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beiroa * 7

beiroa

As novas cores da Beiroa já chegaram à Retrosaria. São lindas de olhar e melhores ainda para fazer malha.

Beiroas!
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mirandesa

mirandesa

mirandesa

Frutos de inverno: a lã que começou aqui, finalmente pronta na Retrosaria. Lã das ovelhas Churra Galega Mirandesa, lavada, aberta, fiada e torcida à mão. E com uma etiqueta com texto em Mirandês desenhada pelo mestre João Maio Pinto. Fazer é poder. Continuar a ler…

as mantas da d. guiomina

manta

manta

Em Castro Daire há cada vez menos ovelhas. Quase não se vêem rebanhos e a lã dos que há consta que em boa parte é queimada. Muita é sedeúda, a maneira local de dizer que tem as fibras muito compridas e pouco macias, mas também há algumas ovelhas marinhotas (de meirinha, o nome dado em Portugal desde o século XV à lã de melhor qualidade proveniente das ovelhas merino), de lã mais frisada e macia. Algumas delas pertencem à D. Guiomina. Como não queria desperdiçar a lã lembrou-se de a fiar mais grossa e pouco torcida, de a ugar (juntar dois fios num novelo) e de fazer com este fio fofo grandes mantas de malha. Leva a malha para o monte, com as ovelhas, e as mantas vão crescendo… Continuar a ler…

fiar sem roca

d. deolinda

d. deolinda

d. deolinda

No Mezio, na Serra de Montemuro, fia-se a lã sem roca. Usa-se um pequeno cesto no braço esquerdo para guardar a lã e um fuso de urgueira (fuso de tipo 2 segundo as normas oficiais para estas coisas). A grande diferença deste processo está nos gestos com que se prepara a lã antes do momento da torção: sem nunca largr o fuso da mão direita, usam-se ambas as mãos para criar uma longa mecha, que é depois rapidamente torcida e enrolada no fuso. Os gestos hábeis da D. Deolinda mereciam um vídeo melhor, mas fica o registo (vale a pena ouvir com atenção a conversa): Continuar a ler…

the campaign for wool

campaign for wool

A Retrosaria associou-se à The Campaign for Wool, uma campanha internacional de divulgação e valorização da lã que em Inglaterra e vários outros países está este ano a ter um magnífico programa de exposições e outros eventos. Em Portugal aparentemente não há mais nenhuma entidade a dar pela iniciativa (nem o Museu dos Lanifícios, nem a ANIL, nem as associações de criadores de ovinos parecem ter-se interessado). No próximo ano espero conseguir aumentar a presença institucional da campanha por cá, a par de outros projectos lanígeros que tenho em curso, mas para já há um concurso a decorrer. Para participar basta fazer compras na Retrosaria (de produtos com mais de 50% de lã na composição), ler as regras aqui e submeter os dados na ficha (escolhendo Rosa Pomar no nome da tienda). Viva a lã!

the wool book

the wool book

the wool book

De um excelente livro que tinha lido há tempos e comprei entretanto: Margaret Dixon, The Wool Book, 1979. Continuar a ler…

amor de lã

amor de lã

amor de lã

De casa da tecedeira segui para casa da D. Isabel, escrinheira e fiandeira. Na noite anterior percorrêramos a aldeia a pé. Vimos as estrelas, as vacas a dormir, ouvimos os mochos e as cigarras, admirámos as casas de pedra silenciosas. Nem com muito optimismo conseguiria ter imaginado o estendal de lã que vi pela manhã. Aqui os teares emudecem (mas houvesse encomendas e acredito que voltassem a tecer) mas ainda se fia. A nossa sala de estar é aqui, disse a D. Maria da Cruz apontando para um banco de pedra no largo. E de Inverno estamos aqui, num outro mais abrigado. Se tivesse vindo ontem já nos conhecia todas, dantes fiava-se aqui muito. Hoje temos uma missa e um convívio, mas venha amanhã que lhe mostro o que quer ver. Continuar a ler…

cada casa com seu fuso

tecedeira

lana

D. Maria da Cruz, última tecedeira da sua aldeia. Continuar a ler…

tecer

tapete

manta

Nas aldeias junto a Miranda do Douro tecem-se mantas diferentes das que conheço das outras regiões do país. São urdidas com linho (agora algodão) e tapadas com lã fiada relativamente grossa e torcida num fio de dois cabos (de torção “S”). O desenho é criado através da técnica dos puxados, que se encontra em várias regiões (por exemplo no Montemuro), mas aqui toda a superfície é coberta de puxados, que são no fim do trabalho abertos com uma tesoura. O resultado é uma manta com muitos quilos de lã (julgo que entre dez e vinte) e tão densa e espessa que aos nossos olhos parece um tapete de luxo. Uma manta larga é composta por três peças tecidas individualmente (os teares domésticos são estreitos) e cosidas no fim umas às outras, por vezes rodeadas ainda de uma franja feita também em casa (o tear de franjas vê-se à direita na imagem de cima) e na mesma lã. Continuar a ler…

o burro e os pentes

pente

pentear

Depois de ver a Ti Paula fiar a lã aberta e preparada apenas à mão fiquei a conhecer o burro e os pentes. O burro é uma peça em madeira à qual se podem prender cardas ou pentes, as duas ferramentas mais importantes no preparo da lã. Com as cardas obtêm-se porções (panadas ou pastas, consoante a região) de lã com as quais se produz um fio cardado (woolen) – as fibras de lã ficam orientadas perpendicularmente ao fio que se vai criar. Com os pentes prepara-se o penteado ou estambre (worsted): apenas as fibras mais longas são seleccionadas e consegue-se que fiquem muito paralelas umas às outras, permitindo a criação de um fio mais fino e resistente, que nesta região era usado para tecer os cobertores (matéria para outro post). Continuar a ler…