#519

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Deste lado: tinha de fazer um link para este post, nem que não fosse senão por nele se cunhar a expressão semântica cutchi-cutchi. Esta questão dos sapatos para andar passou-me completamente ao lado. Só a posteriori percebi que era assunto, por uma amiga (olá Marta) me falar em plantares e arcos do pé. Sempre me pareceu que os bebés e os sapatos não tinham sido feitos uns para os outros (e a E. deixou quase por usar um monte deles). Aflige-me ver bebés com sapatos que não deixam os pés curvar-se e os dedos fazer ginástica (que é o que eles fazem o tempo todo se estiverem descalços). A E. começou a andar em casa e dentro de casa (da nossa, entenda-se) não usamos sapatos. As teses dos sapatos que moldam bem os pés lembram-me logo, passe o exagero, práticas de outros tempos e paragens. Nem sei bem quais foram os primeiros sapatos em que andou (talvez estes?) Só sei que eram macios e bem largos à frente, como todos os outros que teve até hoje. Ah, e o facto de não achar nada práticos os sapatos para bebés não quer dizer que não me delicie com eles.

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  1. Tenho de confessar que a história dos sapatos foi, até ao momento, a mais difícil de lidar. A minha filha só soube o que eram sapatos aos 14 mêses, no entanto os primeiros que usou (até ao momento tem dois pares)eram sem sola de couro e afins, pois concordo plenamente com a ideia de esses são como espartilhos, e assim ela começou a andar…No entanto, sem saber explicar muito bem porquê (coisas que só as mães sabem sem darem conta)comprei recentemente uns com a dita sola e tudo o que vem junto e notei um claro avanço no processo de caminhar. A verdade é que os ditos sapatos lhe deram uma “segurança” que a impulsionou. A minha humilde opinião é esta:no início acho que os pés dos bebés não devem estar confinados a tais espartilhos, porque acho que tal só atrasa o desenvolvimento dos próprios pés no sentido da descoberta do caminhar, no entanto algures, mais cedo ao mais tarde, eles sentem a necessidade de um maior “amparo” para poderem caminhar mais e melhor.

    A parte boa foi que deixei de ouvir:coitadinha!não tem sapatos!;)

  2. Pois é!Esta conversa dos sapatos também me confunde.

    O João está com 6 meses e só tem dois tipos de sapatos:

    1)sapatinhos de lã, lindinhos (que foi só o que ele usou desde nasceu, neste frio português), e 2)uns ténis ultra apetrechados, incompreensíveis para pés que não andam!

    Estivemos por três semanas de férias no Brasil, de onde voltámos há pouco… no tempo em que ele estava no calor tropical, só de fraldas, meu filho sentou-se sozinho, rebolou e começou a rastejar… batendo récordes de “corrida de barriga”!

    Por isso, penso que para quem está aprendendo a ter autonomia de movimentos, é fundamental que o faça com consciência do próprio corpo… senão, para além de estarem aprendendo a andar, os bebés também estarão aprendendo a se comportar dentro de um sapato… não é tarefa fácil.

    Vocês se lembram da primeira vez que usaram saltos altos?

  3. Pois mas às vezes deve ser difícil de resistir a eles, tão peqenos e apetitosos… mas claro sou eu a falar, que ainda só observo esse mundo de bébés e pés pequenos. Os de chita que linkaste são mesmo maravilhosos! Maravilhosa é também a #519 (tomei-a com uma “she”)

  4. olá Rosa. Muito provavelmente não é o local ideal para entrar em contacto consigo, mas como não encontrei o seu email tomei a liberdade de lhe deixar uma msg aqui.

    Criei um blog a pouco tempo, chama-se KoisasKomuns e surgiu com o objectivo de divulgar o trabalho que faço com os meus alunos , divulgar o meu trabalho e ser um fio condutor no que diz respeito a troca de experiências.Gostaria muito de contar com a sua ajuda, uma vez (por aquilo que tenho pesquisado), a Rosa “é uma musa inspiradora” para muitas pessoas.Caso possa, gostaria que visse o meu blog e que me desse a sua opinião.Gostaria também, caso possa, que me fosse informando das actividades que vão realizando, pois gostaria muito de poder participar.Aguardo a sua resposta, se assim o entender. Um abraço Helena

  5. Os meus rapazes de Verão cresceram quase descalços e não sentiram falta de sapatos. O rapaz d’ Inverno chegou a usar calçado de correcção e, dizia-me o médico :”Foi falta de andar descalço”.

    Como sobraram ops sapatinhos à Rosa, sobram-nos tantas roupas, utensílios e que mais que ficam por lá. Se os tiverem ainda e não souberem que destino dar digam, que eu normalmente sei sempre quem ou onde fazem falta. Já agora, se souberem quem tenha um frigorífico que se queira desfazer, a Partilha, associação no Bairro do Zambujal depende dele para começar a receber comida e distribuir por quem nada tem de sobra.

    Brigados. saocorreia@netcabo.pt

  6. A piolha viveu de meias (também há meias muito giras) durante o primeiro ano. Começou a andar descalça e depois teve umas botinhas de carneira da Lisbonense que usou até ao ano e meio. Depois veio o verão e foi a loucura (minha e dela, que a miúda adora sapatos).

  7. Olá Rosa. A história dos plantares que criam o tal arco do pé parece-me importante depois deles saberem andar (até lá, descalços, sempre!) para que o pé não fique chato, para que os joelhos não se juntem mais do que o fisiologicamente normal (até aos 7 ou 8 anos ainda pode ser considerado normal)e para que, em adulto, não haja problemas de postura e cansaço geral no andar. Conheço muita gente da minha geração cujos pais não ligaram nenhuma aos sapatos (só uma minoria é que usava os correctivos, que eram uma barbaridade) precisamente por acharem que quaisquer uns davam e que hoje em dia, além de meterem os pés/joelhos para dentro por os pés não terem força na tal zona do plantare, cansam-se a andar e parece que tropeçam nos pés.

    Eu mesma noto isso nos sapatos dos meus filhos (e nos meus!): os que têm plantare (até os bons ténis têm plantare)têm a sola gasta por igual. Os que não têm plantare (sapatos de verão, sandálias) estão gastos da parte de dentro porque eles entortam ligeiramente o pé para dentro. O mesmo pode acontecer com os meus, que nem tenho pé chato nem meto os joelhos para dentro.

    Enfim, claro que para além do plantar devem ser cómodos e leves e deixar os dedos bem à vontade. As botas correctivas de outrora, para além de não levarem em linha de conta que a tal posição para dentro é fisiologicamente normal até aos 7/8 anos, restringiam de tal forma os movimentos do pé que provocavam, também elas, más posturas. Um dos meus irmãos é exemplo disso. Em pré-adolescente teve de fazer ginástica correctiva para corrigir o que as botas na infância lhe tinham feito à coluna!

    Desculpa a longa homilia!

    Beijinhos

    m.

  8. E o pior é que eu também acho muito giras as sandálias formativas que comprei à Alice. Houvesse para mim, comprava umas. No entanto, neste caso, acho que atrapalham mais do que ajudam. Quando souber andar bem, na rua, há-de ter sapatos de sola, evidentemente. Nós não andamos de meias nas pedras da calçada.

    (O que me irritou mesmo foi a geração anterior achar claríssimo como a água, mesmo antes da opinião do médico, que o melhor para aprender a andar eram sapatos formativos. Pelos vistos, mesmo o Dr. Spock recomendava em sentido contrário…)

  9. pois quase nunca usei sapatos nessa vida. nem eu, nem o meu teodoro que desde que nasceu anda descalços e agora que vai no maternal precisa calçar sandálias, o que sempre resulta em birras e choro. na minha casa não se entra calçado e ficar com os pés livres é um exercício fenomenal para quem metaforicamente “anda com a cabeça nas nuvens” e não consegue “por os pés no chão”. quando adentrei ao mundo dos crafts, queria fazer sapatos de tecido, como os que minha mãe fazia quando eu era pequenina, que fossem confortáveis e ao mesmo tempo aptos a andar na rua, de alguma forma também duráveis. veja só no que deu. não consigo mais me livrar das minhas sapatilhas! (http://filhamama.blogspot.com)

    e ainda não consegui fazer um modelo para meninos, fato que deixa o meu filhote muito aborrecido…

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