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imagens de portugal

amadeu ferrari

amadeu ferrari

Um salto à Cinemateca, ontem, para uma sessão do ciclo Abrir os Cofres: Imagens de Portugal. A propósito, uma das minhas paixões recentes: as fotografias de Amadeu Ferrari na colecção do Arquivo Fotográfico da CML. As imagens a cores do tempo que vemos quase sempre a preto e branco nunca deixam de surpreender, mas estes sorrisos abertos, os dedos enfaixados da ceifeira, o alfinete de peito, os punhos a proteger as pele e a blusa, o aprumo imbatível das alentejanas nos seus riscados azuis, de meias e botas altas como as que eu hei-de ter um dia (quando conseguir gastar as outras)… Continuar a ler…

joão mouro

joão mouro

joão mouro

Tinha reparado nas peças que expôs na FIA deste ano, mas foi há muito pouco tempo que conheci finalmente mais de perto o seu trabalho, meu vizinho aqui no bairro. João Mouro é artista plástico, de carreira e formação, mas as suas esculturas-móveis aliam à criação conceptual a dimensão táctil e técnica do trabalho de oficina. Os armários-moradia (não sei se lhes posso chamar casas de bonecas) entraram para a minha lista de compras de sonho.

João Mouro trabalha e expõe na Galeria 59 (Rua do Diário de Notícias, 59, em Lisboa), aberta ao público da parte da tarde.

Mais (e melhores) imagens aqui.

o alfaiate

alfaiate

alfaiate

Fomos à procura do alfaiate que fez os casacos dos pastores porque, depois de experimentar o do Pedro, decidi mandar fazer um à minha medida. A morada que tínhamos era o nome da aldeia, Folhadosa. Encontrámo-lo a trabalhar no seu atelier, por detrás de uma porta pequenina, numa quelha da largura de um corredor: António José (“Tozé” no cartão de visita), alfaiate diplomado, com tanto trabalho em mãos que só no Outono terei a minha encomenda pronta. Mas na visita não resisti a um colete em burel e riscado com estrelas recortadas… Continuar a ler…

a lã portuguesa a gostar dela própria*

lavar a lã no alentejo

Quando, em 1994, participei como voluntária nas escavações do Campo Arqueológico de Mértola, descobri na Cooperativa Oficina de Tecelagem a lã mais macia que vira até então. Foi o meu coup de foudre com a lã portuguesa. Vim para Lisboa carregada com toda a que pude comprar, e dela nasceram uma camisola que durou mais de dez anos e um colete que ainda uso. Na altura, encontrar bons fios para tricot em Lisboa era uma missão impossível. Encontrar aquela lã fiada à mão, na cor de café com leite das ovelhas sarnubegas, foi uma revelação inesquecível. A minha visita a Mértola para conhecer o seu nascimento, combinada com as tecedeiras há quase um ano, aconteceu finalmente esta semana.

lavar a lã no alentejo 11

As tecedeiras de Mértola acompanham todo o processo que culmina na criação do fio que usam nas suas mantas. São elas que escolhem o rebanho cuja lã lhes parece mais macia (nesta região, historicamente conhecida pela qualidade das suas lãs, abundam as raças Merino branco e preto e Campaniça), são elas que negoceiam com o criador a qualidade do que lhes é vendido (quanto mais seleccionados e limpos forem os velos, menos trabalhoso é o processo), são elas que lavam a matéria prima, à mão e por processos que provavelmente não mudam há vários séculos, e são finalmente elas que escarmeiam e azeitam as fibras, preparando-as para a cardação e fiação, que são também ainda processos inteiramente manuais. É do cuidado e do tempo investido em cada um destes passos que nasce este fio, e é esta a chave que permitirá um dia voltarmos a fazer da nossa lã uma matéria prima de excelência e não um sub-produto abandonado com desprezo nos campos depois da tosquia, que é o que fazem actualmente grande parte dos pequenos produtores de ovinos. Continuar a ler…

tijoleira

tijoleira

tijoleira

Na viagem de regresso, uma paragem rápida ao pôr do sol junto a uma das últimas fábricas de tijoleiras artesanais (e tijolos e telhas) da zona da Fonte do Bispo. Como era Domingo não pudemos entrar, mas fiquei a sonhar com um certo terraço. Continuar a ler…

made in portugal

fio do norte

made in portugal

outono

na Retrosaria.

xuz

xuz

A verdade é que eu não precisava absolutamente destas botas, mas não lhes resisti. A sola de madeira e as tachas revelam imediatamente a fonte de inspiração, mesmo que não se saiba nada sobre a marca. Só depois de chegar a casa é que fiquei a saber mais sobre a Xuz, através deste artigo e do site, e fiquei rendida. Sempre gostei de andar de socos (usava estes na rua quando era pequena), algures no final dos anos 80 tive uns daqui e a E. tem uns de Ponte de Lima. Os sapatos, socos e botas em couro com sola de madeira foram uma constante em Portugal (pelo menos no Norte) e em algumas localidades ainda há artesãos activos no seu fabrico. Algumas imagens e longa vida à Xuz: Continuar a ler…

mantas alentejanas

mantas

mantas alentejanas
Autor, título e data desconhecidos. Papel montado em suporte de madeira. Col. Museu de Arte Popular. MatrizPix.

As mantas de Mértola, actualmente feitas apenas pelas mulheres da Cooperativa Oficina de Tecelagem e muito menos conhecidas do que as de Monsaraz, são um verdadeiro artigo de luxo. Quem as vê não adivinha o que representam em termos de preservação de saberes quase extintos e a única monografia dedicada ao tema que conheço (Mantas tradicionais do Baixo Alentejo, de Ângela Luzia, Isabel Magalhães e Cláudio Torres. Mértola, 1984) tem um quarto de século. Estas mantas nascem nos dois teares domésticos que a cooperativa mantém a funcionar e são feitas hoje como há décadas ou séculos. A sua lã é diferente de todas as outras lãs portuguesas e macia como mais nenhuma. Vem da ovelha campaniça, autóctone da região (e também ela ameaçada de extinção) e é tratada de forma totalmente manual até chegar ao tear, sendo ainda hoje fervida em pequenos cestos na margem do rio, aberta, cardada e azeitada à mão e fiada em pequenas rodas artesanais. As cores das mantas são as da própria lã: branca, preta e sernubega (o castanho café com leite da ovelha cruzada). Como cada uma representa um sem fim de horas de trabalho são necessariamente objectos caros, mas comprar uma é contribuir para a sobrevivência de todo um universo. A minha está a uso há dezasseis anos e continua tão bonita como quando foi comprada. Continuar a ler…

botas alentejanas

de mértola

Encontrei em Mértola as substitutas para as minhas camper estafadas por dois invernos de uso intenso. Foram compradas na linda sapataria que fica já quase a chegar ao café Guadiana e não têm escrito o nome do fabricante. Parece que são feitas por encomenda para a loja, que vende diversos modelos de botas alentejanas para homem e senhora. Estou fã. Continuar a ler…

made in portugal

linho

lã

Estopa, linho, , salsa verde e hortelã.