Tag Archives: wool

as mantas da d. guiomina

manta

manta

Em Castro Daire há cada vez menos ovelhas. Quase não se vêem rebanhos e a lã dos que há consta que em boa parte é queimada. Muita é sedeúda, a maneira local de dizer que tem as fibras muito compridas e pouco macias, mas também há algumas ovelhas marinhotas (de meirinha, o nome dado em Portugal desde o século XV à lã de melhor qualidade proveniente das ovelhas merino), de lã mais frisada e macia. Algumas delas pertencem à D. Guiomina. Como não queria desperdiçar a lã lembrou-se de a fiar mais grossa e pouco torcida, de a ugar (juntar dois fios num novelo) e de fazer com este fio fofo grandes mantas de malha. Leva a malha para o monte, com as ovelhas, e as mantas vão crescendo… Continuar a ler…

fiar sem roca

d. deolinda

d. deolinda

d. deolinda

No Mezio, na Serra de Montemuro, fia-se a lã sem roca. Usa-se um pequeno cesto no braço esquerdo para guardar a lã e um fuso de urgueira (fuso de tipo 2 segundo as normas oficiais para estas coisas). A grande diferença deste processo está nos gestos com que se prepara a lã antes do momento da torção: sem nunca largr o fuso da mão direita, usam-se ambas as mãos para criar uma longa mecha, que é depois rapidamente torcida e enrolada no fuso. Os gestos hábeis da D. Deolinda mereciam um vídeo melhor, mas fica o registo (vale a pena ouvir com atenção a conversa): Continuar a ler…

obrador xisqueta

obrador xisqueta

obrador xisqueta

Vanessa Freixa é uma mulher inspiradora. É ela a cara à frente da Obrador Xisqueta, um projecto local de desenvolvimento que parte da valorização da de uma raça de ovelhas autóctone dos Pirenéus, a ovelha xisqueta. O projecto já mexe 15 toneladas de lã por ano, uma escola de pastores (!), criadores de novas peças (quero esta para os anos) e artesãos a formar gente nova em coisas tão apetecíveis como estes matalassos (haverá colchoeiros assim em Portugal? Quero conhecê-los). A Retrosaria é a primeira loja fora de Espanha a apostar nos fios de lã Xisqueta, e usá-la é a melhor maneira de apoiar e incentivar este belíssimo projecto. Continuar a ler…

líquenes

liquen

beiroa com liquen

Na Gralheira o chão estava coberto de líquenes. Colhemos um saco deles, mesmo sem saber se seriam os mais indicados para tingir. À noite secaram junto à lareira e no dia seguinte, já em Lisboa, pu-los num tacho com água e deixei ferver uns minutos. Pareceu-me que a água não mudava de cor e achei que a experiência não ia resultar, mas juntei-lhes uma meada de Beiroa e deixei cozer em lume muito brando durante cerca de uma hora. Passado este tempo a lã tinha ganho uma cor dourada muito bonita. Não foi preciso juntar vinagre nem nenhum dos mordentes que muitos pigmentos naturais exigem para se fixar à lã.

É mais um tema que apetece estudar e experimentar. Algumas pistas de leitura: Continuar a ler…

a vida da lã

meia hora de vida

Fomos ver as ovelhas e cabras do Toino Canhoto ao pôr do Sol, mesmo a tempo de ver dois cordeirinhos pretos acabados de nascer, macios e dóceis, ainda a serem limpos pela mãe. É do leite destas ovelhas, da raça bordaleira da Serra da Estrela, que as mulheres da família do pastor fazem queijos premiados, e são esses queijos a razão da sobrevivência do rebanho. A produção da lã já não compensa, disseram-nos, porque o preço a que é paga mal chega para cobrir as despesas da tosquia. Isto ao mesmo tempo que nas fiações falta a lã portuguesa e se manda vir de fora (é espanhol o burel das capas de Trás-os-Montes). As ovelhas do Toino Canhoto são de três cores: brancas, pretas (estas duas dão a lã das meadas da lã poveira) e sarrubecas (pronunciar com os ss e rr locais), cor de café com leite, a cuja lã havemos de seguir em breve o rasto.

Amanhã o dia na loja é da lã: de manhã ensino seis mulheres a fazer tricot e à tarde aprendo com outras tantas a fiar. Continuar a ler…