a camisola

top-down sweater
top-down sweater

Daqui a poucas semanas estreio um novo workshop na Retrosaria. Vou ensinar a fazer uma camisola em malha circular a começar por cima (top-down), num formato de aula diferente, com bastante trabalho de casa antes e entre aulas. É uma oficina intensiva, para quem já não confunde a liga com a meia e não tem medo de fazer contas. Estou muito curiosa e cheia de expectativa. Estive a ensaiar com uma nova camisola para a A., feita em Beiroa e com o decote modelado através de short rows (carreiras incompletas), uma técnica que me parece ideal para este género de trabalho. Junto à gola fiz um bordado muito simples.

top-down sweater

o início

A

A

A prova de que o workshop de Sábado à tarde foi mesmo bom é ter vindo para casa com uma vontade incontrolável de fazer hexágonos de crochet. Talvez a coisa me agrade tanto por ser uma espécie de encontro entre a malha e as mantas de retalhos. Vem aí uma manta (a não ser que eu consiga fazer um casaco parecido com este). Estou a usar a Beiroa em quase todas as suas cores. A minha mãe estranhou ver-me só com uma agulha na mão – crochet?! – e depois lembrou-se deste quadro, que lhe pareceu a inspiração ideal.

…e o melhor site de crochet (e não só) que conheci nos últimos tempos: Ganchitos.

A

A

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na retrosaria

tricot 2

tricot 2

Uma das boas coisas que acontecem na Retrosaria é dizerem-nos tantas vezes que os nossos workshops são diferentes.
Ontem também estive do outro lado. De manhã ensinei truques de malha e à tarde fui aluna da Rita (a mesma Rita que fez as ilustrações do meu livro). Foi a estreia do workshop de Crochet 2, em que se aprende a fazer rosetas ou motivos de crochet (aquilo a que nos EUA se chama granny squares e cá não tem nome mas quase toda a gente da minha idade reconhece de uma manta de casa da avó). Para mim, que nunca tinha tentado avançar no crochet para além do mais básico, foi uma revelação. As cores da Beiroa, que foi o fio que usámos, agora parecem-me ter sido inventadas para isto.

crochet 2

crochet 2

crochet 2

gola minderica

gola minderica

gola minderica

A gola minderica, não sendo directamente inspirada numa peça de malha, foi escolhida para o livro por ter nascido do meu fascínio pelas mantas artesanais portuguesas. Neste caso baseei-me nos padrões das mantas de Minde que, apesar de fazerem parte do repertório mental de quase todos os portugueses, poucos associam ao seu local de fabrico. Fazem-nos pensar no Ribatejo ou chamamos-lhes alentejanas, sem saber que vêm de uma terra pequenina, mais a norte, com uma longa história de teares caseiros e comerciantes orgulhosos que as espalharam por todo o sul de Portugal. Os mindericos distiguem bem as suas mantas janotas (as mais coloridas) das do alentejo. As cores não são as mesmas, nem é igual a dispersão dos motivos pela superfície do tecido. Mas um leigo pode facilmente confundir-se. O que é inequívoco é que os padrões de Minde constituem um manancial gráfico que apetece tricotar, respeitando as paletas ou inventando outras. A sua estrutura composta por motivos pequenos, muitos dos quais se repetem sempre ao mesmo ritmo (3, 2, 1, 2), torna o trabalho a duas cores bastante fácil de memorizar e rápido de fazer.

Para encontrar uma manta de Minde verdadeira, das que são feitas em tear manual com fios de lã, é preciso ir ao CAORG e fazer figas para que haja stock, porque elas desaparecem mal saem das mãos do tecelão Elias.

Estas duas golas foram feitas em Beiroa. Uma é a do livro, com a sua bainha de bicos, e a outra foi feita numa paleta mais quente, com o castanho natural por fundo, e com as orlas em canelado (três serões chegaram para a terminar).

This cowl from the book was inspired by the handwoven blankets from Minde. Minde is a small town with a strong tradition in weaving and trading. The blankets were woven at home and then sold by the men, who travelled in the Summer to sell them in the big farmers markets of the south. They feature small and repetitive motifs, which translate perfectly into knitting. And their bold palettes are an endless source of inspiration.

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sete em um

gola beiroa

Era para ser só uma experiência de tricotar a cores com as sete beiroas novas mas acabou por resultar numa gola pequenina, mesmo ao tamanho da A. Fica a receita, para quem quiser experimentar ou variar sobre o tema:

Materiais:

Beiroa nas cores 695, 409, 567, 557, 595, 729 e 625
Conjunto de 5 agulhas de 3.5mm x 20cm
Conjunto de 5 agulhas de 4mm x 20cm
Dois alfinetes de fazer meia
Uma marca
Agulha de ponta redonda para os remates

Execução:

Canelado: Com a cor 695, montar 112 malhas nas agulhas de 3.5 com o método de montagem à portuguesa (fio ao pescoço) ou outro que produza uma margem elástica, distribuindo as malhas pelas quatro agulhas. Introduzir uma marca para assinalar o início/fim da volta e verificar que as malhas da montagem não ficam torcidas.
Trabalhar 10 voltas em canelado 3×1 (3 malhas de liga, 1 malha de meia).

Padrão: Com as agulhas de 4mm e colocando um alfinete de fazer meia em cada ombro, trabalhar o padrão sempre em liga. Na primeira volta, acrescentar duas malhas, uma no início e outra no meio da volta (114 malhas). Esta primeira carreira é trabalhada da seguinte forma: *5 malhas com a cor 695, 1 malha com a cor 409*. Repetir de * a * até ao final da volta.

Nota importante: para o padrão ficar com um aspecto uniforme, é essencial suspender cada cor sempre no mesmo alfinete, por exemplo: começar com a cor 695 no alfinete do lado esquerdo e a cor 409 no do lado direito. Quando a cor 695 deixa de ser usada, passar a nova cor (567) no alfinete do lado esquerdo, mantendo a cor 409 do lado direito. Ao retomar o trabalho depois de uma pausa, passar os fios no mesmo alfinete em que se encontravam antes.

Depois de completar o padrão, trabalhar uma volta lisa em liga com a cor 625, matando duas malhas (uma no início e outra no meio da volta) (112 malhas).

Canelado: Com as agulhas de 3.5mm, trabalhar 10 voltas em canelado 3×1 (3 malhas de liga, 1 malha de meia).

Rematar usando uma técnica de remate que produza uma margem elástica (por exemplo esta).
Rematar as pontas de fio soltas.

Para uma gola de adulto convém montar um mínimo de 124 malhas, aumentando para 126 a seguir ao canelado.

This tiny cowl was purled from the inside, portuguese style, using two knitting pins to hold the yarn (one on each shoulder). The yarn is Beiroa, shades 695, 409, 567, 557, 595, 729 e 625, knitted on 3.5mm (rib) and 4mm (pattern) double pointed needles.

Instructions: CO 112 st on the 3.5mm needles using shade 695 and *p3 k1* 10 rounds. With 4mm needles, start following pattern, increasing 2st on the first round (114 st). Purl one round with shade 625 after finishing the pattern, decreasing to st (112 st). With 3.5mm needles, *p3 k1* 10 rounds. Cast off.

For an adult size version, cast on at least 124 st, increasing to 126 at the beginning of the pattern.

seamless raglan sweater #3

camisola nova

camisola nova

Quando andava no colégio, aí pelo quinto ou sexto ano, uma das minhas colegas trazia muitas vezes vestidas umas camisolas de malha feitas pela mãe. Do que me lembro eram lisas, de cores vivas à anos 80, e tinham um pormenor que todos gabavam e invejavam: bolsos em forma de luvas, feitos numa cor contrastante e aplicados sobre o corpo, mesmo a jeito para aquecer as mãos. Na altura já fazia malha há uns anos mas só tricotei a primeira camisola um pouco mais tarde, numa altura em que estava a crescer tão depressa que quando a terminei tive de a oferecer à minha prima Mariana porque já não me servia. As camisolas que a mãe da minha colega Joana fazia ficaram-me sempre gravadas na memória e acho que terão sido uma das razões que me levaram a querer fazer malha cada vez melhor. Entretanto a seamless raglan sweater da E. já está pronta (ravelry) e a uso. Não tem bolsos em forma de luvas, mas quem sabe se ainda lhos faço. Levou três meadas de Beiroa 688 e um bocadinho de Beiroa 539, mais um decote em V que não está nas instruções mas foi fácil de improvisar.

beiroa

beiroa

beiroa

Primeiro veio a branca, com o seu veio castanho pelo meio. Tricotei-a, tingi-a, fi-la andar por aí. Juntou-se-lhe depois a preta. Há pouco menos de um ano chegaram as primeiras cores, quase todas tranquilas, como se tivessem saído de um tapete de Arraiolos.
Este ano a paleta é outra, com quatro cores cores muito vivas e três mais tranquilas, todas pensadas para serem usadas juntas e com uma piscadela de olho aos pantones da temporada. E não, a Beiroa não é o fio mais macio de todos os tempos, nem veio do outro lado do mundo de ovelhas criadas para darem a maior quantidade de lã possível, nem foi quimicamente esfoliada na fábrica para parecer o que não é. Veio aqui mesmo da Serra da Estrela, das ovelhas Bordaleiras que levam boa vida junto aos seus pastores.

Beiroa
Beiroa 2 Ply

seamless raglan sweater #3

#elizabethzimmermann #beiroa #knitting #malha #tricot

Quatro anos depois das primeiras (esta e esta), vou a meio de uma nova seamless raglan sweater (ravelry), do livro Knitting Without Tears de Elizabeth Zimmermann. Desta vez estou a usar Beiroa, em azul e rosa velho. Depois de muitos meses a tricotar para um longo projecto que há-de ver a luz do dia em breve, é bom voltar a fazer malha para a E. e para a A., que já encomendou uma igual em azul escuro e vermelho.

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