sanjo

eram óbvias como tantas outras coisas e vinham de são joão da madeira. ou todas brancas ou pretas e brancas. quando já tinham desaparecido, encontrei umas em saldo na rua do poço dos negros mas pareceram-me tão desconfortáveis que não as trouxe. as últimas (do meu pai) duraram vários verões e muitas passagens pela máquina da roupa.

percebo

o que sentes quando sou eu que saio. lavo os cobertores e acendo cigarros enquanto penso que devia arrastar-me até ao ecoponto. volto a achar que o senhor antónio pode ter razão (será que morreu?). vou (e vou?) pintar o capacete de vermelho e fazer uma bolsa de papageno para a mariana, mas as sereias mantêm-se impávidas, o que significa que estou atrasada. se calhar estou só a dormir a sesta à espera que voltes (já te disse que os lençóis condizem contigo?).

it’s a czechoslovakian custom my

it’s a czechoslovakian custom my mother passed on to me

give people little presents so they’ll remember me

dia comprido (tão comprido) mas preparado por uma (finalmente) boa noite de sono (hmmmmm).

nem hoje nos zangámos (eu e a mónica) e o fato (figurino? trapo? roupa?) mais bonito é mesmo o que melhor fizemos a meias. as solas das sapatilhas voltaram a ser brancas (acho que não faz mal) e a mariana (que afinal é mesmo branca) diz sempre coisas acertadas (mesmo quando são palavrões).

estreámos. foi bom. amanhã (às oito e meia) estás lá para ver.

a rainha e o zarastro

gostaram muito dos sapatos e a barba de baleia, aliás de plástico, está pronta para entrar nas baínhas. os melhores collants acabaram por vir de uma retrosaria indiana, a marioneta monostatos (obrigada carlos) daqui a umas horas já está vestida e agora vou à procura de tinta especial para solas de borracha.

logo à noite é o ensaio geral.

segunda, terça, quarta, quinta, sexta…

não há tempo para quase nada. saboreamos como podemos meio fim-de-semana e depois outra vez

segunda, terça, quarta, quinta, sexta…

e em tópicos:

a nossa casa está mais bonita porque o filipe teve uma boa ideia;

temos um armário velho novo que no verão vai ficar pintado e contente;

já posso ouvir outra vez os 33rpm dos meus onze anos;

a flauta mágica está a dar-me uma amiga nova;

a ana vai de vez em quando tirar-nos fotografias a pintar e sonhar com a casa abandonada que se vê da janela;

o rio muda de cor todos os dias);

“então, já pintaram tudo?”;

a mónica e eu batemos na próxima pessoa que fizer esta pergunta;