como fazer pompons

com pompom
fazer pompons - fim

Os pompons não são só para quadrúpedes. Terminada a encomenda (mostro amanhã), ainda sobrou vontade de fazer mais alguns, com elásticos para pôr no cabelo. Aqui ficam as instruções para um dos muitos desenhos possíveis. Os três segredos de um bom pompom são: boa lã, muita lã e uma boa aparadela no final.

Materiais:
Zagal de muitas cores
Fio de norte fino
Fazedor de pompons
Tesoura pequena
Agulha grossa

fazer pompons - 1
1. Começa-se por enrolar a lã cor de laranja apenas ao centro de um dos lados da máquina. Read more →

passarinho do quintal

passarinho
passarinho

É assim quando se tem um quintal. Calha-nos de vez em quando o episódio do passarinho que caiu do ninho, que ainda não sabe comer sozinho e não voa lá muito bem. É toda uma experiência filosófica para as crianças da casa, que não pensam em mais nada o resto do dia. – Tem fome? tem saudades da mãe? devíamos tê-lo deixado na boca do gato que o trouxe? e se ficássemos com ele para sempre? devemos salvar o passarinho que não soube não ser apanhado? vamos fazer-lhe um ninho. está certo prendê-lo na gaiola? está certo roubar ao gato o brinquedo novo? vamos dar-lhe um nome. vai morrer? …

amor de pastor

pompom
pompom

Quem por aqui vai passando já se deve ter cruzado com algum de muitos posts sobre o hábito que sobrevive em algumas aldeias da Serra da Estrela de enfeitar os rebanhos com pompons (lá são bolras, ou pêras, ou medronhos) em ocasiões especiais (normalmente romarias associadas aos ritmos da transumância). Ora no ano passado eu e as meninas decidimos que para subir a serra a preceito com os pastores e o gado também tínhamos de fazer alguns pompons e de oferecer um como lembrança ao maioral. Sem querer fomos promovidas a fazedoras de pompons de grande categoria e este ano vejo-me a braços com uma encomenda: quarenta pompons para enfeitar um rebanho que há-de ir a preceito nas romarias que aí vêm (é agora, entre Maio e Junho, que acontecem estas festas quase desconhecidas de todos os que não são pastores). Lembrei-me que podia pedir ajuda: não somos só nós que gostamos de fazer pompons e há de certeza mais quem tenha restos de lã colorida em casa e vontade de contribuir para que esta tradição continue viva. As regras são poucas e simples: os pompons têm de ser grandes (os nossos têm 85mm de diâmetro) e densos, coloridos e, sobretudo, muito resistentes. O meu conselho é atá-los não com lã mas com fio de norte, deixando umas pontas de fio bem compridas para que possam depois ser colocados nos bodes. Podem ser feitos à mão como os fazem os pastores, com cartão ou com máquina, o que interessa é que cheguem à Retrosaria antes do fim de Maio. Alguém alinha?

PS: convém fazer os pompons aos pares, para se usarem um de cada lado como se vê na foto de baixo.

pêras e cabeçadas

ela

E
E

Estava absorvida na leitura, mas ouvi vagamente falar de construir um tamagotchi verdadeiro. Uns minutos depois, posso usar esta caixa? Vou buscar a fita-cola. É assim desde sempre e a culpa não é minha. Acho que só talvez a militância anti A4 e os materiais em sistema de bar aberto tenham alguma coisa a ver. Ou não. Desenha com a tesoura e com a máquina de costura, organiza bailes, constrói, vai pelo papel fora, a galope, sem horário e sem mestre.

E
E

d’ornellas

d'ornellas
d'ornellas

Uma marca, umas botas. Um modelo concebido e apurado em cada um dos seus pormenores (o fecho impecável na traseira, a pala presa pelo atacador, a cor e textura da pele) para servir como uma luva. E para durar, porque o que se quer numas botas assim é que durem muito tempo. São obra do criador de cavalos Lusitanos Gonçalo d’Ornellas e não sendo já um segredo é como se fossem porque ainda não estão nas lojas. Encomendam-se directamente por email ou via facebook (digam que vão da minha parte) e depois já não se tiram dos pés.

d'ornellas
d'ornellas

mantas alentejanas
ost

Três velhas mantas alentejanas encontradas de surpresa numa perfeita manhã de sábado, resgatadas entre sorrisos cúmplices, re-destinadas a aquecer-nos à noite, que por muito que digam que picam, que pesam, ninguém me convence que haja coisa mais bonita e mais quente para ter na cama.

Duas mulheres, duas vozes que tenho trazido comigo. Dantes comprávamos discos para os ouvir. Agora é tão fácil ouvi-los que demasiadas vezes não os compramos. Estes trouxe-os comigo como quem contribui para uma campanha de crowdfunding, para dizer à Gisela João e à Capicua obrigada, gosto tanto do que fazem.

les plus beaux jacquards du monde

100 idées
100 idées

Des cristaux de neige deviennent les fleurs d’un kaléidoscope fantasque. Des animaux hiératiques marchent à l’étoile. Un oiseau-dieu échappe au piège des mailles et prend son vol de feu sur la cordillère des andes. La géométrie se colore, délire et s’en va dériver loin des mornes sentiers euclidiens. Tout cela par la magie de la laine, des aiguilles, de l’imagination réunies. Tout cela grâce au jacquard, qui existait bien avant qu’un tisserand ne lui donne son nom, vers 1800, par le biais curieux d’une machine à tisser.

Em Outubro de 1975, começava assim um artigo do número 24 da revista 100 idées sobre as malhas a cores de todo o mundo (por coincidência são o dia, mês e ano em que nasci).
Trinta e oito anos depois as camisolas em jacquard, sem nunca terem desaparecido, voltaram em força às montras e as imagens deste artigo parecem tiradas de um dos mais recentes livros japoneses de tricot. Os países do norte da Europa usam-nas (sempre as usaram?) com mais orgulho, reinventam-nas, fazem delas património, identificam-se com e por elas.
Um exemplo da Islândia, de onde vêm as camisolas Lopi da segunda fotografia:

The Icelandic financial crisis and recovery could be seen as the most expensive group therapy of all time. The Icelanders had five years to come together and ask themselves: Who are we, and what is our place in the world? (…) Since 2008, she says, “suddenly everyone started to knit Icelandic sweaters like crazy.” Indeed, young Icelanders do seem to walk around less frequently in cheap labels like Zara and H&M than they do in patterned hand-knit sweaters. “They are warm, they are beautiful, they are very Icelandic. There is something comforting about them,” Ragga says. She also sees them as the antithesis of suits, the globalized uniform of bankers.

de Out of the Abyss: Looking for Lessons in Iceland’s Recovery.

Na Dinamarca, a série de televisão The Killing criou um verdadeiro fenómeno em torno da camisola usada pela protagonista, uma camisola feita à mão em lã e com motivos tradicionais das ilhas Faroe (sim, lã daquela que pica mas isso não fez diferença nenhuma), que se tornou quase mais popular do que a própria série.

The knitwear also has personal memories for the actor, who was brought up in the 70s in a very hippy-like environment in Copenhagen. “I wore this sweater and so did my parents. That sweater was a sign of believing in togetherness. There’s a nice tension between those soft, human values and Lund being a very tough closed person – because to me it says that she’s wanting to sit around a fire with a guitar; it gives a great opposite to her line of work and behaviour.”

The Killing: Sarah Lund’s jumper explained

O sucesso foi tal maneira que a designer que a concebeu gere agora uma marca de sucesso, a Gudrun & Gudrun e que a camisola é mencionada no site oficial do turismo da Dinamarca. É o poder do jacquard, a fascinar desde há mais de quinhentos anos.

keito dama
lopi sweater

Imagens:
1. Camisolas de inspiração dinamarquesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975.
2. Camisolas de inspiração islandesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975. Sobre a história das camisolas Lopi, ver Nation in a sheep‘s coat: The Icelandic sweater.
3. Anúncio de uma marca norueguesa de lã (1956) no número 160 da revista japonesa Keito Dama (Inverno 2013/2014).
4. Camisola de inspiração islandesa no livro japonês Traditional Knits of the World 1: Iceland Lopi (2013).

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#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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