lã de bebé

mini

A Ágata mandou-me o link para este artigo sobre uma campanha da Woolmark que decorre por estes dias em Paris. Vista de relance, é uma campanha em defesa da lã – the exhibition will showcase wool in all its extraordinary forms and stages – mas, olhando com atenção, descobre-se (mais) uma iniciativa para promover apenas um tipo de lã de apenas uma raça de ovelhas – o Merino australiano. Sozinha, a Austrália produz cerca de 27% da lã mundial (dados oficiais) e, a acreditar no artigo, 90% (!) da lã destinada à indústria de vestuário. É lá que vivem 111 milhões de ovelhas intensamente modificadas (comparem-se com as tetravós espanholas) para que a sua lã seja o mais abundante e o mais macia possível. Mas e as outras raças? Peter Ackroyd, global strategy advisor da Woolmark entrevistado no artigo, é peremptório: a lã que a sua empresa promove é macia. O resto só serve para fazer tapetes:

WWD: But you know what people say: wool is itchy?
P.A.: That’s one of the biggest misconceptions about wool. It’s local and cross-bred wools that are scratchy and they are so on purpose, because they were meant for carpets. People don’t remember that in days of Roubaix and Tourcoing all wools that were spun there came from Australia [where 90 percent of the world’s apparel wool comes from], and Australian merino is very soft.

Esta triste afirmação ressoa na frase que mais frequentemente se ouve nas lojas de lãs: Têm lã para bebé?

Pela Retrosaria passam, tenho orgulho em dizê-lo, muitas pessoas das que lêem criticamente os rótulos, sejam os da comida ou os da roupa que vestem, e que apreciam os novelos com mais do que um dos cinco sentidos. Mas ouço esta frase diariamente. E o mais comum, porque me falta na parede uma boa reprodução do Menino do cobertor [de papa], é ter de desarmar o interessado (cf. the shame of selling) com um potencialmente desastroso O que é que quer dizer com lã para bebé?

lauro corado
Lauro Corado (1908-1977), Menino do cobertor. Col. Museu de Grão Vasco. Imagem MatrizPix.

A resposta, acompanhada de um olhar de espanto por eu parecer não entender à primeira, é quase, quase sempre a mesma: Daquela mais macia. Para BEBÉ. E o contra-ataque por vezes é fatal: Prefere um fio muito macio mas pouco natural ou menos macio mas local, sem fibras sintéticas nem aditivos? Ou um fio que, seja qual for a sua composição ou processo de fabrico, tem a cara de um bebé sorridente estampada no rótulo ou a palavra baby no nome e que, só por isso, passa por ser o melhor?

beiroa

Não se desfazem preconceitos nem se desconstroem décadas de marketing de repente, mas há duas ideias que tenho cada vez mais presentes no que faço diariamente seja na Retrosaria ou em casa:
Por um lado a riqueza que reside no conhecimento e na procura das coisas na sua variedade – sejam 14 raças de ovelhas (só em Portugal), cada uma com a sua lã, sejam os sabores diferentes do mel consoante as flores que rodeiam a colmeia. Sim, Sr. Ackroyd, da lã das nossas ovelhas churras fazem-se por cá (além de tudo o resto) óptimos tapetes industriais (para exportação). Mas as nossas outras raças de ovelhas dão lã boa de vestir, que nem toda a lã é para usar directamente em cima da pele (vivam as camisas de algodão e de linho por baixo das camisolas e casacos de lã) e muito melhor poderá ser ainda quando os produtores começarem a pensar mais nela outra vez (vejam-se entre tantos outros os exemplos escocês e islandês, cujas raças de ovelhas que dão lã que pica são promovidas como riqueza nacional).

churra do minho
Ovelhas (com cara de serem) Churras do Minho na Serra do Marão, há algumas semanas.

Por outro lado, o empobrecimento da vida em geral e da das crianças pequenas em particular com a obsessão em remover obstáculos de todo o género – a lã para bebé, as uvas sem grainhas, o pão sem côdea, os parques infantis com barreiras à volta dos baloiços (leia-se, a propósito, esta entrevista ao professor Carlos Neto)…

As calças da primeira fotografia foram feitas com Beiroa. As instruções são gratuitas e muito simples de seguir. A Beiroa não é uma lã para bebé. Ou será? Quando chegar a altura conto se o destinatário se queixa.

17 semanas

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Quando fui mãe aos 27 e aos 31 anos não me passava pela cabeça ser mãe aos 40. Aliás a ideia de ser mãe aos 40 parecia-me muito estranha, quase despropositada (os 40 pareciam-me uma idade longínqua e provecta). A verdade é que aos 27 fui a primeira das minhas amigas mais próximas a ser mãe e aos 40 conheço uma série de mulheres que acabam de se estrear na maternidade ou de ter mais um bebé, ou que ainda estão à espera do momento certo (coisa que tenho a certeza de que não existe).
Bastante desligada do universo das gravidezes e bebés há quase nove anos, parece-me que entrei num admirável mundo novo em que os toddlers comem no restaurante de tablet na mão e é considerado normal empurrar rua acima no carrinho uma criança de 4 ou 5 anos. Entretanto, as lojas de roupa para grávida parecem ter desaparecido da face da terra (mercê da descida das cinturas na moda de há uns anos ou da crise, vá-se lá saber) e eu sem uma faixa para substituir a que tinha e emprestei a fundo perdido (o melhor será fazer uma), os anti-vaxxers deixaram de ser uma minoria de extremistas para representarem um perigo real para a saúde dos filhos dos outros, a roupa de bebé que vejo por aí não me tenta minimamente (vêm aí vários pares de mini-calças de tricot de certeza) e a escola parece-me um sítio cada vez menos interessante para estar, ainda que esse seja todo um outro assunto.
De resto, para quem se interrogue sobre a questão, estar grávida aos 30 e aos 39 é muito parecido, ou quase igual, ainda que desta vez às 17 semanas já tenha uma barriga quase óbvia: apetece na mesma dormir muito, comer bem, fugir de tudo o que cheire esquisito e fazer o ninho.

tear

tear
Centuries ago someone built a loom. Generation after generation, weavers have used it, each one repairing and replacing any part that was broken. After many many years all the original parts were gone but the loom was the same. Or was it? How old is this loom? ~instagram

mondegueira

mondegueira

mondegueira

Fiei na roda uma maçaroca da lã de ovelha churra mondegueira que lavei esta semana. Do que tenho observado, os velos desta raça são compostos por três tipos de fibras diferentes: uma camada exterior de fibras extremamente longas, grossas e lisas (que quando fiadas sozinhas produzem um fio que lembra a corda de sisal), uma camada interior de fibras muito mais curtas, finas e ligeiramente frisadas e ainda, por vezes, um tipo de fibras que estão soltas no meio das outras, grossas, curtas, ponteagudas e levemente frisadas, que já tenho ouvido chamar fios de prata e que só atrapalham (também as tenho visto nos velos de bordaleira da Serra da Estrela).
O fio que resulta desta lã não serve para fazer camisolas, mas daria uns belos tapetes. Pergunto-me que destino lhe é actualmente dado, visto que – apesar de comprada a baixíssimo preço – é canalizada para o circuito industrial. Desta maçaroca acho que vou fazer uma luva esfoliante. Tenho a certeza de que resulta e é totalmente livre dos abomináveis micro-plásticos que povoam a maioria dos produtos para o mesmo efeito.

como lavar um velo de lã

mondegueira

É uma pergunta que me fazem muitas vezes, por isso aqui ficam as instruções para quem tenha em mãos um ou mais velos e queira dar-lhes uso. O das fotografias é de Churra Mondegueira, uma raça autóctone de que já falei aqui. É uma lã extremamente longa, grossa e nada frisada, com a qual vou ter uma aventura no próximo sábado.

Consoante o uso que queremos dar à lã a escolha e lavagem podem ser feitas de forma muito mais complexa e demorada, mas este método não é nada mau para começar.

1. Estender o velo numa superfície limpa e retirar a lã mais suja, que corresponde aos limites exteriores daquele. Esta lã é a mais curta e grosseira, não merecendo na maioria das vezes o trabalho de a limparmos manualmente (pode ir para o compostor ou para a terra, porque o estrume das ovelhas é um adubo de óptima qualidade). Se o velo não estiver inteiro tiram-se todas as porções de lã que pareça demasiado suja.

2. Retirar toda a matéria vegetal e outras impurezas visíveis que a nossa paciência permitir. Quanto mais tempo dedicarmos a esta tarefa mais simples será o processamento da lã depois da lavagem.

mondegueira

3. Encher um alguidar grande com água muito quente e pôr cuidadosamente a lã lá dentro. Toda a lã deve ficar submersa mas não podemos agitá-la no processo ou ficará feltrada (quanto mais fina e frisada for a lã mais cuidado é preciso ter para que não feltre). Muitas pessoas põem sabão ou detergente nesta água, mas eu não costumo usar. A temperatura elevada é suficiente para que a suarda comece de imediato a dissolver-se – a água fica rapidamente com um tom castanho dourado característico e carregada de lanolina (lavar lã deixa as mãos muito macias).

4. Passados alguns minutos, escorrer a água da lavagem (de preferência para a terra para aproveitar os nutrientes) e repetir o processo se a lã ainda estiver muito suja, sempre com cuidado para não a agitar.

5. Deixar a lã a escorrer até que boa parte da água tenha saído e que a temperatura baixe consideravelmente.

mondegueira

6. Quando a lã estiver à temperatura ambiente está pronta para ser enxaguada com água fria. Geralmente faço esta parte do processo na máquina de lavar: Ponho a lã em sacos daqueles de rede que se usam para a roupa delicada e meto na máquina, no programa de lavagem de lãs, com um bocadinho de detergente adequado. Só recomendo este processo se o programa de lavagem de lãs for mesmo muito suave, pois de outra forma a lã ficará feltrada.

7. Estender a lã horizontalmente num local arejado (mas sem vento!) e deixá-la secar.

mondegueira

Quem quiser ver fotografias mesmo bonitas deste processo feito à maneira do baixo Alentejo só tem de ir até ao blog da Diane. Em 2011 também estive lá, a aprender.

the shame of selling*

cuecas

Às vezes não é nada fácil ter uma loja, viver de ter uma loja. Digo isto no sentido moral, porque há dias (quase todos) em que não apetece escrever loas a produtos, aliás, em que não apetece mesmo nada pensar nas coisas como produtos e nas coisas todas que trabalhar com produtos pressupõe.

A lot of the reason why our efforts to sell things go wrong is an underlying feeling that ‘selling’ is a bad thing to do. We’ve internalised an image of selling drawn from capitalism’s worst moments, which gives rise to a suspicion that selling somehow injures those to whom we sell.*

Num piscar de olhos passámos a estar rodeados de produtos genuínos, tradicionais, portugueses, cheios de heritage e authenticity. Aqui em Lisboa já não há um quarteirão livre de lojas que não sejam (no nome) antigas ou do bairro, uma rua sem andorinhas sobre cortiça com padrões de azulejo, um espaço em que não ecoe um discurso (às vezes nem há discurso) que de tão batido se tornou oco. Como se todos esses adjectivos de tão abusados tivessem deixado de significar fosse o que fosse ou, ainda pior, se tivessem tornado fáceis, óbvios, trendy, os melhores para vender qualquer coisa. E no meio de tudo isto há, claro, muitas coisas novas e bonitas nascidas desta espécie de redescoberta de uma portugalidade idealizada (um fenómeno que adorava ver estudado por alguém numa perspectiva comparativa com o que se passou nos anos 30). Mas a mim, confesso, esgota-me os adjectivos – e quando trago cestos, colheres ou botas para a loja (os meus cestos, colheres e botas preferidos) não sei o que dizer deles. Talvez mesmo só que são cestos, colheres e botas. Os meus preferidos. Quem lhes tocar vai perceber porquê sem eu ter de explicar (ou então não).

Honourable salesmanship requires a sense of the possibility of honourable capitalism. This doesn’t mean a world in which we’re only trying to sell organic beans and rope sandals. Many companies are already doing good – they’re selling reliable dishwashers and nicely designed garden furniture, good quality skin moisturiser or excellent paper clips. But even these companies often have an unhelpful sense of what they need to tell the world in order to sell their products – and in the process, they lose sight of the good they actually do. Good salesmanship starts with a feeling that there can be such a thing as selling someone something they really require to flourish. It means overcoming the shame of being in sales.*

Na fotografia estão umas cuecas de 100% algodão, daquelas que na Rua dos Fanqueiros ainda se compram por dois euros. Curiosamente correspondem àquilo que o New York Times diz ser a nova tendência em termos de roupa interior de mulher (só precisam de um elástico um bocadinho mais macio e podem fazer concorrência a estas, fica a ideia para alguma empreendedora que aqui passe). Têm montes de authenticity e heritage, mas desconfio que as lojas que as vendem vão dar lugar a mais um ou dez hotéis entretanto.

*Alain de Botton, How to Sell.

uma vida simples

estação
alentejo sem rede
taleigo

Vou para estar e raramente me faz falta contar que fui e ao que fui. Há uma calma qualquer que é nova (deve ser da idade). Depois tenho pena porque sempre tive diários, sempre foram o meu espelho, a minha garantia de ter feito, ter estado, ter sido. Não vim aqui gravar o dia em que pela primeira vez ordenhei uma cabra nem o inesquecível serão passado a fazer queijo ou o sorriso da A. à conquista das ruas da vila na sua nova bicicleta. Às vezes só viver é tudo.

lar

nas agulhas

three

Ao contrário do que é costume, tenho três trabalhos diferentes de tricot em curso (mais o inevitável par de meias que me acompanha nos compassos de espera): um colete em linho deste livro da Kaze Kobo (será a primeira peça de verão que faço em muitos anos), um casaco em jacquard desenhado pela Mariko Mikuni para este livro e ainda um top improvisado para a E. num fio de composição insólita (para mim) mas que me agarrou pela textura e pelas cores. É uma novidade que vai estar na Retrosaria em breve.

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#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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