (as de homem, uma versão de luxo das célebres botas de pedreiro, também são muito bonitas). As tentativas de conjugar design contemporâneo com técnicas artesanais muitas vezes não vingam. Ora porque o design é fraco, ora porque a produção artesanal não consegue adaptar-se às exigências de um modelo de negócio sustentável, ora ainda porque a aposta na qualidade da produção não é suficiente. Mas aqui parece-me que há uma fórmula de sucesso. Tomara que sim. Read more →

botas de vilão

botas da madeira

botas da madeira

Uma das poucas coisas que comprei na Madeira foi um par de botas de vilão, ou botas chãs. Com mais ou menos alterações (as minhas são de pele mas têm a sola numa borracha rija e muito fina a imitar couro), este modelo de bota é ali produzido e usado há pelo menos duzentos anos. Em 1821, William Combe descrevia assim o trajar dos madeirenses: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). Se forem de facto tão duradoiras como são confortáveis vão fazer-me muita companhia nos próximos tempos.

One of the few things I bought in Funchal was a pair of traditional madeiran boots. This type of boot has been in use in Madeira for at least two centuries and subject to very little change (mine have thin rubber soles instead of the traditional leather ones). In 1821, William Combe mentioned them when describing the usual dress of the native inhabitants: they wear boots made of goat-skins, which are light and durable, and being white, have a pretty appearence (A History of Madeira). If they are in fact durable as they are pretty and comfortable I am sure I will be wearing them a lot.

botas da madeira
Imagem de William Combe, A History of Madeira, 1821.

imagens de portugal

amadeu ferrari

amadeu ferrari

Um salto à Cinemateca, ontem, para uma sessão do ciclo Abrir os Cofres: Imagens de Portugal. A propósito, uma das minhas paixões recentes: as fotografias de Amadeu Ferrari na colecção do Arquivo Fotográfico da CML. As imagens a cores do tempo que vemos quase sempre a preto e branco nunca deixam de surpreender, mas estes sorrisos abertos, os dedos enfaixados da ceifeira, o alfinete de peito, os punhos a proteger as pele e a blusa, o aprumo imbatível das alentejanas nos seus riscados azuis, de meias e botas altas como as que eu hei-de ter um dia (quando conseguir gastar as outras)… Read more →

joão mouro

joão mouro

joão mouro

Tinha reparado nas peças que expôs na FIA deste ano, mas foi há muito pouco tempo que conheci finalmente mais de perto o seu trabalho, meu vizinho aqui no bairro. João Mouro é artista plástico, de carreira e formação, mas as suas esculturas-móveis aliam à criação conceptual a dimensão táctil e técnica do trabalho de oficina. Os armários-moradia (não sei se lhes posso chamar casas de bonecas) entraram para a minha lista de compras de sonho.

João Mouro trabalha e expõe na Galeria 59 (Rua do Diário de Notícias, 59, em Lisboa), aberta ao público da parte da tarde.

Mais (e melhores) imagens aqui.

o alfaiate

alfaiate

alfaiate

Fomos à procura do alfaiate que fez os casacos dos pastores porque, depois de experimentar o do Pedro, decidi mandar fazer um à minha medida. A morada que tínhamos era o nome da aldeia, Folhadosa. Encontrámo-lo a trabalhar no seu atelier, por detrás de uma porta pequenina, numa quelha da largura de um corredor: António José (“Tozé” no cartão de visita), alfaiate diplomado, com tanto trabalho em mãos que só no Outono terei a minha encomenda pronta. Mas na visita não resisti a um colete em burel e riscado com estrelas recortadas… Read more →

a lã portuguesa a gostar dela própria*

lavar a lã no alentejo

Quando, em 1994, participei como voluntária nas escavações do Campo Arqueológico de Mértola, descobri na Cooperativa Oficina de Tecelagem a lã mais macia que vira até então. Foi o meu coup de foudre com a lã portuguesa. Vim para Lisboa carregada com toda a que pude comprar, e dela nasceram uma camisola que durou mais de dez anos e um colete que ainda uso. Na altura, encontrar bons fios para tricot em Lisboa era uma missão impossível. Encontrar aquela lã fiada à mão, na cor de café com leite das ovelhas sarnubegas, foi uma revelação inesquecível. A minha visita a Mértola para conhecer o seu nascimento, combinada com as tecedeiras há quase um ano, aconteceu finalmente esta semana.

lavar a lã no alentejo 11

As tecedeiras de Mértola acompanham todo o processo que culmina na criação do fio que usam nas suas mantas. São elas que escolhem o rebanho cuja lã lhes parece mais macia (nesta região, historicamente conhecida pela qualidade das suas lãs, abundam as raças Merino branco e preto e Campaniça), são elas que negoceiam com o criador a qualidade do que lhes é vendido (quanto mais seleccionados e limpos forem os velos, menos trabalhoso é o processo), são elas que lavam a matéria prima, à mão e por processos que provavelmente não mudam há vários séculos, e são finalmente elas que escarmeiam e azeitam as fibras, preparando-as para a cardação e fiação, que são também ainda processos inteiramente manuais. É do cuidado e do tempo investido em cada um destes passos que nasce este fio, e é esta a chave que permitirá um dia voltarmos a fazer da nossa lã uma matéria prima de excelência e não um sub-produto abandonado com desprezo nos campos depois da tosquia, que é o que fazem actualmente grande parte dos pequenos produtores de ovinos. Read more →

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