tetracrafts

tetrapak
Na melhor das hipóteses, é isto que acontece aos nossos tetrapaks de todos os dias*, mas a verdade é que há quem se tenha lembrado de lhes dar outros usos. A Margarida Botelho um dia recebeu uma carteira feita a partir de uma embalagem destas e achou a ideia tão boa que resolveu fazer mais e ensinar os outros a fazê-las também. As carteiras são lindas!
Nos dias 19 e 21 de Dezembro, a Margarida vai estar no Mercado de Natal – Amigo da Terra, na Oficina da Cultura em Almada, a mostrar como se fazem estas carteiras e outras coisas a partir de embalagens tetrapak usadas. Para além disso, ela está a pedir às pessoas (cá em Portugal e no estrangeiro) que lhe enviem alguns tetrapaks pelo correio (passados por água e espalmados) para a seguinte morada: Rua do Trevo, n.∫ 4 – Quinta do Rouxinol – 2855-206 Corroios Portugal (ela promete agradecer com um tetrapresente). O email dela é aabotelho arroba net ponto sapo ponto pt.
How would you like to see your used milk and juice cartons transformed into beautiful wallets like this one? Choose a few of your most colorful cartons and send them (washed and flattened) to Margarida Botelho: Rua do Trevo, n.∫ 4 – Quinta do Rouxinol – 2855-206 Corroios Portugal. She’ll send you something made by her in return. Her email is aabotelho at net dot sapo dot pt.
* Sobre o destino dos tetrapaks (contentor das embalagens ou do papel/cartão), veja-se este post e os seus comentários.

a sina dos portuguesinhos

Não é porque o vejo da janela. É mais porque a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais diz que se trata de um monumento cuja protecção se encontra em estudo e ao mesmo tempo a Amorim Imobiliária já diz que tem Apartamentos T1 a T5 em pré-comercialização.

Não estou por aí além interessada na conservação do típico e no popular do Bairro Alto (sobretudo no que toca aos ex-libris que são as esquinas mal-cheirosas, os chefes de família alcoólicos, os velhos sem água canalizada, o lixo no chão e as casas a cair de podres, todos tão tradicionais, para não falar na heroína que agarrou pelo menos uma geração de nados e criados entre a Rua do Século e a da Misericórdia). Fico contente quando vejo as tias às compras na Rua do Norte, os casais novos sem medo da falta de elevadores e os adolescentes de outras paragens que cá vêm cortar o cabelo ou à procura de roupa e acessórios diferentes. É claro que o Bairro só sobrevive mudando, integrando gente diferente e maneiras diferentes de viver. Mas não é assim.

Por isso é que não hesitei em assinar a petição contra esta transformação do Convento dos Inglesinhos num condomínio fechado feita assim à sorrelfa.

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mais um post sobre reciclagem

separar o lixo

(nascido de um outro post)

As campanhas publicitárias com o objectivo de incentivar a população a fazer a separação do lixo partem, a meu ver, de um pressuposto falso: todos os anúncios insistem em como é fácil separar do lixo normal os vidros, papeis e embalagens. Só que a verdade é que, mesmo acreditando que um chimpanzé consegue distinguir uma embalagem de detergente de um jornal, a maioria das pessoas que se preocupa hesita quando tem de escolher em qual dos ecopontos deve colocar um tetrapack.

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da arte de bem separar o lixo

Não sei ao certo quando foi que me tornei uma aficionada da reciclagem, mas julgo que a revista do El País (que o meu pai trazia todas as semanas e onde aprendi a ler castelhano), recheada de bons artigos, fotografias e ilustrações (porque é que cá nenhum jornal tem uma revista assim?) , teve alguma responsabilidade (neste assunto como em tantos outros). Ainda no liceu, serviu-me de várias vezes de tema e de motivo para uma situação ridícula – ao devolver um trabalho que eu e a Sofia tínhamos cuidadosamente impresso em papel manteiga (para mim o mais bonito dos papeis reciclados), diz-nos a professora (de Inglês, e uma das mais burras que tive): está bom, mas porque é que o fizeram neste papel tão feio de mercearia?.

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desarmada

f., que já não dá conta do recado, que já não lava nem limpa, que não tem apoio domiciliário da misericórdia porque a filha sabotou todos os meus esforços. f., que diz mal dos vizinhos pelas costas, que deita perdigotos, que me mete medo, que bate no gato.

f. toca-me à porta e diz que lhe sobrou lã de uma camisola que fez para a bisneta. puxa de um saco de plástico e mostra o acrílico cor de rosa bebé tricotado em ponto de arroz: ó m’na rosa, está a ver? assim faço uma para as amêndoas da e. o que é que lhe dá mais jeito, uma camisolinha ou um casaquinho?

trincheiras à porta. obrigada cml

eis email que acabo de enviar para a cml (geral@cm-lisboa.pt) e junta de freguesia de santa catarina (jfsc@mail.telepac.pt) sobre as trincheiras da minha rua:

ex.mos srs.

resido na rua … … (freguesia de santa catarina). nas últimas duas semanas o passeio junto à minha porta (e ao longo de toda a rua) foi sujeito a duas intervenções por parte de empresas distintas. Por duas vezes em duas semanas o pavimento foi arrancado, escavado e reposto, com as dificuldades que daí naturalmente decorrem para os moradores. no prédio em que resido há uma idosa com dificuldade em movimentar-se e duas famílias com bebés (entre as quais a minha). nos restantes as situações não são muito diversas. ora durante a maior parte dos dias das últimas duas semanas as entradas e saídas (com e sem carrinho de bebé) fizeram-se através de trincheiras, tábuas em equilíbrio duvidoso, montes de terra e lama, etc. como é possível que as intervenções deste género não sejam calendarizadas de modo a não se chegar a este extremo de ridículo que é uma empresa estar num extremo da rua a acabar de recolocar o pavimento e outra estar no outro a levantá-lo de novo? qual é a entidade responsável por autorizar as empresas a realizar uma obra num determinado arruamento? ou será que não é necessário qualquer tipo de licença?

agradeço qualquer esclarecimento que possam prestar-me.

com os melhores cumprimentos,

f. vive num prédio antigo

f. vive num prédio antigo de um bairro antigo de lisboa. f. é velha e mais velha ficou depois de um achaque violento há coisa de dois anos. f. ouve mal, vê pior e tem um gato que morre de medo dela. f. sai de casa quase todos os dias mas já não dá conta do recado.

r. vive num prédio antigo de um bairro antigo de lisboa. r. é nova (ainda), e agora que é mãe não se importa de fazer ondas.

r. vive por cima de f. e reparou há muito que na corda de f. nunca há roupa a secar. f. já não dá conta do recado. r. tem medo do sujo. o sujo vem por aí acima.

r. puxa pela cabeça (quem toma conta de quem já não dá conta do recado?).

r. abre a lista telefónica, encontra um número de apoio ao idoso. liga e conta a sua história. é uma história muito contada, em muitos prédios antigos de muitos bairros antigos. dizem-lhe que tem de ir ao centro de saúde falar com o delegado de saúde da área. r. liga para o centro de saúde e diz que quer marcar um encontro com o delegado de saúde. dizem-lhe que escreva antes uma carta. r. insiste. dizem-lhe que escreva. r. pergunta em que dia da semana está o dito delegado no centro. insiste.

r. aparece no centro de saúde e descobre a custo o caminho para o gabinete do delegado que é uma delegada. a delegada ouve a história e não reage, como quem acha que nos prédios antigos dos bairros antigos é mesmo assim. a delegada, por detrás do seu rímel, diz que não lhe compete resolver o assunto. r. que escreva para a câmara municipal de lisboa.

r. regressa a casa e lê no jornal que a câmara municipal demorou anos a resolver o problema idêntico de x que vivia num prédio antigo de um bairro antigo de lisboa.

r. liga para a câmara. ninguém atende. insiste. ninguém atende.

r. resolve ligar para a junta de freguesia. dizem-lhe que não vale a pena ligar para a câmara. dão-lhe os números de dois centros sociais da misericórdia e os nomes das respectivas directoras.

r. liga para o primeiro. chega à fala com m. que lhe diz que deve dirigir-se à delegada de saúde. r. conta-lhe que a delegada delegou a responsabilidade na câmara. m. revela que a delegada delega sistematicamente todas as responsabilidades. r. insiste, mas agora humilde. invoca a sua condição de mãe. m., solidária, resolve mais uma vez assumir deveres que não são seus e compromete-se a ajudar.

m. telefona a r. e vai a sua casa acompanhada de duas agentes da psp. m. inteira-se dos pormenores e explica que vai conversar com f. para lhe propor o chamado apoio domiciliário (que é tomar conta de quem já não dá conta do recado). m. e companhia descem a escada e batem à porta de f. falam com ela a língua dos velhos que ouvem pouco e vêem menos. conversam com f. sem medo do sujo que já quer sair porta fora.

r. admira-se. m. está a resolver o problema.

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