selos

se tivesse menos que fazer e se não tivesse um bocadinho de vergonha voltava a coleccionar selos. nas recordações de quando era pequena os selos aparecem com a mesma força que os legos e os livros do petzi. lembro-me de o meu pai (que não colecciona coisa nenhuma para além de livros) me dar o canto rasgado de um envelope com alguns selos colados e lembro-me de me ter ensinado a mergulhá-los em água para dissolver a goma e de os pôr a secar sobre um pano da louça. isto quando eu tinha 6 anos. ordenava-os por temas: animais e plantas, casas e paisagens, reis, rainhas e presidentes, artes, profissões, etc. aprendi imensas coisas com os selos. coisas importantes para uma pessoa pequena: que magyar posta significa correios da hungria, que o mocho é o símbolo da deusa atena, os nomes científicos de inúmeros animais, etc.

quando comecei a escrever cartas e tinha de comprar selos lembro-me de espreitar gulosa (como ainda espreito) para os livros de selos das tabacarias, a pensar que em vez de um selo de 27$00 podia pedir dois de 10, um de 5 e um de 2, que ficava o envelope mais bonito e eu mais satisfeita.

depois, como é do andar natural das coisas, os selos foram ficando esquecidos. até porque coleccionar selos é uma coisa assim um bocadinho nerdy e há uma idade em que as raparigas não querem que se pense que elas coleccionam selos.

mas a verdade é que continuo a detestar aquelas etiquetas cor de rosa que os substituem nos correios e que às vezes dou por mim a rasgar os cantos aos envelopes. um dia se calhar deixo de ter este bocadinho de vergonha.

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