chove de novo

continuo a nao usar guarda-chuva. tarde de ontem no metropolitan: desenhar no museu, especialmente a um sabado, nao e facil. sobretudo porque qualquer coisa a ser desenhada por qualquer pessoa atrai logo dez vezes mais turistas. exposicao temporaria de pintura com um vuillard que tambem entra para o meu top ten (“le foyer”) e uma menina do balthus (em pe, de lado, a segurar o cabelo) pendurada ao lado dos menos conhecidos.

hoje os dominicanos estao em festa. andam a desfilar sexta avenida abaixo, cheios de bandeiras e colares, e vestidos de azul, vermelho e branco.

(aqui no easyEverything estao sempre a passar musicas antigas da sade)

sigo brodway abaixo, em direccao ao new museum, que e la para baixo mesmo no principio do soHo.

hispanic

hoje pode-se andar na rua sem perigo de desmaio iminente. nao esta frio nem calor, apenas humido. vou subir de novo (aos fins de semana dou sempre por mim no upper east side), desta vez ate ao MET a ver se faco uns desenhitos. passo tanto tempo a olhar para as coisas e para as pessoas (e olhar para as pessoas e o mesmo que ter um carimbo na testa a dizer ‘sou hispanica’) que nao tenho desenhado muito.

frick collection

na frick collection estava uma exposicao temporaria daquilo que por ca se chamam “master drawings”, quase tao boa como a da morgan library. entre outros igualmente memoraveis (os nomes dos naoseiquantellos e naoseiquantottis dos seculos XVI-XVII nao consigo nunca fixa-los), dois desenhos enormes do van gogh, um tambem gigante crisantemo do mondrian e um desenho de um senhor ilustrador, cujo trabalho me foi recentemente apresentado, chamado aubrey beardsley.

outra exposicao temporaria no mesmo museu, com o picasso mais bonito que vi ate hoje (menino azul com cachimbo) e outras preciosidades.

e ainda a coleccao propriamente dita (os rembrandts e os vermeers tem mesmo de ser vistos ao vivo!).

céu

ontem o ceu ficou tao escuro que parecia noite. escuro, quente, humido e pegajoso. sentei-me nas escadinhas de uma das igrejas da quinta avenida, a espera da chuva (e incrivel ver cair as primeiras pingas de chuva em dias como este). em nova iorque tambem ha malucos. acendi um precioso lucky strike e eis que alguem se aproxima (negro, vinte e tais, de aspecto bastante neutro mas despenteado). senta-se ao meu lado (e eu a ver que me ia cravar um cigarro), acende o que pareceu ser uma beata, vira-se para mim, espetanto um dedo da mao direita no braco esquerdo e pergunta com a voz demasiado arrastada “have you ever tried intra-…?”.

vai dai, fui ver a chuva debaixo dos toldos do louis vuitton.

(i’m cutting gae savannah’s class again)

de novo num wintel e a pagar. hoje esta tao quente como ontem, mas muito muito mais humido. consta que vai chover, mas aqui com o tempo e como com as abelhas do joanica puff. tive de dormir com o ar condicionado no maximo. devo recuperar finalmente o meu passaporte. e como confirmar o regresso a portugal. tomara que o consulado esteja fechado. a seguir subo ate a 70, pela beira do central park, para visitar finalmente a frick collection, qual boa turista que ainda sou.

my fortune cookie said “now is the time to try something new”.

cantiguinha chinesa estampada no embrulho de uns pauzinhos

two little sticks

they’re made out of wood

and they help you

to pick up your lunch

your lunch

and if you practice

then you’d get good

and you’ll find you can pick up

a bunch to munch

eat noodles with chopsticks

eat dumplings with chopsticks

eat suchi with chopsticks

that’s fish!

don’t eat soup with your chopsticks

that’s no good with chopsticks

and jello with slide off

your dish

i eat with chopsticks

can you eat with chopsticks

doctor told us

be intell eat by using chopsticks

lots of people use chopsticks

so try eat your chopsticks

right now!

todos os novaiorquinos sabem comer com pauzinhos

esta esta a ser a semana mais quente do ano

PS1

e hoje consta que e o dia mais quente dos ultimos anos. escrevo sem acentos porque estou num computador dos outros. e por causa de um computador dos outros, onde alguem resolveu abrir um

attachment *.exe, toda a rede da minha escolinha foi infectada por aquele virus que por ai anda, de modo que nao ha internet para ninguem. agora que comeco a orientar-me, agora que o meu ingles esta de facto menos perro, a partida comeca a parecer demasiado proxima. e se eu perdesse o aviao?

ok

hoje tenho mais tempo para escrever e alguma vontade de exercitar verbalmente o luso idioma.

ontem: muggy sticky weather insuportavelmente quente.

‘philadelphia story’ at dusk no bryant park (inevitável imigrês). cheguei a tempo de reservar um último retalho de relva, estendi o meu lençol anil e esperei pelo pôr do sol e pela minha companhia, acompanhada pelo malcom lowry e o stevie wonder (que não partilham mais do que a nacionalidade). o pessoal salta e dança quando um spot publicitário anuncia no écran o início do filme. uma enorme salva de palmas responde à voz (off) que nos informa de que a katherine hepburn saiu do hospital. do filme não falo, porque não é preciso.

“oh, mike, put me in your pocket!”

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#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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