quilts 1700-2010

passageiro

quilts 1700-2010

Passámos a manhã de ontem no Victoria and Albert a ver a exposição. Infelizmente não se pode tirar fotografias no interior, mas de qualquer forma não ilustrariam o que é ver ao vivo estas peças com as suas texturas, as suas cores e os seus pontos. Recomendo vivamente uma visita e o catálogo a todos os que puderem fazer a viagem.

No caminho, a E. desenhou à vista um passageiro engravatado do metropolitano. She’s very talented, disse ele. Yes indeed.

passear

camera cosy

Com um excelente pretexto, e se não houver imprevistos ou vulcões que o impeçam, vou passar boa parte da próxima semana em Londres com a E. Será a primeira vez dela e a minha primeira vez em 10 anos (!), pelo que se aceitam sugestões de coisas (exposições, mercados, metal biscuits e o que seja) a não perder. Para aconchegar a minha máquina fotográfica no pouco tempo que vai passar dentro da mochila fiz este bolso acolchoado, com tiras de alguns dos meus tecidos novos preferidos. Read more →

jogo das tampas

jogo da tampa

jogo da tampa

Apontamentos da E.:
De casa até casa da avó: 108 (pelo caminho anormal).
De casa até à loja: 30
e da loja até casa da avó: 71.

Objectivo: pisar o maior número possível de tampas (qual o nome técnico destas tampas?) entre o ponto de partida e o ponto de chegada do caminho.
Regras: só vale pisar as tampas do passeio (a não ser nas ruas que não têm passeio). As tampas grandes valem 5. Read more →

sacos, bolsas, taleigos

taleigos
Debret, Jean Baptiste (1768-1848), Boutique de boulanger. Brasil, 1834-1839 (pormenor).

taleigos
Domingos Rebelo (1891-1975), Os Emigrantes, 1926.

A poucos dias do próximo workshop de sacos, bolsas e taleigos (o primeiro foi assim), um rol de imagens: a de cima é a mais antiga que tenho de um saco de retalhos (à esquerda na mão do rapaz). É um pormenor de uma das célebres gravuras de Jean Baptiste Debret e é interessante por mostrar há quanto tempo se usam estes sacos para ir ao pão. No quadro de Domingos Rebelo, mais ainda que o chamativo saco ao centro, gosto do do lado esquerdo, sobre a arca, que podia ser este, feito daquelas chitas vermelhas brancas e pretas dos finais do século XIX. Haverá certamente muitos sacos por encontrar noutros retratos e fotografias de emigrantes portugueses. A quarta imagem deve ter o taleigo que mais gente viu sem reparar nele (eu própria só dei por ele recentemente). Aparições à parte, é uma lindíssima fotografia. A seguir, três sacos feitos por três avós de participantes do workshop que tiveram a gentileza de os trazer para me mostrar. Read more →

elas

elas

ela

Quando eu tinha a idade da A. vivíamos no Algarve e a minha mãe optou por me tirar de uma má creche longe de casa para me entregar ao cuidado de uma merceeira que tinha um filho também pequeno. Julgo que passava boa parte do dia na loja e consta que dormia a sesta numa enxerga nas traseiras. Não tenho memória desse tempo senão a sensação agradável de que era lá muito mais feliz do que nas escolas por onde já tinha passado. Quando a A. e a E. estão connosco no Loreto, como acontece muitas vezes, penso no que levarão desta experiência.

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pátio das parreiras

pátio das parreiras

A repérage foi feita pela minha mãe: é o Pátio das Parreiras, tão perto aqui de casa mas tão escondido que nunca tinha dado por ele. Não fomos nós que estendemos lá ao fundo a toalha aos quadradinhos verdes, nem pendurámos aquela roupa a condizer no estendal, mas até parece. Um cenário mais minimal ou luxuoso faria sobressair mais a manta, mas é este, uns quarteirões abaixo de onde ela foi cosida nas últimas semanas, que mais condiz com ela. Está aqui e vai estar na loja para quem a quiser ver de perto. Read more →

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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