baixa misteriosa

baixa misteriosa

baixa misteriosa

Penso que conheço a Baixa, mas surpreendo-me de cada vez que lá vou. Hoje encontrei esta loja, que provavelmente terá sido um dos muitos armazéns de tecidos da zona. Apesar da espessa camada de pó, os balcões mantêm-se surpreendentemente vivos.

Continuo à procura e tenho um forte candidato (não é a loja nas fotografias), diferente do que imaginei de início mas com várias características que me agradam muito. Como preciso de pedir orçamentos para uma hipotética recuperação do espaço, peço a quem quiser partilhar, o nome e contacto de empresas especializadas em interiores de edifícios antigos de quem tenham boas referências. Obrigada!

curtas

sonhar

verdes

cartas

As manhãs de céu azul pedem mais passeios, mais lojas antigas e mais casas vazias. Fazem sonhar mais alto.

Passei o dia literalmente todo a arrumar nas prateleiras virtuais da Retrosaria todas as novidades e estou fascinada com os livros japoneses de tricot.

caminho

chão de são paulo

||||||||

✽

?

A chuva não tem ajudado a minha busca, mas hoje pude dar um bom passeio. O cenário, bastante deprimente, é o mesmo praticamente por toda a parte: Rua de São Paulo fora são mais as lojas fechadas do que as de porta aberta. Desapareceram o correeiro junto ao elevador da Bica, a casa que vendia ceroulas e camisolas interiores, as padarias mais bonitas e várias das lojas de materiais de construção e ferramentas. As que se mantêm definham, como a do magnífico mosaico da primeira fotografia, vazias e esmagadas por prédios decadentes, apesar de estarem numa zona que, a dois passos do rio e com aquele casario, podia (poderá ainda?) ser uma das mais agradáveis de Lisboa.

A tarefa de escolher os nomeados para o concurso de imagens deste ano está tão complicada que a vou adiar mais um dia. É fácil ver porquê se se espreitar aqui, aqui e aqui também.

carta ao pai natal

new favorite

Hoje estive naquela que até agora se parece mais com a minha loja. Não tem armários de madeira paredes fora, mas tem umas belas prateleiras com o tamanho certo para os tecidos e não tem no chão mosaico tão extraordinário como o da fotografia (que também encontrei hoje) mas tem outro, bonito e que está ao serviço há mais de cinquenta anos. Tem o tamanho e o feitio certos, e está no sítio ideal, entre a minha casa e a escola da E. Contra ela tem só o preço, que para o meu orçamento é uma exorbitância. Suspiro.

sonhar alto

drogaria

padaria

A busca continua. Obrigada por todos os votos de boa sorte e sugestões. Com outros tantos pares de olhos à coca, será de certeza mais fácil.

Hoje tive tempo para ir colar o nariz a mais umas montras, desta feita pelos lados da Madragoa. É lá que mora a minha drogaria preferida, aberta há cento e um anos. Encontrei muitas lojas fechadas (há mesmo mais lojas fechadas do que abertas, ou só parece?), e cumpriu-se a triste regra que vou encontrando um pouco por toda a parte: quanto mais preservados os interiores (chão, armários, etc.), mais perto da ruína está o edifício. Nos prédios que tiveram melhor sorte em geral as lojas perderam a graça pelo caminho. Mas a excepção há-de estar por aí à minha espera…

crescida

mercearia

Primeiro trabalhar em casa só tinha vantagens e ter um outro espaço era apenas um sonho. A E. era pequenina e os tecidos cabiam em dois sacos que lhe serviam de poufs. Agora estou à procura. Não de um sítio qualquer mas do sítio certo. Idealmente, um espaço com uma vida anterior que lhe tenha deixado armários pré-ASAE e chão de mosaico hidráulico (claro), como o da fotografia (que vai ser demolido muito em breve). Ando de nariz colado às montras mais escuras e empoeiradas. A sonhar alto.

retrosaria

retrosaria

O ter o meu nome no meio é uma coincidência auspiciosa naquilo que é o mais diletante dos meus projectos: a minha selecção de tecidos americanos e japoneses, disponíveis a dois dias de correio em vez de ser a um oceano de distância. O site mesmo a sério está a ser feito pela Overture Software e, se tudo correr como planeado, estará on-line em breve mas, até lá, terá uma sede provisória, já operacional. A escala será a que permite uma logística caseira, mas espera-se que quem (como eu) se regala a cortar e coser encontre lá o que precisa. Boa Viagem!

outro sonho

Se estivesse desempregada ou se tivesse um emprego das nove às cinco em vez de uma filha em casa e muito trabalho das 8 às duas da manhã, o que eu fazia já era tentar montar uma SCRAP Store. O conceito parece ser originário dos EUA mas sei que estas lojas também existem na Europa, pois a minha irmã é assídua de uma em Bristol. Não era boa ideia haver umas também por cá?

a minha loja

Às vezes penso que gostava de vir a ter uma loja. O ideal era ser muito rica e não ter de me preocupar com vender de facto as coisas que lá houvesse. Há uma loja no Porto, muito velhinha, de que gosto muito (espero que nunca feche): tem um enorme balcão de madeira e um pé direito altíssimo, mais um corredor muito comprido por onde se pode ir até uma segunda sala, cheia de pó e nos dias que correm muito escura. É uma loja de tecidos. A minha loja também teria tecidos: chitas de Alcobaça, tecidos africanos e outros. E lãs, claro: lãs de Mértola e de outros sítios, de Portugal, de Inglaterra, do Japão, etc. Também teria de ter lápis de cor e tintas e carimbos e papeis e biscoitos como os da Ribeiro

Enfim, para já fico-me pela minha loja de brincar.

nevoeiro

que estava com a minha irmã em ny, perto do rio, junto a um prédio branco no meio do nada (estava nevoeiro). em volta do prédio havia canteiros cheios de plantas e entre as plantas havia uns tufos brancos que ela queria ir ver de perto, porque não tinha percebido que eram as orelhas de cães (muitos muitos cães) que esperavam, sentados e contentes entre as plantas, prontos para nos desfazerem em pedacinhos. os cães eram lindos e macios, do tamanho e feitio de pastores alemães mas brancos e com olhos azuis. arfavam em silêncio. quando lhe expliquei, uma onda de medo passou-lhe pelo corpo. tão forte que eu também a senti. e os cães também. pedi-lhe que pensasse depressa em coisas boas enquanto eu própria ficava cheia de medo. uma onda de pensamento em coisas boas percorreu-nos a ambas e sossegou os cães. depois fomos embora, pelo nevoeiro.

Page 2 of 3123