exigir ou deixar passar

1. A E. vê com alguma frequência os desenhos animados do fim da tarde no segundo canal. É a única altura em que a televisão está ligada antes de ela se deitar e, depois de conhecer a programação, já aproveitei várias vezes esse bocadinho para fazer o jantar. Há cerca de duas semanas liguei a televisão à hora certa e apanhei a publicidade antes de os desenhos animados começarem (imagino que muitas outras crianças já estejam à espera àquela hora e nem todas com o pai ou a mãe ao lado): entre os anúncios, dois a séries impróprias para pequeninos (uma delas de terror). Cheguei mais ou menos a tempo ao comando e nesse dia aproveitei para verificar que no intervalo imediatamente a seguir ao espaço infantil a cena se repetia (tiros, sangue, gritos e gente com ar apavorado). Enviei à 2: um email, perguntando se não seria possível evitar este tipo de conteúdos nos dois espaços publicitários colados ao Zig-zag. Ainda não tive resposta nem pude conferir eventuais resultados do meu pedido.

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wip

work in progress

Rendida às evidências, encomendei aqui o recheio (wadding) apropriado para terminar este projecto.

Sobre o assunto de ontem / eternamente pendente, constatei esta manhã com alívio que a Linha do Cidadão Idoso ainda está viva. Atenderam-me com a simpatia do costume mas as notícias que tinham estavam longe de ser boas. Pelos vistos a Autoridade de Saúde voltou a pronunciar-se sobre o assunto no final de 2005 para dizer o mesmo: no seu entender não há razão suficiente para fazer alguma coisa. Frustrada, questiono-me acerca do fundamento para este parecer. Sei bem que há (infelizmente), mesmo aqui no Bairro Alto, muitas outras pessoas a viver assim tão mal ou mesmo pior. Não pode ser essa a razão para não intervir a tempo (três anos de alertas deviam chegar e sobrar). Nas histórias parecidas de que tenho sabido a solução é invariavelmente a mesma: resolve-se o problema quando a pessoa em causa morre, mas não antes. Tenho vergonha de estar à espera.

fresco

verde

Num raro acto de fidelidade ao pequeno écran, vi ontem a terceira e última parte de um documentário que me apanhou de surpresa: Status Anxiety. Há alturas em que ser leiga (ou será da idade?) permite gostar ou não das coisas de uma maneira mais espontânea. Foi o caso: não conhecia o Alain de Botton, não li o livro, não tinha ouvido dizer a ninguém se era bom ou mau. Simpatizei com a realização, com o conteúdo – um misto de iniciação à Sociologia e tele-curso de auto-ajuda (o que escrito assim parece péssimo) – e ainda mais com as mensagens (/moral da história) de que é possível dar importância apenas ao que é mesmo importante e de que vale a pena lutar por ideais e viver de acordo com aquilo em que se acredita.

…na fotografia, frescos, tenros, biológicos, sápidos aneto e grelos de nabo.

coisas públicas

os têxteis

Totalmente na mouche, o cartoon do Miguel na Pública de hoje (p. 69). Quem lida com tecidos todos os dias não pode senão passar o tempo perplexo com a situação da indústria têxtil em Portugal e perguntar-se por que razão não se investe a sério em qualidade e inovação. E o mesmo vale para as grandes lojas de tecidos (pelo menos as de Lisboa, que são as que conheço), onde o panorama é desolador: já que quase só vendem tecidos espanhóis, por que não pelo menos apostar em escolher o que de bom se faz aqui ao lado?

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707

Viver este dia e este outra vez. Com a televisão escondida por detrás do sofá, duas mesas e todas as ferramentas, sem ser ligada há dias, só à tarde sabemos do que se passou ontem em Londres. Vejo os londrinos mais calmos do que alguma vez algum português seria na mesma situação e, consciente de que esta guerra sem regras está para durar, pergunto-me por que razão, passados quase quatro anos sobre o onze de Setembro, não foram introduzidos no quotidiano de todas as escolas, empresas e transportes públicos, exercícios que nos ensinem a lidar com o pânico, a sair de um edifício ou autocarro em chamas ou a socorrer os feridos.

lá em baixo

Escrevi isto há quase dois anos, convencida de que estava a falar de uma questão praticamente resolvida. Passei a manhã de hoje ao telefone a tentar mais uma vez resolver o problema que naturalmente se agrava de dia para dia e já atingiu proporções para nós insuportáveis. A solícita assistente social da SCML ficou logo na altura de mãos atadas: por um lado a delegada de saúde determinou não haver razões suficientes para ser necessária qualquer acção da sua parte (outra coisa não seria de esperar, visto qualquer esforço lhe dar mais trabalho do que esforço nenum) e por outro a filha da dona F. (de quem seria necessário obter uma autorização verbal), jamais vista dentro do prédio, afirmou dar à mãe todo o apoio necessário.

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o forward do óleo

Na semana passada recebi pela enésima vez o forward do óleo (e eu que detesto forwards). Desta vez vinha de um remetente brasileiro mas o conteúdo era o mesmo: um texto que, com a melhor das intenções, apela a que os óleos alimentares que usamos em casa sejam postos no lixo dentro de uma garrafa de plástico, garantindo que assim, as nossas garrafinhas serão abertas e vazadas no local adequado, em vez de irem juntamente com os esgotos para uma ETA (Estação de Tratamento de Águas). A verdade é que, tendo percorrido os sites do Ponto Verde, da empresa que processa os resíduos sólidos de Lisboa e do Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos da CML, não encontrei nem um parágrafo dedicado ao tratamento dos óleos alimentares. Através do Google aparecem apenas notícias de iniciativas isoladas de recolha de óleos usados pela indústria e restaurantes e páginas como esta. Não acredito que haja funcionários a abrir as garrafas de plástico que vão misturadas no lixo para ver se o que lá está dentro é óleo para reciclar (blherrque!). Se todo o lixo que produzimos fosse triado manualmente não havia grande necessidade de ecopontos… Resta-me aguardar uma resposta ao email que enviei para a DHURS.

Entretanto, mal ou bem, lá entreguei a candidatura aos Jovens Criadores. Escrever sobre o que faço com o intuito de impressionar um júri invisível é uma tarefa penosa. Não estou nada confiante. Na fila para tirar as cinco fotocópias de que precisava, outra rapariga armada de ficha de inscrição. De casaco vermelho e quase tão despenteada como eu, segurava os CDs e papeis de forma ainda mais insegura e olhava para os lados como se esperasse a todo o momento que alguém lhe fosse dizer qualquer coisa desagradável, o pouco que faltava para a demover e fazer com que fosse para casa lavada em lágrimas. Devia ter-lhe oferecido um chocolate.

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