pregar aos peixes

meu dito...

Há menos de dois meses esta entrada era assim. Hoje de manhã, depois de ver escavacada do chão ao tecto a loja do sapateiro aqui do lado, e com ela um dos últimos chãos de mosaico hidráulico da rua (há um ano foi este embora), resolvi dar um passeio alargado para juntar mais alguns à minha colecção. Um quarteirão abaixo, uma senhora simpática resolveu não deixar morrer o negócio de venda de guarda-chuvas fundado pelo pai nos anos cinquenta. A loja é pequena e bonita, e o chão tem mosaico marmoreado como este mas em rosa, a pedir escova, sabão e cera: Ai não tire fotografias ao chão que está tão feio! Isto vai tudo para obras. E eu o blá blá blá do costume, que aquele é que é o chão certo para aquela loja, que está ali desde sempre e nada que se ponha agora vai durar o mesmo tempo. Diz-me que quer é pôr calçada portuguesa no chão, que é o que é tradicional e eu já a contorcer-me. Pois é tradicional e está ali mesmo à porta, no passeio, onde deve estar. Não é aqui dentro! Depois tentei explicar que só por cá é que o mosaico hidráulico ainda não está na moda outra vez, que lá fora se editam livros sobre o assunto, que no Chiado as lojas espanholas o trazem de propósito para alindar o chão. E só tive pena de não ter a última Milk para lhe mostrar o que os franceses também já perceberam.

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dever de resposta

chão

Eu não ia mesmo escrever sobre o assunto, mas ter acordado hoje a pensar nisso fez-me achar que era melhor. Diria que aquele Aqui e Agora foi o pior programa de pseudo-informação da história do canal se tivesse visto outros, mas a verdade é que raramente ligo a SIC (e a televisão em geral) que não seja umas horas mais tarde, para ver uma série ou um filme. Aliás se visse mais televisão provavelmente teria dito logo que não à jornalista Amélia Moura Ramos quando ela me contactou. Em vez disso cedi duas horas de uma manhã de trabalho que teriam sido bem mais proveitosas a fazer outra coisa qualquer (nada, por exemplo) para lhe dar a minha opinião sobre o assunto que a levou a escrever-me (Sou jornalista da sic e estou a fazer uma reportagem sobre a vida privada na net. Li a sua opinião sobre os babybloggers e achei que seria interessante falar consigo.). Infelizmente, só quando vi a peça é que percebi que a intenção da jornalista nunca fora a de vir registar a minha opinião, mas antes a de recolher material para ilustrar o ponto de vista fundado na absoluta ignorância que serviu de premissa a todo o programa. A esta falta de sinceridade soma-se a falta de informação da Amélia Moura Ramos relativamente ao assunto: fui eu que lhe dei a conhecer os únicos outros sites que mencionou na peça e ela própria assumiu espontaneamente em conversa não ter nenhum à-vontade com as novas tecnologias (o que a meu ver é bastante desaconselhável a um profissional dos media) e o receio que tinha enquanto mãe de não poder acompanhar a filha nestes domínios.

Ora tudo isto seria apenas ridículo se não houvesse ainda muitos portugueses info-excluídos, que vêem televisão mas não sabem o que é um browser. Todos esses, que são pais e avós de muita gente, terão ficado ainda mais receosos e desconfiados mas nem um bocadinho mais capazes de proteger os filhos e netos dos tais perigos que lhes foi dito estarem do lado de lá de todos os monitores. Muito menos de os compreender.

Falta-me só dizer que também é por isso que deixei gradualmente de ver televisão: prefiro procurar e ler pessoas que escrevem, muitas vezes de graça, sobre aquilo de que sabem e gostam do que ver um grupo fixo de comentadores e jornalistas pagos para dizer generalidades (e enormidades) sobre qualquer assunto que lhes seja apresentado.

época de caça (iv)

m_h

cor velha cor nova

Diz a Inês que fechou a época de caça e no que concerne a escolas é verdade. Com bastante alívio, digo eu, mas sem dar o caso por encerrado e a prole por entregue, que muita água há-de correr ainda debaixo da ponte.

Quanto a estas outras espécies venatórias, continuo a coleccioná-las. Não os troféus para pôr em casa (se bem que tenha alguns) mas antes os registos da sua sobrevivência no habitat natural.

agora vê-se, agora não

agora vê-se, agora não

Prédio em obras:

Não se importa que tire umas fotografias aqui a este chão?

Ah, tire à vontade. Isto é tudo para arrancar. Chão, porta e tudo.

Para arrancar? Mas a porta está óptima e é tão bonita.

Bem, a porta talvez tenha arranjo, mas o chão é que vai de certeza

Espero que voltem a pôr do mesmo material, ao menos.

Ó menina, isto já nem se fabrica!

Blá blá blá blá, em Estremoz, blá blá blá Lúcio Zagalo, e blá blá blá blá…

mosaico hidráulico

mosaico hidráulico = Lúcio Zagalo

mosaico hidráulico = Lúcio Zagalo

Soube da existência de um fabricante de mosaico hidráulico em Estremoz pela revista K (ou seja, há mais de quinze anos), mas só graças a um comentário neste post fiquei finalmente a saber como se chamava. Hoje rumámos ao Alentejo para conhecer a Fábrica de Mosaicos Hidráulicos de Estremoz.

O Mestre Lúcio Zagalo faz mosaico hidráulico desde os catorze anos. Trabalhou em várias oficinas durante a juventude e acabou por abrir o seu próprio negócio. Na pequena fábrica (todos os mosaicos são feitos por ele numa única prensa) reúne cerca de dois mil (!) moldes diferentes, uns herdados, outros mandados fazer a gosto do cliente ou para trabalhos de restauro de pavimentos antigos. De cada molde podem sair muitos padrões, dependendo da forma como se usem as cores, pelo que as possibilidades são quase infinitas. Depois há ainda os lindíssimos mosaicos com fingido de madeira ou mármore, feitos com muita arte (desenhados individualmente à mão e sem molde). O melhor é ver, escolher e levar impresso, porque só uma ínfima parte dos desenhos está em exposição e o que apetece quando se lá chega é trazer um de cada.

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época de caça (iii)

almirante reis

Mais uma escola vista, as mesmas perguntas. Dou mais importância à professora propriamente dita ou à escola? À possibilidade de aprender bem e desde cedo uma segunda língua ou à familiaridade que uma escola pequena permite? A mudar para a mesma escola que os amigos de cujos pais nos tornámos amigos ou à solidez da formação? Risco da lista todas as escolas que usam a televisão para entreter as crianças? Aposto na escola pública que me parece mais promissora ou recuso-me a entrar na hipocrisia das moradas falsas e a ficar pendurada até à última para saber se teve vaga ou não? Etc., etc.

O mosaico foi fotografado quase sem olhar, enquanto conversava de A. no sling com outra caçadora de escolas de bebé à ilharga. Só depois reparei nos sapatos. E que sapatos. Não fui só eu a vê-los.

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