a história da capulana

lenço de moçambique

Reza a história que a capulana (ou kanga, ou pano, ou pagne) nasceu no Quénia em meados do século XIX. As versões variam nalguns pormenores, mas todas apresentam os portugueses como comerciantes de lenços estampados provenientes da Índia, muito apreciados na região. Aliás, mesmo consultada de raspão, percebe-se da bibliografia sobre as relações comerciais no Índico que pelo menos desde o século XVII os tecidos indianos eram importante moeda de troca e fonte de receitas no comércio com a costa oriental africana. Os portugueses, voltando à história, venderiam em Mombassa lenços (lesos) que eram cortados um a um de uma peça de tecido com cerca de 60cm de largura. Estes lenços seriam estampados pelo menos em parte com pintas claras sobre um fundo escuro. Algumas mulheres terão tido a ideia de comprar duas peças de três lenços e uni-las de forma a ficarem com uma peça de tecido com cerca de 180cm por 120cm, mais bonita e por um preço inferior ao de um pano com essas dimensões. Por o contraste do padrão lembrar as penas da galinha da Índia ficaram estes panos de seis lenços a chamar-se kanga (galinha da Índia em Swahili). Os comerciantes rapidamente introduziram panos estampados com a dimensão dos seis lenços juntos e a kanga/capulana ganhou novas características (a explorar noutros posts), mas o que me agrada mais nesta história é o pormenor de os lenços que se vendem ainda hoje em Moçambique (e que são mais bonitos e de melhor qualidade que grande parte das capulanas que de lá vi trazer) continuarem a cortar-se da peça um a um e a ter as pintas da galinha da Índia. Aliás, estes lenços são também curiosamente semelhantes nas cores (branco, vermelho e amarelo sobre azul escuro) e nos desenhos aos nossos antigos lenços (não confundir com as chitas) de Alcobaça, coincidência que daria certamente também pano para mangas. Read more →

capulana

capulanas

Com o calor que esteve hoje não consegui fazer grande coisa senão passar o dia a ler sobre a história da capulana (alguns links aqui). Recuando no tempo até ao que encontrei on-line e cá por casa sobre o comércio dos têxteis na costa oriental africana desde o início da presença portuguesa na região, passando pelas origens do batik ainda mais a leste e entroncando nos antepassados comuns aos das chitas, que cada vez mais tenho a certeza que de Alcobaça têm mesmo só o nome. À medida que for organizando as ideias, espero escrever por aqui sobre o assunto. Para já, uma das minhas capulanas na praia com a Patrícia.

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triomphe

paris arc du triomphe

O tecido é um dos meus preferidos de sempre, e tem uma combinação de cores de que provavelmente só quem como eu chegou à adolescência nos anos oitenta consegue gostar. O figurino é de uma revista japonesa que a Zélia generosamente me emprestou e que também usou para ela. Como estreia numa coisa com mangas não ficou mesmo nada mal. Na próxima semana conto ter (para mim e para a Retrosaria) um livro com outros modelos bons para o Verão. Até lá, espero variar um bocadinho de tema nos posts. Ou não.

Na loja há slings de primavera.

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coser

sewing

Coser roupa continua a ser uma aventura. Estava há anos para fazer um casaco reversível para a E. e ontem, enquanto planeava encomendas de tecidos para a Retrosaria, tropecei na página que me fez deitar mãos à obra. Como os figurinos estão todos em Japonês e os desenhos são vagos para uma leiga fica mais espaço para a imaginação (e para o disparate). Usei só sobras dos slings e as medidas foram a olho. O resultado, um serão inteirinho depois, é um casaco razoavelmente à medida da E. (que desconfiou da ausência de fecho e bolsos) ou uma espécie de haori de mangas gigantes para a A., que passou a manhã com ele. Agora apetece-me fazer um para mim, ou um destes () com tecidos da Retrosaria.

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quatro anos e meio

quatro anos e meio

Há meses que contava os dias para a data em que faria quatro anos e meio (hoje). Quando se é pequenino meio ano é tanto tempo. Eu por outro lado já tenho de pensar para acertar em mais do que a década em que vou.

A almofada terminei-a ontem e foi feita com as sobras deste tecido, do qual guardei o sling que usamos mais. Reforcei-a com baetão e quiltei-a um bocadinho para ficar mais resistente.

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museu de etnologia i

tecelagem cabo verde e guiné

tecelagem cabo verde e guiné

Uma das exposições patentes no Museu de Etnologia (a Mary também viu) apresenta (a propósito do trabalho de uma artista plástica contemporânea) lindíssimos panos tradicionais de Cabo Verde e Guiné Bissau. São compostos por várias faixas estreitas tecidas em tear manual cosidas umas às outras. Parecem já ter deixado de fazer parte (ou quase) da maneira de vestir do nosso tempo, tendo provavelmente sido gradualmente substituídos a partir do século XIX (como na Europa), por tecidos decorados por estampagem (muito mais baratos e em boa parte importados). A tradição no entanto subsiste (pelo menos em parte) graças ao folclore e à procura global(izada) do que é étnico. On-line, encontra-se a Artissal (uma associação de Tecelagem tradicional que produz artigos artesanais de qualidade e promove um projecto de desenvolvimento comunitário na Guiné-Bissau) e uma página norueguesa – The Capeverdean pano – a unique handicraft – com o contacto de Henrique Sanchies, tecelão caboverdeano.

A exposição inclui ainda um conjunto de capulanas da colecção do MNE, recolhidas nos anos 90 na Guiné. A legenda chama-lhes panos legós, designação (local?) que o Google desconhece.

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rectângulo de ouro

Capulana, by Marina Thomé.

(o assunto tecidos africanos está longe de esgotado)

Aquele que é (parece-me) o porta-bebés mais popular do continente africano, e o antepassado dos slings, é simultaneamente uma das peças de roupa mais universais: um rectângulo mais ou menos dourado de tecido, vulgarmente usado como saia em muitas partes do mundo. Aprendi a chamar-lhe capulana, mas tem muitos outros nomes (kitenge, sarong, pareo, etc.).

Como porta-bebés, a capulana pode ser atada a tiracolo (um e outro exemplo de Moçambique). Com um bebé que já se senta bem, esta posição é bastante fácil de conseguir. Mais complexa, mas muito confortável assim que se apanha o jeito, é a forma de atar a capulana com o bebé nas costas (como se vê nas fotos, nesta ou nesta). Esta posição é usada para transportar bebés pequeninos e grandes, e a A. adormeceu da primeira vez que a experimentei. Por cá, a ginástica necessária à prática chocaria certamente os transeuntes (se até o sling ainda suscita tantos comentários), mas para um passeio pela praia é altamente recomendável.

Belecando (vídeos): bebé a tiracolo e bebé nas costas.

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a sonhar

african wax prints quilt

african wax prints quilt

Não me faltam tema nem vontade, só o tempo. Tenho lido muito sobre tecidos africanos e observado, cortado e cosido tecidos africanos. Na noite passada já me pude aconchegar com estes, pensados, cortados, cosidos e acolchoados na consistência certa. Neste momento fascinam-me mais do que os outros. São vistosos, complexos, difíceis de combinar. São lindos. Quero fazer com eles uma colecção de quilts para a loja e fotografá-los como merecem. Dream on

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