o chocalho

o chocalho

Foi em boa parte graças a este homem que no Verão tive, com a Diane, uma das experiências mais marcantes da minha vida. Se fosse antropóloga teria de lhe chamar informante, assim digo com orgulho que é um amigo. Quis oferecer-lhe uma prenda que lembrasse este Verão. Foi feita de encomenda pelos Chocalhos Pardalinho, que um chocalho para oferecer a um pastor da Serra da Estrela não é igual ao que se daria a um pastor de outro lado: são diferentes os tamanhos consoante os animais e alturas do ano, são diferentes os feitios, é diferente a coleira com os seus atilhos de couro em vez de fivela. Todos nos emocionámos no momento da oferta.
É uma prenda importante, disse o António, com os olhos mansos que traz sempre a espelhar o céu.

pastora

a capuchinha

a capuchinha

Já é tarde, temos de ir para Lisboa. Está quase a anoitecer.
Ah! Viste aquela senhora? Estava a fazer meia? Páras o carro? Vou a correr, não demoro.

D. Cassilda, de capucha encaixada no ombro como a Daniela também já viu usar lá em cima, ia a fazer renda enquanto o pequeno rebanho pastava. Também faz meias, que a lã das suas ovelhas é boa, mas não calhou neste dia. Talvez da próxima…

as mantas da d. guiomina

manta

manta

Em Castro Daire há cada vez menos ovelhas. Quase não se vêem rebanhos e a lã dos que há consta que em boa parte é queimada. Muita é sedeúda, a maneira local de dizer que tem as fibras muito compridas e pouco macias, mas também há algumas ovelhas marinhotas (de meirinha, o nome dado em Portugal desde o século XV à lã de melhor qualidade proveniente das ovelhas merino), de lã mais frisada e macia. Algumas delas pertencem à D. Guiomina. Como não queria desperdiçar a lã lembrou-se de a fiar mais grossa e pouco torcida, de a ugar (juntar dois fios num novelo) e de fazer com este fio fofo grandes mantas de malha. Leva a malha para o monte, com as ovelhas, e as mantas vão crescendo… Read more →

fiar sem roca

d. deolinda

d. deolinda

d. deolinda

No Mezio, na Serra de Montemuro, fia-se a lã sem roca. Usa-se um pequeno cesto no braço esquerdo para guardar a lã e um fuso de urgueira (fuso de tipo 2 segundo as normas oficiais para estas coisas). A grande diferença deste processo está nos gestos com que se prepara a lã antes do momento da torção: sem nunca largr o fuso da mão direita, usam-se ambas as mãos para criar uma longa mecha, que é depois rapidamente torcida e enrolada no fuso. Os gestos hábeis da D. Deolinda mereciam um vídeo melhor, mas fica o registo (vale a pena ouvir com atenção a conversa): Read more →

traje

peixeira

peixe

Já não é o das varinas do Benoliel, mas deve ser um dos poucos trajes que sobrevivem na cidade. O avental é a peça chave, quase sempre rodeado de rendinhas e às vezes em cetim preto a parecer uma lingerie de usar por fora. Nas costas, um casaco de malha faz as vezes do xaile. Uma peixeira contente junto à Rotunda da Boavista, ontem de manhã.

Page 30 of 305« First...1020...2829303132...405060...Last »

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

Read more →