feira de barcelos

feira de barcelos

feira de barcelos

feira de barcelos

Gamelas de madeira, coelhos, armadilhas para toupeiras, espadelas, cordas, couves, armários louceiros, cestos, tapetes de trapo, regueifas, galinhas e patos, foices, galos de Barcelos (claro), cata-ventos, sementes, cestos, lenços e flores são algumas das coisas que se encontram nesta feira, que é a mais impressionante e rica que conheço. Se pudesse teria ficado lá o dia todo. Read more →

☐ ☐ ☐

da tia lina

quadradinhos

Na família da minha mãe há uma mulher que tenho particular pena de não ter conhecido. Irmã da minha bisavó, a sua memória persiste tanto pelo percurso pessoal de exilada política durante a ditadura como pela dieta excêntrica de chá, torradas e alcachofras que consta serem tudo o que ingeria nos últimos anos de vida, como ainda pelas muitas peças que coseu ou bordou ao longo da vida, algumas das quais sobrevivem a uso nas nossas casas ainda hoje. Descobri numa das últimas idas ao Porto as caixas em que coleccionava recortes de jornal sobre a história dos tapetes de Arraiolos e das colchas de Castelo Branco, projectos de bordados e figurinos de revistas. A manta de retalhos das fotografias foi feita pela tia Lina entre os anos cinquenta e sessenta (a julgar pelos desenhos dos tecidos), provavelmente no Brasil, e os tecidos de viscose que usou seriam provavelmente de mostruários pertencentes ao meu bisavô, mas isso é uma parte da história que ainda tenho de investigar mais a fundo. Read more →

festas d’assunção

crochet

colcha

Passámos pela Póvoa de Varzim no dia das Festas d’Assunção. Chegámos mesmo a tempo de ver as colchas a decorar as janelas da rua principal do percurso da procissão. Quase todas de crochet branco, algumas delas com um pano vermelho por baixo para tornar mais vistosos os desenhos. É uma tradição que adoro e que não sei se se pratica para lá da Península Ibérica. Por estarem quase todas em andares mais altos não é fácil fotografá-las bem, mas fica uma pequena amostra. Read more →

d. laudecena

a lã, o fuso e a roca

d. laudecena

Perto de Penafiel, fui aprender a fiar na roca, que é diferente de fiar com a lã pousada ou arrumada num cestinho. Ainda estou longe de ter coberto toda a bibliografia etnográfica sobre fiação manual, mas quase que aposto que nenhuma saiu da pena de alguém que dominasse o processo sem ser na teoria. Assim, ainda nem sequer consegui encontrar a tradução para worsted e woolen, as duas formas fundamentais de criar o fio a partir das fibras de lã (sugestões?). A D. Laudecena de Peroselo ensinou-me a abrir a lã com as mãos (o que torna possível fiá-la sem ter sido cardada) e a pô-la na roca, e depois a usar os dedos da mão esquerda para ir puxando as fibras da maneira certa (criando um fio woolen). Também conheci a D. Ana, tecedeira da localidade, cujo tear não cheguei a ver mas que vai ter as suas mantas na Agrival, uma feira que se realiza há trinta anos. Tanto quanto percebi é em boa medida a dita feira que mantém activos os artesãos da região, estimulando a produção, organizando os transportes e permitindo o encontro entre quem faz e quem compra. Read more →

museu municipal de penafiel

museu municipal de penafiel

museu municipal de penafiel

Desde que abriu, no ano passado, que estava na minha lista de sítios a visitar. As aventuras e desventuras do Museu de Arte Popular (cujo futuro não se apresenta necessariamente risonho) levaram-me a estudar um pouco da história dos museus etnográficos em Portugal e das problemáticas que eles levantam hoje em dia.
Enquanto visitante mais ou menos leiga, parece-me que o museu da Câmara de Penafiel cumpre magnificamente as suas funções. Raramente se vê por cá uma museografia tão cuidada e interessante, em que apesar de se sentir o trabalho autoral de quem concebeu o percurso este nunca se sobrepõe ou interfere com a fruição das peças em exposição. Da arquitectura à infografia, passando pela forma como as novas tecnologias são usadas (adicionando contextos e níveis de leitura mas sem protagonismos ou excessos), o museu consegue ser informativo, enriquecedor e emocionante. Falta-lhe, a meu ver, um site à altura, que permita conhecer o resto do espólio do museu e o trabalho dos investigadores a ele ligados. Read more →

o saco das sementes

saco das sementes

saco das sementes

Foi o F. que reparou nele, enquanto eu namorava uns pratos do cavalinho actuais (de que fábrica virão?). Estávamos na feira de Miranda do Corvo, onde passámos a manhã de ontem. O dono do lindo taleigo, que lá se chama só saco, achou piada ao meu interesse e disse-me ser o único em que guarda as sementes, porque nos de plástico e de papel estragam-se e neste mantêm-se boas.

tara perdida

botellon

botellon

É este o aspecto do Bairro Alto todas as manhãs. A Câmara tenta remediar a situação com varredores que recolhem diariamente (e certamente com grandes gastos) centenas de garrafas, mas a limpeza não resolve o problema nem impede que o caminho para a escola seja feito por entre um mar de cacos. Em Espanha o fenómeno chama-se botellón e por cá gerou finalmente uma manifestação de descontentamento por parte da Associação de Comerciantes. Os donos dos bares centram o problema na existência de lojas de conveniência e mercearias cujo horário alargado lhes permite fazer concorrência efectivamente desleal mas, como moradora, a quem os ditos horários dão jeito para outras coisas que não necessariamente comprar cerveja, creio que se podia e devia pensar em mais formas de combater o problema. Uma delas seria reintroduzir o depósito das garrafas (afinal porque é que desapareceu?). Poder recuperar uns cêntimos por garrafa, para quem opta por beber barato na rua em vez de mais caro mas confortavelmente sentado num bar, tiraria de certeza muito vidro dos passeios. Outra medida importante seria distribuir contentores adequados pelas ruas, porque em muitos casos nem quem se preocupa encontra facilmente onde deixar a garrafa ou o copo. Com medidas mais ou menos drásticas, o que não pode é deixar-se continuar esta situação. Read more →