Sobre tricot

Depois de em Setembro de 2004 eu e a Hilda Portela termos organizado os primeiros encontros de tricot em Portugal, comecei a receber com bastante frequência emails de pessoas interessadas em começar a tricotar e em aprender mais sobre o assunto. Aqui ficam respostas para algumas das perguntas que me têm chegado mais vezes:

Garçon et fille en costume local
Charles Géniaux, Garçon et fille en costume local, après 1890.

Nunca aprendi a fazer tricot e tenho imensa pena. Dá aulas de tricot ou sabe onde posso aprender?

Já recebi muitos convites simpáticos para dar aulas de tricot, mas até hoje não aconteceu. Se não tiver uma familiar ou amiga disponível para ensinar os primeiros passos pode contactar um dos grupos de tricotadeiras activos em Portugal (ver mais abaixo). Frequentemente, algum dos membros está disponível para dar aulas particulares ou alguns conselhos durante um encontro de tricot. Também é possível aprender sozinho em casa, com a ajuda de livros ou da internet. No YouTube há inúmeros vídeos que ensinam desde o mais básico até às técnicas mais complexas, basta procurar. Entre eles, destacam-se por exemplo os da Chuavanit.

Quando era pequena aprendi os pontos básicos, mas não me lembro de quase nada e agora queria relembrar o que sabia e aperfeiçoar a minha técnica. Como fazer?

Com a ajuda da internet e de bons livros (ver resposta anterior). A minha recomendação número um continua a ser o esgotadíssimo O grande Livro dos Lavores (editado nos anos 80 pelas Selecções do Reader’s Digest). Vale a pena procurá-lo em casa das avós, das tias, nos alfarrabistas e na biblioteca, porque não há outro melhor. Na edição original chama-se Complete Guide to Needlework e também está esgotado, mas por vezes consegue-se encomendar em segunda-mão. Nos Estados Unidos têm-se editado nos últimos anos centenas de livros sobre tricot. O mais célebre é provavelmente o já clássico Stitch ‘n Bitch Handbook, de Debbie Stoller. Menos ilustrados e mais antigos, mas muito interessantes pela abordadem e técnicas que propõem, os livros da autora Elizabeth Zimmermann estão entre os meus preferidos.

Tricoteuse
Jean Metzinger, Tricoteuse, 1919.

Não consigo encontrar lãs bonitas à venda. Tem sugestões?

Naturalmente, a minha primeira sugestão é procurar na Retrosaria, onde para além de lãs e agulhas costumo ter livros sobre o assunto. Não é muito fácil encontrar em Portugal boas lojas de lãs. Em Lisboa, as tricotadeiras vão sobretudo à retrosaria Adriano Coelho (Rua da Conceição, 121 – 123) e à loja Tricots Brancal (Rua dos Fanqueiros), ambas na Baixa. As marcas portuguesas, como a Brancal e a Rosários 4, apesar de algum esforço de modernização, não conseguem oferecer produtos que rivalizem com a qualidade das lãs alemãs e inglesas. A excepção à regra é a Lopo Xavier, no Porto, cujas óptimas lãs se mantém inalteradas há décadas. On-line, felizmente, o panorama é mais animador e é possível comprar lãs tingidas e fiadas manualmente em Portugal directamente às produtoras (por exemplo Oficina Fio e Mãos de Sapo).

Onde se realizam os encontros de tricot?

Neste momento há pelo menos três grupos que promovem encontros regularmente: Tricot no Porto, Knit Sábados (Lisboa) e Tricotadeiras de Oeiras.

Há algum site sobre tricot que recomende particularmente?

Sim, o Ravelry (uma comunidade on-line) e a revista Knitty. E estes são os blogs sobre tricot que leio regularmente:


Mais alguma coisa?

Sim: os posts d’A Ervilha Cor de Rosa arrumados na categoria Knitting = Tricot estão cheios de links.

férias