tansa

momentos recentes de quase consumismo acéfalo:

(de certeza que as grandes empresas já têm pessoas a trabalhar para elas como blog analyser ou coisa que o valha. se não têm não sei do que estão à espera)

– ver os anúncios do skip aloé vera (desenhos animados) e achar por momentos que de certeza que é muito melhor que a variedade de skip que uso regularmente (uma visita ao site português da marca desencoraja qualquer consumo durante os próximos anos);

– ir aos saldos preparar o próximo inverno da e. e ficar a ver a roupa de recém-nascido com a desculpa de um hipotético segundo filho.

quando

eu era pequena (aí até 1983) não havia (cá) barbies. havia tuchas. eram cabeçudas, feiosas e de plástico muito mais cor de rosa que as barbies. também havia cabides forrados a carpélio cor de laranja (ou era castanho?) com uma cabeça de bicho em cima (ou estou a sonhar) e as meninas iam tendo mini-serviços de chá (chineses?) cujo bule não dava jeito nenhum.

cor de rosa

a minha mãe lê o meu blog (e tem um há quase tanto tempo como eu). o meu namorado lê o meu blog. a minha irmã passa por aqui quando pode. alguns amigos seguem-me de perto e outros de longe a longe. quase desconhecidos dizem-me que me lêem com ar de quem espreitou pelo buraco da fechadura. e eu penso que teria goffman escrito sobre os blogs e que sendo a mesma para toda a gente sou sempre um bocadinho demasiado cor de rosa.

selos

se tivesse menos que fazer e se não tivesse um bocadinho de vergonha voltava a coleccionar selos. nas recordações de quando era pequena os selos aparecem com a mesma força que os legos e os livros do petzi. lembro-me de o meu pai (que não colecciona coisa nenhuma para além de livros) me dar o canto rasgado de um envelope com alguns selos colados e lembro-me de me ter ensinado a mergulhá-los em água para dissolver a goma e de os pôr a secar sobre um pano da louça. isto quando eu tinha 6 anos. ordenava-os por temas: animais e plantas, casas e paisagens, reis, rainhas e presidentes, artes, profissões, etc. aprendi imensas coisas com os selos. coisas importantes para uma pessoa pequena: que magyar posta significa correios da hungria, que o mocho é o símbolo da deusa atena, os nomes científicos de inúmeros animais, etc.

quando comecei a escrever cartas e tinha de comprar selos lembro-me de espreitar gulosa (como ainda espreito) para os livros de selos das tabacarias, a pensar que em vez de um selo de 27$00 podia pedir dois de 10, um de 5 e um de 2, que ficava o envelope mais bonito e eu mais satisfeita.

depois, como é do andar natural das coisas, os selos foram ficando esquecidos. até porque coleccionar selos é uma coisa assim um bocadinho nerdy e há uma idade em que as raparigas não querem que se pense que elas coleccionam selos.

mas a verdade é que continuo a detestar aquelas etiquetas cor de rosa que os substituem nos correios e que às vezes dou por mim a rasgar os cantos aos envelopes. um dia se calhar deixo de ter este bocadinho de vergonha.

resmungos

ontem à tarde o céu ficou escuro e custava respirar. como uma vez num eclipse de sol, tive pensamentos apocalípticos. fiquei egoisticamente descansada quando soube que vinham de longe. a notícia de abertura do telejornal foi a núvem de cinzas sobre a capital. não o incêndio que lhes deu origem.

*

às vezes o computador provoca-me uma espécie de asco apesar de já nem saber viver sem ele. quero escrever à lúcia e à isabel quando estou lá dentro a fazer qualquer coisa, apetece-me blogar não sei o quê e depois chego aqui e blherrque. não escrevo nada nem a ninguém. apetece-me ver as fotografias novas da minha mãe e as da mariana e depois nicles. é uma espécie de embirração que me dá de repente.

todas as cabeças têm alguns parafusos soltos.

*

os meus posts no mães são sempre um bocado pessimistas: resmungos sobre corantes, conservantes e tubos de escape.

RTFM

herdei do meu pai o gosto por um certo tipo de organização: a do amor pelas fichas em cartolina, pelas pastas para arrumar recortes de jornais e revistas e pelo desfilar dos livros nas prateleiras. como ele sonho de vez em quando com a base de dados perfeita em que estarão um dia fichados todos os nossos livros e como ele ensaiei tentativas de catalogação entretanto esquecidas que deixaram cotas e etiquetas já sem nexo em algumas lombadas. gosto de sistematizar e de coisas sistematizáveis, de linguagens de programação e de tricot. tenho potencial para ser profundamente aborrecida. não fosse uma certa tendência para o caos que também me (aliás nos) habita e me permite gostar do inesperado, e já viveria por esta altura de redigir manuais de instruções.