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the campaign for wool

campaign for wool

A Retrosaria associou-se à The Campaign for Wool, uma campanha internacional de divulgação e valorização da lã que em Inglaterra e vários outros países está este ano a ter um magnífico programa de exposições e outros eventos. Em Portugal aparentemente não há mais nenhuma entidade a dar pela iniciativa (nem o Museu dos Lanifícios, nem a ANIL, nem as associações de criadores de ovinos parecem ter-se interessado). No próximo ano espero conseguir aumentar a presença institucional da campanha por cá, a par de outros projectos lanígeros que tenho em curso, mas para já há um concurso a decorrer. Para participar basta fazer compras na Retrosaria (de produtos com mais de 50% de lã na composição), ler as regras aqui e submeter os dados na ficha (escolhendo Rosa Pomar no nome da tienda). Viva a lã!

the wool book

the wool book

the wool book

De um excelente livro que tinha lido há tempos e comprei entretanto: Margaret Dixon, The Wool Book, 1979. Continuar a ler…

amor de lã

amor de lã

amor de lã

De casa da tecedeira segui para casa da D. Isabel, escrinheira e fiandeira. Na noite anterior percorrêramos a aldeia a pé. Vimos as estrelas, as vacas a dormir, ouvimos os mochos e as cigarras, admirámos as casas de pedra silenciosas. Nem com muito optimismo conseguiria ter imaginado o estendal de lã que vi pela manhã. Aqui os teares emudecem (mas houvesse encomendas e acredito que voltassem a tecer) mas ainda se fia. A nossa sala de estar é aqui, disse a D. Maria da Cruz apontando para um banco de pedra no largo. E de Inverno estamos aqui, num outro mais abrigado. Se tivesse vindo ontem já nos conhecia todas, dantes fiava-se aqui muito. Hoje temos uma missa e um convívio, mas venha amanhã que lhe mostro o que quer ver. Continuar a ler…

cada casa com seu fuso

tecedeira

lana

D. Maria da Cruz, última tecedeira da sua aldeia. Continuar a ler…

tecer

tapete

manta

Nas aldeias junto a Miranda do Douro tecem-se mantas diferentes das que conheço das outras regiões do país. São urdidas com linho (agora algodão) e tapadas com lã fiada relativamente grossa e torcida num fio de dois cabos (de torção “S”). O desenho é criado através da técnica dos puxados, que se encontra em várias regiões (por exemplo no Montemuro), mas aqui toda a superfície é coberta de puxados, que são no fim do trabalho abertos com uma tesoura. O resultado é uma manta com muitos quilos de lã (julgo que entre dez e vinte) e tão densa e espessa que aos nossos olhos parece um tapete de luxo. Uma manta larga é composta por três peças tecidas individualmente (os teares domésticos são estreitos) e cosidas no fim umas às outras, por vezes rodeadas ainda de uma franja feita também em casa (o tear de franjas vê-se à direita na imagem de cima) e na mesma lã. Continuar a ler…

o burro e os pentes

pente

pentear

Depois de ver a Ti Paula fiar a lã aberta e preparada apenas à mão fiquei a conhecer o burro e os pentes. O burro é uma peça em madeira à qual se podem prender cardas ou pentes, as duas ferramentas mais importantes no preparo da lã. Com as cardas obtêm-se porções (panadas ou pastas, consoante a região) de lã com as quais se produz um fio cardado (woolen) – as fibras de lã ficam orientadas perpendicularmente ao fio que se vai criar. Com os pentes prepara-se o penteado ou estambre (worsted): apenas as fibras mais longas são seleccionadas e consegue-se que fiquem muito paralelas umas às outras, permitindo a criação de um fio mais fino e resistente, que nesta região era usado para tecer os cobertores (matéria para outro post). Continuar a ler…

ti paula

a lã

ver fiar

Junto a Miranda do Douro, pela mão de uma bela gaiteira, cheguei a casa da Ti Paula. Com elas passei uma manhã inesquecível, enquanto a E. e a A. corriam atrás dos gatos e dos pintos. Ganhei uma mestra sem estudos (disse ela), aprendi mais sobre as malhas que lá me levaram, vi fazer um manelo a preceito e fiei na roca uns metros de lã que ainda hão de ser tecidos. O manelo é a porção de lã que se prende na roca para fiar, e foi assim que a Ti Paula o preparou: Continuar a ler…

obrador xisqueta

obrador xisqueta

obrador xisqueta

Vanessa Freixa é uma mulher inspiradora. É ela a cara à frente da Obrador Xisqueta, um projecto local de desenvolvimento que parte da valorização da de uma raça de ovelhas autóctone dos Pirenéus, a ovelha xisqueta. O projecto já mexe 15 toneladas de lã por ano, uma escola de pastores (!), criadores de novas peças (quero esta para os anos) e artesãos a formar gente nova em coisas tão apetecíveis como estes matalassos (haverá colchoeiros assim em Portugal? Quero conhecê-los). A Retrosaria é a primeira loja fora de Espanha a apostar nos fios de lã Xisqueta, e usá-la é a melhor maneira de apoiar e incentivar este belíssimo projecto. Continuar a ler…

fabricar

fabricar

de cá

Numa terra cheia de fábricas abandonadas cujo recheio namorámos pela janela, uma delas labora ainda, e bem. Com um armazém cheio de lãs portuguesas e fios com belíssimas cores, produz para exportar, em grande escala. O problema que enfrenta quem quer colocar pequenas encomendas é sempre o mesmo: para menos que uma tonelada de produto nem vale a pena ligar as máquinas. Continuar a ler…

d. vitorina

fiar
Pormenor do Saltério de Luttrell, século XIV. British Library.

d. vitorina

Para além de ver lavar a lã, fui a Mértola para conhecer finalmente a mulher de cujas mãos nasce o fio usado nas mantas da Oficina de Tecelagem. A D. Vitorina aprendeu a fiar em criança mas só crescida pegou na roda, numa altura em que alguns subsídios para deslocações a feiras tornaram a actividade suficientemente lucrativa. Hoje em dia fia apenas nas horas vagas mas, por ser aparentemente a única fiandeira no activo, é dela que em grande medida depende a sobrevivência das mantas de Mértola. Quis ver a sua grande roda de fiar em pé, de que já tinha ouvido falar, em tudo idêntica às que na Baixa Idade Média se difundiram pela Europa. Vi fiar em Peroselo e Vila Franca da Beira, e já mais ou menos me ajeito com um fuso, mas que me lembre nunca tinha visto fiar numa roda portuguesa.

pronta a fiar

Quis conhecer a D. Vitorina também para perceber o momento em que as pastas de lã saídas das cardas são moldadas de forma a poderem finalmente transformar-se em fio. Cardar era por aqui trabalho de homem, mas os cardadores extinguiram-se e agora é a fiandeira que assegura também este passo da preparação da lã. Para trabalhar bem nas cardas, azeita-se a lã que foi antes escarmeada, mas essa parte da história fica para depois. Continuar a ler…