contagem decrescente

projectos

…para as férias. Amanhã é o nosso último dia em Lisboa e em vez de começar a fazer a mala passei boa parte do dia a brincar aos tecidos e a planear um monte de estojos para as agulhas de tricot. Entretanto, tenho finalmente mais alguns sacos de chita moderna na loja e aprendi outra coisa sobre as chitas com um lojista simpático:

Diz ele que as chitas que se vendem hoje em dia são chitas de Alcobaça mas que as chitas propriamente ditas deixaram de se fazer há cerca de dez anos, quando a última fábrica que as produzia fechou (e no sítio dela nasceu um condomínio). Estas chitas existiam em enorme variedade de motivos e tinham muita procura entre Março e Junho (se não estou em erro) por causa dos bailes das chitas. Já tinha ouvido falar de uma festa da chita mas se não estou em erro é uma coisa de tias e que se calhar nem tem nada a ver com chitas. Estes bailes das chitas, sempre de acordo com a minha fonte, eram organizados por colectividades e os vestidos usados eram feitos em chita (que custava cem escudos o metro) e preparados com meses de antecedência. Parece que eram uma coisa em grande. Tenho quase a certeza que essas chitas verdadeiras eram do género desta e desta, mais coloridas e populares do que as que se vendem agora que, tanto quanto consegui perceber, são quase sempre reproduções de motivos do século XIX e estampadas em tecido de melhor qualidade.

Apesar de estar proibida pelo Filipe de fazer posts sobre reciclagem enquanto não passar a ser eu a descer regularmente os sacos de embalagens e papel e a subir a rua com o vidro às costas para ir ao ecoponto, aqui fica, graças à minha homónima, o link que encerra a questão das embalagens Tetra Pak (ecoponto azul ou amarelo?): Ministério do Ambiente dá razão à Quercus – embalagens tetra pak devem ser separadas do papel/cartão.

Paris in the UK.

12 comments » Write a comment

  1. (reciclagem) então é o que eu faço já lá em casa. mas não deixa de ser desmotivador saber que muito provavelmente houve milhares e milhares de quilos de tetrapack que não tiveram o caminho certo…

    (férias) aproveita bem!!

  2. nunca tive essa duvida… smp as pus no amarelo… nem nunca tinha pensado nelas como eventualmente pertencendo ao papel, uma vez q sao de cartao… ag q penso nisso, embora sabendo q sao mm do amarelo, vejo q podem ocorrer imensas duvidas! ;) boas ferias! traz mtas fotos, já tenho saudades de posts diários de antigamente no flog (ag no flickr!)!

  3. Verdade. Eu fui a um baile de chitas quando tinha 15 anos. O vestido era comprido (ainda o tenho guardado) e foi feito em casa da minha avó por uma costureira que lá ia uma vez por semana; os vestidos dos bailes eram sempre compridos. O tecido tinha uma trama larga e era cheio de goma… vendia-se também só em larguras de 60 cm. Ainda tenho uns bocados dessas chitas por aí guardados… Boas férias com montes de ideias!

  4. have a lovely trip my dear friend … i hope you come back refreshed and feeling like the strong mama & artist you are!

    sending hugs & kisses, mav

  5. A friend seamstress/embroiderer also told me about how a duchess here in my hometown used to have her chita dress made for these parties! Wonder if there are any pictures of these events in the old “pink” magazines….?

  6. Olá Rosa!

    Sobre as chitas…Há muitos anos era também frequente organizarem-se nas aldeias os concursos de vestidos de chita (participei num desses concursos há mais de 20 anos, numa edição do concurso que procurava ser uma espécie de revivalismo de concursos muito antigos…). Lembro-me que os padrões das chitas eram muito variados (muitos eram às bolinhas), lembro-me também de muitos folhos, flores modeladas com o próprio tecido e dos galões bordados.

    Havia sempre muito «frenesim» em volta destes concursos e muita pressão sobre as meninas participantes…Mas o que interessava eram, sem dúvida, as redes de sociabilidade que se desenvolviam em torno do acontecimento…

    Desejo-lhe boas férias e agradeço-lhe toda esta informação que partilha connosco e a graciosidade com que o faz!

  7. Boas Férias!!! descansa, mas continua a “postar”;))) já agora. O meu saco é lindo e adorei os carimbos!O carteiro n deixou postal porque diz que ninguém abriu a porta….o costume. As melhoras da E. e até breve. Bj.

  8. Cara Rosa,

    Em Tomar, onde nasci, costumavam fazer-se os “Concursos do vestido de chita” nos quais participavam as jovens (e nao so) casadoiras do Concelho que desfilavam com vestidos e acessorios (carteiras, chapeus, echarpes, sapatos e ate sombrinhas) inteiramente confeccionados em chita tradicional.Nunca assisti a nenhum porque na altura era ainda garota, mas devem ter sido muito animados…

    Boas Ferias

  9. Também partilho dessas memórias do baile da chita. Aqui na colectividade da minha localidade também se chegou a fazer o famoso baile da chita e era ver as meninas que tínham o vestido mais elaborado(apesar dos padrões já demasiado ostensivos) com a respectiva sombrinha e os sapatos forrados do mesmo tecido. Penso que a escolha do tecido se revertía ao facto de ser um dos tecidos mais baratos com o acréscimo de ser estampado. Uma visinha da minha rua chegou a participar e ganhar um prémio inclusivé mas confesso que na altura achava tudo demasiado piroso,apesar de já em pequena ter um encantamento especial com o vestuário.

  10. Rosa, aqui no Brasil a chita sempre foi muito usada (mais antigamente do que agora) para fazer os vestidos das meninas para as festas juninas, que são as festas dedicadas ao santos do mês de junho (Santo Antonio, dia 13, São João, dia 24 e São Pedro, dia 27). Festas nas quais veste-se dança-se a quadrilha, tem fogueira, fogos, várias brincadeiras e barraquinhas de comidas típicas da roça como canjica, pamonha, bolo de aipim, cocada, bolo de milho. Essas festas começaram como uma reação da classe mais baixa tentando imitar as festas classe nobre quando da vinda da família real portuguesa para o Brasil. E, por não terem muito dinheiro, escolhiam a chita por ser um tecido mais barato.

    Beijos