mosaico hidráulico 2.0

mosaico hidráulico
mosaico hidráulico

Há oito anos, que foi quando comecei a fotografá-los regularmente, mostrei aqui o mosaico hidráulico mais bonito das lojas do Bairro Alto. Era na Casa Varela, ao cimo da Rua da Rosa. Nos meses e anos seguintes assisti à destruição de muitos destes pavimentos neste bairro e noutros. Porque era feio, porque era velho, porque era proibido. Continuou a acontecer, mesmo depois de entrar tão obviamente na moda, continua a acontecer agora, mesmo quando as revistas estrangeiras e os caçadores de tendências já olham para ele: o lindo chão da Casa Varela, que fechou entretanto, foi – inacreditavelmente – uma das vítimas mais recentes.

Mas, uns metros acima, no Príncipe Real…
O tempo dirá se é tendência passageira e demasiado gentrificada ou chega para ganhar raízes e abrir os olhos de quem vai a tempo para a preservação dos pavimentos antigos, mas a verdade é que há cada vez mais espaços novos a optar por este chão. Uma parte dele, suspeito, vem de Marrocos, onde muitas empresas vão buscá-lo por ser mais barato, e também há imitações (?!). Mas por cá há fabricantes novos, fabricantes sobreviventes e outros que reencontraram uma vocação antiga. Vale a pena conhecê-los e apoiá-los:

Somor, em Montemor-o-Novo.
Mosaicos d’Alcaria, na Vidigueira.
Artevida, em Fronteira.
Projecto Mosaico, em Sintra
E, claro, o Sr. Lúcio Zagalo em Estremoz.

agora vê-se, agora não

agora vê-se, agora não

Prédio em obras:

Não se importa que tire umas fotografias aqui a este chão?

Ah, tire à vontade. Isto é tudo para arrancar. Chão, porta e tudo.

Para arrancar? Mas a porta está óptima e é tão bonita.

Bem, a porta talvez tenha arranjo, mas o chão é que vai de certeza

Espero que voltem a pôr do mesmo material, ao menos.

Ó menina, isto já nem se fabrica!

Blá blá blá blá, em Estremoz, blá blá blá Lúcio Zagalo, e blá blá blá blá…

metro quadrado

prédio em obras

Espreito quando as portas estão entreabertas, quando os prédios estão em obras, quando passo ao mesmo tempo que o carteiro, quando a entrada acabou de ser lavada e está à mostra. Nunca toco à campainha, mas não é por falta de vontade. Muitas vezes é só ou menos de um metro quadrado, meio escondido pelo contentor do lixo, gasto por cem anos de gente a entrar e a sair. Colecciono-os com os olhos e com a máquina.

PS: O mosaico hidráulico ainda se fabrica. O que há é pouca gente a dar por isso:

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