jardim do príncipe real

jardim do príncipe real

jardim do príncipe real

Muito do que se decide para a cidade de Lisboa parece sair da cabeça de pessoas sem filhos que só vivem a cidade de dentro do seu automóvel. Quem anda a pé e de transportes, com e sem crianças, quem está no passeio sente como eu que as prioridades parecem muitas vezes trocadas e que o que se compõe é mais para parecer bem do que para funcionar bem. Triste exemplo desta situação é o resultado das obras no Jardim do Príncipe Real, tantas vezes personagem dos meus posts (são nove anos de blog feitos anteontem). Não me manifestei quando se falou no abate das árvores (porque não sabia do assunto que chegasse para perceber de que lado estava a razão) mas, agora que o jardim reabriu, é deprimente pensar que mais valia tê-lo deixado como estava. Convenci-me de que o parque infantil (para o qual tinham sido anunciadas obras) seria aumentado, ou pelo menos bastante melhorado. Era absurdo o escorrega tão exposto ao sol que só de manhã podia ser usado sem queimar as pernas, mas ninguém se lembrou de o mudar de sítio. Os baloiços batiam às vezes nas crianças menos atentas pela razão óbvia de o espaço ser pequeno para todos os que o frequentam. Solução da Câmara: rodear os ditos baloiços de pilaretes de metal que roubam boa parte do pouco espaço que havia. De resto, e fora uns remendos no chão, tudo fiou igual. Fora do parque infantil, só elogio a instalação de um sistema de rega mais ecológico. Por outro lado, o novo piso é um pesadelo que anda a alastrar por Lisboa: um saibro amarelo claro, coberto de gravilha solta e pó. Não sei se tem alguma qualidade, mas os defeitos são vários: reflecte demasiado a luz (deve ser invenção de um país com menos sol) e transforma completamente o ambiente do jardim, tornando-o menos fresco e abrigado; a gravilha entra imediatamente para as sandálias (lá está a tese de que quem decide não anda a pé, muito menos com crianças) e esfola muito mais os joelhos do que o alcatrão (?) que lá estava antes; e o pó suja tudo (lembrar que as crianças passam boa parte do tempo com mais do que a sola dos sapatos no chão) e entra para os olhos mal se levanta o vento. As críticas são tantas que surgiu um blog dos amigos do Príncipe Real. De que cabeças terão saído as alterações feitas? Quem decidiu o que fazia falta (que tal mais metros quadrados de jardim infantil, uma casa de banho com fraldário e multas para os passeadores de cães sem saco de plástico?)? E para quando umas obras a sério, a pensar de facto em quem vive o jardim todos os dias e não só no de cortar a fita? Read more →

pela taxa sobre os sacos de plástico

saco de plastico

Já dei a minha opinião sobre a distribuição gratuita de sacos de plástico aqui e aqui. Como não podia ficar indiferente à notícia de que o governo pretende recuar na intenção de introduzir (finalmente!) uma taxa sobre os ditos criei uma petição online chamada

Pela taxa sobre os sacos de plástico

e peço a todos os que estiverem de acordo que a assinem também e que ajudem a divulgá-la.

Fotografia de Luísa Cortesão.

toma e embrulha

embrulha

Um email que recebi esta manhã:

(…) Neste momento estou a estagiar na divisão de ambiente da CM Seixal e estamos a organizar, para o dia 24 de Novembro (sábado), um atelier de embrulhos ecológicos a realizar no shopping rio sul, de forma a sensibilizar as pessoas para a diminuição do desperdicio e dar algumas ideias de como poderão começar pelos seus embrulhos de Natal… Nós não temos muito jeito nem imaginação e por isso venho contactá-la para saber se poderá estar interessada em participar ou se conhece alguém que esteja disponivel. A iniciativa durará o dia todo, mas contamos conseguir reunir 4 ou 5 pessoas de forma a preenchermos dois turnos de 4 horas (mais 1h30 de intervalo pelo meio)…

Por favor diga-me se é possível esta nossa pretensão, se conhece alguém interessado, etc… (…)

Quem tiver boas ideias ou se quiser oferecer pode deixar um comentário ou contactar directamente a Ana Cortiçada para anacorticada arroba gmail ponto com. Na fotografia estão embrulhos meus de há três anos: durante cerca de um mês abri com x-acto todas as cartas e depois pintei e carimbei os respectivos envelopes.

blog action day

hoje só lixo, originally uploaded by *L.

Ainda na continuação deste post e dos comentários que suscitou:

Levo sempre sacos de casa para o supermercado, mas como hei-de evitar aqueles sacos pequenos para a fruta e legumes e as outras embalagens?

Os sacos transparentes também podem ser reutilizados, apesar de não ser assim muito prático andar com um monte de saquinhos de um lado para o outro. Podem fazer-se ou comprar-se sacos leves e reutilizáveis para os substituir (como estes) mas, pensando bem, na maior parte dos casos o seu uso pode ser evitado. Levando uma cesta ou um saco extra para os transportar, quase todos os vegetais (tirando os mais pequeninos) podem ser arrumados e pesados sem ser preciso um saco para cada um. Afinal, já havia idas ao mercado (para não falar nos vegetais propriamente ditos) muito antes da invenção dos plásticos. Quanto às outras embalagens excessivas, é uma questão de optar pelas marcas e lojas que não recorrem a elas.

Uso os sacos do supermercado para pôr o lixo. Há alguma solução mais ecológica?

Os sacos da maioria dos supermercados são tão finos que é preciso usar dois ou três para acondicionar decentemente o lixo doméstico. Por outro lado, comprar sacos do lixo não biodegradáveis é incentivar a produção de ainda mais sacos. O ideal seria os supermercados recorrerem apenas a sacos biodegradáveis que fossem vendidos (para controlar o seu consumo) e suficientemente resistentes para acondicionar o lixo. Para o conseguir, nada como pressionar os responsáveis.

Aqui fica uma possível carta a enviar (eu já o fiz) aos supermercados e outras lojas em que fazemos compras habitualmente, a adaptar e editar a gosto:

Ex.mos Srs.,

Sou cliente habitual do [nome do supermercado] e venho apresentar-vos algumas sugestões cuja aplicação em muito melhoraria a vossa imagem junto dos consumidores enquanto empresa empenhada na protecção do meio-ambiente e, pessoalmente, me daria razões para continuar a fazer compras nas vossas lojas:

1. Introduzir uma pequena taxa sobre os sacos de compras que actualmente o(s) vosso(s) estabelecimento(s) cede(m) gratuitamente aos clientes, à semelhança do que acontece por exemplo nos supermercados da marca Minipreço.

2. Incentivar os clientes a trazerem de casa sacos de compras reutilizáveis, em pano ou noutros materiais, através da sensibilização do pessoal que trabalha nas caixas registadoras.

3. Optar por plásticos 100% degradáveis (d2w) ou oxi-biodegradáveis, tanto para os sacos de compras como para os sacos transparentes da fruta e legumes e outras embalagens (de vegetais, charcutaria, etc.) usados nas vossas lojas.

4. Optar por plásticos 100% degradáveis (d2w) ou oxi-biodegradáveis para os sacos de lixo da vossa marca própria.

5. Incluir no website da vossa marca uma secção que informe os consumidores acerca da política da vossa empresa no que diz respeito às questões ambientais.

Os cerca de 150 sacos de plástico por pessoa produzidos anualmente acarretam graves consequências para o meio ambiente: para além de a sua produção implicar o consumo de combustíveis fósseis e a emissão de gases poluentes, cerca de 90% destes sacos acabam a sua vida em lixeiras, como lixo ou como contentores de desperdícios (fonte: Wikipedia).

A distribuição gratuita de sacos de plástico, que é prática do [nome do supermercado], é já proibida em países europeus como a Bélgica, Irlanda e Dinamarca, sendo cada vez mais sinónimo de atraso em termos de consciência ambiental.

Com os meus melhores cumprimentos,

[Nome]

Sugestões para melhorar o texto são bem-vindas.

No âmbito da iniciativa Blog Action Day, ao clicar nos anúncios da coluna da direita durante o dia de hoje estará a doar alguns cêntimos à Quercus.

verde que te quero verde

Amanhã, dia 15, é o Blog Action Day. A iniciativa é fácil de explicar: os autores de blogs que decidirem aderir vão escrever sobre a protecção do Meio Ambiente. O quê e sobre quê é à escolha de cada um. Quem quiser poderá também usar publicidade no blog para angariar fundos e doá-los a uma instituição ambientalista. A ideia é pôr o maior número de pessoas possível a pensar sobre o assunto e levar quem tem pensado pouco a mudar. Mesmo que seja só de lâmpadas.

Para além da Rita, que já mo confirmou, quem mais aderiu?

real men save the planet

baggu

Para não trazer para casa sacos de plástico, tenho sempre na mala sacos de pano. Normalmente este e este, às vezes outros. Nalgumas lojas ainda acham esquisito, noutras conhecem-me a mania. Como raramente vou ao supermercado e o F. não se revê propriamente nas chitas, comprei-lhe uns Baggu. Não tendo nada de particularmente novo (nem o material nem o feitio), são muito bonitos e bem acabados. O site, conciso e informativo, não lhes fica atrás.

E ainda hei-de experimentar fazer um assim.

PS, em resposta aos comentários: aqui há um texto interessante (Sacos de compras aos milhões – não se consegue fazer link directo) sobre as medidas tomadas em Portugal por alguns supermercados e aqui uma carta com algumas sugestões, a preencher e enviar ao supermercado em que habitualmente se faz compras. Para conhecer melhor a dimensão do problema que os sacos de plástico representam, vale a pena ler o artigo da Wikipedia.

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não, obrigada

Há o correio bom e há o outro, que não pedimos, que não queremos e que nos vem à mesma ter às mãos. É um total desperdício de energia e matérias-primas e, mesmo que fosse todo encaminhado para a reciclagem, muito melhor seria não o recebermos de todo. Outra aberração dos nossos dias é o telemarketing, que não pede licença, interrompe e incomoda. Numa rápida pesquisa, googlei uma medida que vai além do célebre autocolante de colar na caixa do correio e que pode poupar um monte de árvores. Até porque muita desta publicidade vem endereçada e contra essa os poderes do dístico são nulos (curiosamente uma das empresas mais gulosas de dados e prolífica em lixo postal é a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor). Fiquei a saber que existe uma coisa chamada Lista Robinson, e que as empresas não podem, por lei, enviar correspondência ou telefonar para as moradas/números de telefone nela incluídos. Ora, em vez de devolver cada carta destas empresas exigindo ao abrigo da lei a eliminação dos meus dados, como tenho feito, vou mandar já amanhã uma carta para a Associação Portuguesa de Marketing Directo, com a ajuda desta minuta e cortar o mal (que não mais árvores) pela raiz. O processo está explicado aqui, numa página do Instituto do Consumidor que também permite pedir por email o autocolante anti-publicidade não endereçada. Depois, fica só a questão das duas palavras da Vírgula.

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