segunda-feira, e de novo na escola

muito ensonada para escrever grande coisa. ontem à noite dei conta da incrível quantidade de tralha que acumulei nestes quase dois meses. o fim-de-semana indiano terminou com a indian parade, madison avenue abaixo, menos animada (e mais pobre) que a dominican parade no domingo passado, tão despropositada como qualquer outra, mas divertida que chegue e muito mais perfumada.

a ‘loja’ em que estive no sábado é uma das coisas mais extraordinárias que vi por estas bandas: aparentemente, um velhote indiano resolveu comprar uma velha tabacaria americana e, em vez de a esvaziar primeiro, empilhou todo o tipo de indian junk que vos passe pela cabeça por cima e em frente do que lá estava antes. o resultado é tal que não há espaço para circular. apenas uma estreita passagem em que é preciso andar de lado e muito devagarinho para não desmoronar a coisa toda. e o mais incrível é que por debaixo do incenso, dos autocolantes, estatuetas, bugigangas, lenços, bandeiras e etc. estão as revistas, cartões de baseball, livros, cigarros, porta-chaves, cadernos e tudo o mais que o antigo dono por lá tinha!

fiquei a saber umas coisas sobre o panteão hindu e comprei um belo retrato da deusa kali, que segundo o dito cujo senhor dono da loja, dá muito boa energia e é adorada pelos americanos, que quando a vêem não hesitam em comprá-la. fui aconselhada a levar o poster a um templo se por acaso me quiser ver livre dele, uma vez que deitar a kali ao lixo não é coisa recomendável. cá está ela, numa versão muito menos bonita do que a minha:

queer alabama

martinparresque breakfast

na sexta-feira voltei a baldar-me a (sorry, hoje nao tenho acentos) a aula da queer alabama (alias gae savannah) e fui para o met ver uma serie de coisas que nunca tinha tido sequer tempo de espreitar.

ontem, depois de mais um passeio pela east village (que cada vez mais me parece ser a minha neighbourhood favorita), fiquei a conhecer o melhor de jersey city: o bruno, que como eu e um bridgeandtunneler, sabe onde tomar o pequeno-almoco mais martinparr-esque, onde comprar bandas-sonoras dos fimes de bollywood e descobriu uma incrivel loja indiana cuja descricao so poderei fazer amanha (aos domingos nao tenho net a borla…)

ele há coincidências incríveis

ontem escrevi sobre o leroy da frick collection e hoje apanhei na rua (estou sempre cheia de pena de não poder levar comigo metade da tralha que os novaiorquinos deitam fora todos os dias) o disco (vinyl, 33rpm) do ‘fame’ e ainda dois outros que só pelas capas valem o trabalho de os carregar o resto do dia.

five things i didn’t take a picture of:

frida stamps

a. white man shaving while walking along 23rd street

b. black babygirl in a stroller carrying purple shaggy babysize sofa

c. green fat living frogs waiting to be bought and eaten in chinatown

d. chico’s wall paintings in east village

e. fish shaped snacks spilled on wet grey sidewalk in jersey city

wednesday

jorge colombo by rosa

‘computer writing lab’ day (and it is also the village voice day and tony day). christine (the teacher) is asking us to ‘make a list of 5 things’, so here it goes:

five things i want to do before i leave ny

a. loose my passport again so that i cannot leave ny

b. have another ‘pierogies’ dinner with bruno

c. work on this collage i have been planning to make for the last couple of weeks

d. buy my sister a special gift

e. thank jorge.

cbgb

…apesar de já ter sido há umas boas semanas, aqui fica o endereço do sítio onde passei uma das noites mais divertidas da temporada. diz-me o meu guia espiritual (e social) que foi no cbgb que ramones, cabeças falantes e outros começaram as suas carreiras, e eu acredito. no dia em que lá estive houve giant pretzels a voar e outras inesperadas surpresas. o pretexto da festa era o lançamento não dos pretzels mas de um livro de comics.

leroy

isto é o que acontece às meninas que passeiam sozinhas nos museus e dão o endereço de email a desconhecidos (neste caso um guarda com nome e aspecto de personagem do “fame”) para evitar dar o número de telefone:

“hi this is leroy from the Frick Collection. what s up. i was just thinking about you so i thought i would say hello. can you give me a call later and we could talk. i get off work at eight thirty. have a good day i’ll talk to you later. bye”

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

Read more →