traductor traditor

pé camuflado

Vinha recentemente noticiada no Público a publicação pela APDSi um glossário que fornece definições e propostas de tradução para uma abrangente lista de termos respeitantes ao universo da informática e da internet (aliás, da Sociedade da Informação). Se o combate à info-exclusão é um objectivo nobre, há determinadas traduções que me parece inútil sequer propor, sobretudo numa altura em que os termos na língua original já entraram irreversivelmente no vocabulário das pessoas que contactam com eles diariamente. É tudo uma questão de energia: dá muito mais trabalho dizer mensagem de correio electrónico do que dizer email. Mensagem de correio electrónico parece uma palavra (o problema é que nem sequer é uma palavra, são quatro) de info-excluídos. Os franceses conseguiram resolver o problema abreviando: courriel é quase tão fácil de dizer como email e eu, por cá, julgo que faz mais sentido dar às pessoas uma boa definição de email do que ensinar aos que não sabem uma palavra (não, 4 palavras) que só eles é que vão usar. Dizer email, para não sair do universo estritamente feminino em que sou quase sempre catalogada, é como dizer em Português as palavras francesas soutien ou cachecol. Peça de roupa que oculta o efeito da gravidade sobre o peito e cobertor para o pescoço também não colaram. É natural.


Não li o glossário todo mas também me chamou a atenção a definição de Blogue (para mim vai ser blog até decidirem escrever também internete), que é pobre e desactualizada.

Voltando às palavras, e falando como total leiga na matéria, suponho que as Línguas mudem no sentido de se tornarem mais operacionais e adequadas à realidade. O que me faz pena é mais ver que quase ninguém se importa com os acentos graves e o verbo haver, mas enfim.

PS: por coincidência deparei hoje com este post (a palavra post não consta do glossário da APDSi) de uma homónima do outro lado do Oceano. É sobre muitas outras coisas mas também sobre esta (e as brasileiras usam sutiã).

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