histórias da vida privada

avó


Creio que ninguém que tenha alguma vez publicado na internet uma fotografia de um filho seu conseguirá ficar indiferente a este post da Papoila e a este da 100nada. Diferentes no tom e no conteúdo, não dizem nada que não passe frequentemente pela cabeça de qualquer pessoa informada (seja relativamente aos direitos e à segurança das crianças ou às questões da invasão da privacidade que a internet pode proporcionar) e permanentemente pela de quem é pai ou mãe. Estou convencida de que neste assunto, como em todos, o bom-senso e a informação são as principais armas, e tanto on-line como na vida real (quantas mamãs não rosnaram no meio da rua ao ver chegar junto à cara do seu recém-nascido a mão – ou os lábios! – de uma velhinha desconhecida?). É um disparate confiar na idoneidade de todos os visitantes de um weblog e de todos os que usam o fabuloso motor de pesquisa de imagens que é o Google como o é confiar na de todos os funcionários das lojas em que imprimimos fotografias ou onde levamos os nossos computadores a compor, para não falar na dos funcionários das escolas dos nossos filhos. E depois, tanto quanto sei, a maioria das crianças que são molestadas são-no por membros ou amigos da própria família. É um sem-fim de possibilidades para entrar em paranóia.

Ainda sobre a questão da menoridade = incapacidade que a Papoila frisa, ela também não é exclusiva da web, ainda que aqui assuma proporções e possibilidades novas e talvez ainda não muito bem compreendidas pela generalidade das pessoas (os nossos filhos e netos encarregar-se-ão de nos julgar). Os media em geral bombardeiam-nos diariamente com imagens de crianças – na publicidade, na moda, na televisão… E no cinema e nas artes visuais também, claro: tenho sérias dúvidas que a protagonista de Ponette possa vir a ser uma rapariga normal tal como não há catálogo de roupas para crianças ou anúncio de fraldas que não me deixe a pensar sobre este assunto. E no entanto, supondo que desapareciam sem deixar rasto todas as imagens protagonizadas por menores, dos retratos de Alice Liddell aos tirados por Alessandra Sanguinetti, passando pelos de Alvarez Bravo e depois por tudo o que de bom anda espalhado por milhares de babyblogs e fotologs por esse mundo fora – quão infinitamente mais pobre e mais feia seria a nossa civilização?

Further reading:

Do babyblogs violate children’s privacy?

Blogger moms talk about children’s photos and privacy

Baby blogs

Na fotografia: a minha avó, nos finais dos anos 1920. Autor desconhecido.

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