em obras

obras

Quando fizemos obras em casa não chegámos a remodelar a despensa. A hora dela chegou agora: o F. pintou-a do azul do nosso saco de compras preferido, que fica mesmo bem atrás das estantes clarinhas. Do outro lado da casa, no meu escritório, entraram mais dois móveis destes (o meu stash aumentou exponencialmente nos últimos meses), que até estarem completamente montados não me deixam cabeça para muito mais.

Entretanto recebi da Katja um email semelhante a vários outros anteriores, a perguntar se existem (e onde) cursos de costura (não profissionais, entenda-se) cá em Portugal. Confesso que não sei. Já tive vários convites para dar aulas deste género (para as quais não tenho grande competência, sobretudo porque sou totalmente auto-didata e ainda parto agulhas da máquina de costura com alguma regularidade) e estou convencida de que se alguém com jeito aproveitar a deixa terá sucesso. Quando comprei a minha Singer disseram-me que podia ter umas aulas de costura gratuitas num centro (/escola?) pertencente à empresa (não me lembro onde era). Na altura tive vergonha, mas agora tenho alguma pena de não ter aproveitado…

Copyright for Crafters and Artists: água mole em pedra dura… (não é, Miriam?).

Na fotografia, sacos mais do que suficientes para fzer mais um destes.

do fumo

vazio

Gerada por dois irredutíveis adictos, creio que nasci nicotinómana. No entanto (ou talvez por isso mesmo) só maior e emancipada experimentei o fumo em primeira mão. Foi amor à segunda vista. Durante meses fumei um solitário cigarro ao fim da tarde, abandonando-me ao dito como a generalidade das pessoas fez pelos doze anos. O hábito durou então pouco tempo mas retomei-o num Verão em que duas amigas anglófonas se deliciavam com o comparativamente baratíssimo Português Suave com filtro. A partir dessa altura estabeleci com os (/esses) cigarros a relação afectiva que distingue os consumidores ocasionais dos fumadores. Fui fumadora quase cinco anos, desenhando e escrevendo de maço ao lado, apesar de nunca ter passado a suportar cinzeiros com beatas ou fumado a) de janelas fechadas b) perto de grávidas ou crianças. Em dois mil e dois, de teste de gravidez na mão soube que tinha deixado de fumar. Pensei que não tinha chegado a saborear o último cigarro e estranhei o vazio do que não fumei a seguir, mas a novidade que me preenchia mandava mais do que a síndrome de abstinência. Nove meses de gravidez e quinze de amamentação sem fumo, consciente de que, como qualquer toxicómano, mesmo não praticando continuava a ser fumadora (coisa que muito exagerada deve achar quem nunca experimentou uma dependência química). No último ano e meio relapsei intermitentemente, detestando sempre o cheiro que fica na roupa e no cabelo mas gozando cada passa. O problema é o mesmo: …what they forget is the pleasure of it. Otherwise we wouldn’t do it. After all, we’re not fucking stupid (*). Tudo isto para escrever simplesmente que voltei a deixar, há poucos dias, desta vez sem a mesma boa desculpa mas com a que qualquer pessoa tem, a de que fumar é bom mas não fumar ainda é melhor. E, como em tudo, um dia de cada vez.

EOS 350D #0830552146

23 de janeiro

Mesmo sem contar com o deprimente resultado das eleições. A minha máquina, que ainda por cima não era minha (uma Canon EOS 350D com o número de série 0830552146), cujo cartão de memória levava uma dúzia de fotografias dos retalhinhos de tecidos que passei o fim-de-semana a coser, is no more. Entre a porta de casa (com a mochila às costas, a máquina ao ombro, a E. ao colo e um livro ao colo da E.), a escola, a padaria do cimo da rua e novamente a porta de casa desapareceu sem deixar rasto. Liguei para a escola, fui à escola, fui à padaria, o F. percorreu as redondezas e alertou o Vizinho-coxo-pardo-buñuelesco-que-conhece-os-tráficos-do-bairro-e-nos-diz-sempre-bom-dia mas nada. Até hoje nem uma chave, nem uma carteira, nem um telemóvel. Da única vez que perdi alguma coisa importante – o passaporte guardado numa bolsa de toilette caída da mochila algures em East Village – recuperei-a dias depois, passaporte, pente, pensos e tudo, na central de perdidos e achados. Desta vez não tenho esperança. A partir daqui, o dia só pode melhorar.

compromissos

luz de colares

luz de colares

Os compromissos são a cola do tempo. Seguram-me. Mostram que a seguir a agora vem Fevereiro, depois a Primavera e o Verão. Ainda agora começou 2006 e tenho na agenda uma exposição (!), três colaborações em projectos editoriais estrangeiros, um cada vez mais provável curso numa ilha onde nunca estive, 443 emails por responder e mais ou menos outras tantas pequenas ideias para pôr em prática. Às vezes o futuro próximo parece uma lista de afazeres. E às vezes é bom fazê-lo assim palpável.