Profissão: ______________
Hesito sempre antes de preencher o espaço em branco. Mãe blogger que faz bonecos e outras coisas de pano e os vende através da internet em geral não cabe nem serve, mas é o mais acertado. Artesã não sou e para designer não estudei, não cheguei a historiadora apesar dos muitos e bons anos na escola nem propriamente a ilustradora mesmo tendo passado pelo Ar.Co e (muito brevemente) pela SVA.
Os bonecos
Comecei a fazê-los no início de 2004, menos de um ano depois do nascimento da minha filha mais velha. Desde que me lembro que gosto de coser, tricotar, bordar e tecer e, com um bebé, a vontade de o fazer redobrou. Partilhei no meu blog o primeiro boneco, e o segundo, e o terceiro, e recebi emails e comentários de incentivo que, bem vistas as coisas, mudaram o rumo da minha vida. Depois de ter enviado pelo correio cerca de cem bonecos percebi que precisava de mais um par de mãos, e depois de ainda mais um. Encontrá-los não foi fácil, mas hoje tenho a sorte de contar com a ajuda da Zorica Protic e da Sandra Coelho, com quem partilho a obsessão do acabamento perfeito. Os bonecos cruzam oceanos e aparecem em revistas mas, mais importante do que isso, andam ao colo de muitos meninos e meninas.
Desde o princípio, e porque os bonecos nasceram para um bebé, que as minhas preocupações principais são as mesmas: materiais laváveis e de óptima qualidade (algodão, lã e, às vezes, linho e seda), bom enchimento e, com algumas excepções, nada de botões ou peças pequeninas que corram o risco de serem engolidos.
Apesar de se distribuírem por uma dúzia de tipologias, com destaque para aquela que se tornou a mais conhecida de todas, não há dois bonecos iguais. Cada um é decorado à mão com veludo de lã e galões bordados antigos que colecciono há muitos anos, e todos têm uma etiqueta de pano única e numerada.
As outras coisas
Quando a procura e a escolha dos tecidos perfeitos começaram a ocupar boa parte do meu tempo de trabalho os bonecos tornaram-se demasiado pequenos para todas as experiências que me apetecia fazer. Por isso foram aparecendo mantas, sacos, pires de pano e muitas outras coisas que, na loja, aparecem arrumadas aqui. Em muitas delas tenho usado (e divulgado) os padrões das tradicionais chitas portuguesas e, por outro lado, os tecidos das (suas primas) capulanas africanas cujos padrões são muitas vezes inesperados e sempre surpreendentes.
Os slings (porta-bebés)
Nasceram com a minha filha mais nova porque, depois de algumas semanas a usar um emprestado, percebi que me eram imprescindíveis. Fiz um e depois outro e em pouco tempo estava a receber encomendas. O modelo de sling que produzo (pouch sling) é o mais simples de todos, e é o meu preferido por ser aquele que permite pôr e tirar o bebé com mais facilidade e rapidez. Todos os meus slings são reversíveis e distinguem-se pelos tecidos que uso – sobretudo tecidos tipicamente portugueses, tecidos africanos e alguns outros, escolhidos a dedo, de que gosto particularmente.



