Tag Archives: fiar

o ciclo da lã, do pastoreio ao tear

lã em tempo real

aprender

Imagens da primeira manhã do workshop dedicado ao ciclo da lã que a associação ALDEIA organizou e em que eu participei. Continuar a ler…

fiar na ilha do Pico

fiar na ilha do Pico

Já não é fácil encontrar teares na ilha do Pico. Na escola de artesanato de Santo Amaro o último foi desmantelado há já vários anos e pouco mais se faz hoje em dia senão peças decorativas em escama de peixe e miolo de figueira. Também deixou de se fiar: as meias de lã para os ranchos folclóricos (que as usam com as tradicionais albarcas) vêm em geral de outras ilhas e a suera (da sweater norte-americana, a camisola de lã usada pelos pescadores) é só peça de museu. Em São João, no sul da ilha, encontrámos a D. Avelina e o seu fuso. Aqui fia(va)-se com o fuso apoiado, técnica que nunca vi usar no continente mas é comum por exemplo no Tibete e no Peru. A lã não é lavada antes de ser cardada (sobre a lã dos Açores escreverei depois), nem se usa roca (tal como na Serra de Montemuro). O fuso é semelhante aos que se usam em Trás-os-Montes (de tipo 1 na tabela estabelecida por Benjamim Pereira), mas aqui a roda (volante) tem um diâmetro maior e é mais fina. O fuso da D. Avelina tinha ainda a particularidade de ter incisos dois sulcos helicoidais, um para fiar e outro para torcer o fio (outro vídeo que fica para depois).

lã em tempo real

Lã em Tempo Real from Lã em tempo real on Vimeo.

Ouvir e saber a lã a duas vozes.
A animação é da autoria de Manuela Gandra.

açores

fiar

açores

Parto para os Açores, onde nunca estive. Uma semana para participar no Prenda com alguns workshops e para ver de perto coisas há muito tempo na minha lista. Continuar a ler…

fiar sem roca

d. deolinda

d. deolinda

d. deolinda

No Mezio, na Serra de Montemuro, fia-se a lã sem roca. Usa-se um pequeno cesto no braço esquerdo para guardar a lã e um fuso de urgueira (fuso de tipo 2 segundo as normas oficiais para estas coisas). A grande diferença deste processo está nos gestos com que se prepara a lã antes do momento da torção: sem nunca largr o fuso da mão direita, usam-se ambas as mãos para criar uma longa mecha, que é depois rapidamente torcida e enrolada no fuso. Os gestos hábeis da D. Deolinda mereciam um vídeo melhor, mas fica o registo (vale a pena ouvir com atenção a conversa): Continuar a ler…

amor de lã

amor de lã

amor de lã

De casa da tecedeira segui para casa da D. Isabel, escrinheira e fiandeira. Na noite anterior percorrêramos a aldeia a pé. Vimos as estrelas, as vacas a dormir, ouvimos os mochos e as cigarras, admirámos as casas de pedra silenciosas. Nem com muito optimismo conseguiria ter imaginado o estendal de lã que vi pela manhã. Aqui os teares emudecem (mas houvesse encomendas e acredito que voltassem a tecer) mas ainda se fia. A nossa sala de estar é aqui, disse a D. Maria da Cruz apontando para um banco de pedra no largo. E de Inverno estamos aqui, num outro mais abrigado. Se tivesse vindo ontem já nos conhecia todas, dantes fiava-se aqui muito. Hoje temos uma missa e um convívio, mas venha amanhã que lhe mostro o que quer ver. Continuar a ler…

ti paula

a lã

ver fiar

Junto a Miranda do Douro, pela mão de uma bela gaiteira, cheguei a casa da Ti Paula. Com elas passei uma manhã inesquecível, enquanto a E. e a A. corriam atrás dos gatos e dos pintos. Ganhei uma mestra sem estudos (disse ela), aprendi mais sobre as malhas que lá me levaram, vi fazer um manelo a preceito e fiei na roca uns metros de lã que ainda hão de ser tecidos. O manelo é a porção de lã que se prende na roca para fiar, e foi assim que a Ti Paula o preparou: Continuar a ler…

d. laudecena

a lã, o fuso e a roca

d. laudecena

Perto de Penafiel, fui aprender a fiar na roca, que é diferente de fiar com a lã pousada ou arrumada num cestinho. Ainda estou longe de ter coberto toda a bibliografia etnográfica sobre fiação manual, mas quase que aposto que nenhuma saiu da pena de alguém que dominasse o processo sem ser na teoria. Assim, ainda nem sequer consegui encontrar a tradução para worsted e woolen, as duas formas fundamentais de criar o fio a partir das fibras de lã (sugestões?). A D. Laudecena de Peroselo ensinou-me a abrir a lã com as mãos (o que torna possível fiá-la sem ter sido cardada) e a pô-la na roca, e depois a usar os dedos da mão esquerda para ir puxando as fibras da maneira certa (criando um fio woolen). Também conheci a D. Ana, tecedeira da localidade, cujo tear não cheguei a ver mas que vai ter as suas mantas na Agrival, uma feira que se realiza há trinta anos. Tanto quanto percebi é em boa medida a dita feira que mantém activos os artesãos da região, estimulando a produção, organizando os transportes e permitindo o encontro entre quem faz e quem compra. Continuar a ler…

fiar

fiar
Autor desconhecido, Retrato de mulheres (sec. XX). Papel montado sobre madeira, col. Museu de Arte Popular (via MatrizPix).

A imagem de cima deve ser a mais bonita que conheço de mulheres portuguesas a fiar. Hoje foi o que fiz boa parte da tarde. Aprendi já há meses, com a Tita Costa, mas só agora que tenho a matéria-prima que procurava me empenhei em aperfeiçoar a técnica. Diz a bibliografia (Normas de Inventário. Etnologia / Tecnologia têxtil, IPM, 2007) que estes fusos (usados em Portugal, Itália, França e julgo que poucos outros países) são os de tipo 2, caracterizados pela ausência de volante ou cossoiro (aquela base ou rodela dos chamados drop spindles que também se usam por cá em muitas aldeias) e pelo sulco helicoidal que percorre o topo da haste. Este, que tão bem fia mesmo nas mãos de uma principiante, deve ter cem anos e é de uma amiga. Quem me dera nestas férias ter a sorte de encontrar o da minha bisavó… Continuar a ler…

fiar

cardar

tita costa

A Tita Costa veio do Porto para nos ensinar a fiar lã. Mostrou-nos fusos de várias partes do mundo, pôs-nos a rir com os fios de pelo de cão (!), demonstrou alguns truques índios e ensinou-nos a usar os fusos portugueses de madeira de urze. Para mim foi uma experiência inesquecível. Já a convidei para voltar em breve. Continuar a ler…