a batalha que eu não travei

barbie

Militei contra o mentecapto do barrete azul, controlei com mão de ferro a ingestão de açúcar nos primeiros três anos, continuo a subtrair os saquinhos de lixo alimentar que se tornaram (triste) lembrança da maioria dos aniversários e sou refractária à piroseira em quase todas as suas manifestações, mas aqui nem cheguei a dar luta. Para escândalo das matriarcas da família (educadas e que me educaram para ser o oposto do que a boneca representa), na Páscoa que passou ofereci uma Barbie à E. Fazem-me impressão os pés demasiado pequenos sempre em meias pontas mas, de resto, estou mais ou menos em paz com a personagem. Parece-me quase ingénua, ao lado da sua maior concorrente e de outras inventadas entretanto. A E. penteia-a longamente e nunca lhe veste as calças de ganga que comprei para que tivesse um aspecto vagamente mais familiar. Prefere o vestido de princesa e brinca uma e outra vez aos bailes e casamentos com um príncipe imaginário (às vezes protagonizado pelo comando da televisão). Faz parte. Não deixou de brincar com a Rosa Clara nem nenhum dos outros. Talvez um dia destes lhe mostre estas.

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  1. Sei perfeitamente ao que se refere e à batalha que temos de travar na sua primeira infância e talvez pela vida fora também,penso eu.

    Partilho da mesma opinião àcerca de uma série de coisas.Também fujo aos esteriótipos, aos doces, à massificação de gostos e interesses mas é dificil.Há sempre uma avózinha,tia ou qualquer outra pessoa querida que nos invade a casa com o tal “mentecapto do barrete Azul”, ou Urso que come mel e tem uma série de amiguinhos que nem sequer do mesmo habitat fazem parte, entre muitos outras coisas.É dificil resistir por muito tempo.Agora que apenas tem 2 anos,tento a todo o custo minimizar os estragos desta sociedade de consumo e tentativa de nos por a pensar de igual modo, o meu receio é quando ele crescer mais um pouco e o “Monstro” se torne mais dificil de derrotar.

    Excelente post Rosa.Beijinho Edien

  2. E ainda bem que não batalhaste! Por mais que se faça o melhor para os filhos; e sorte dos que têm pais “conhecedores”, não se pode proteger de tudo, nem de estereótipos, isso será trabalho dos pais ao longo dos tempos.

    É importante que a E. ou outra criança se sinta pertença dum grupo, até porque já não come batatas dentro de caixa (felizmente). Sinceramente, acho que conversando com ela e tendo ela bonecas diferentes ela saberá distinguir realidade e imaginário.

    Além de que, é uma delícia pentear e fazer penteados em longos cabelos, e brincar às princesas e fadas.

    Acho que são rituais de passagem. Quando não se passam na idade certa, fazem-se papéis tristes.

    Sempre fui “maria-rapaz”, bicicleta, rua e ler. Ridiculamente encontrei as bonecas guardadas desde sempre ao dezasseis, pois é, brincava com elas às escondidas. E “brinco” agora. Enfim. Pode ser que ainda venha a ter “arranjo”. ;D

    Beijo Sandra Pereira

  3. Ahahah Rosa o mentecapto do barrete azul! :D

    Quanto ao Noddy, não sei que influência poderá ter no desenvolvimento de uma criança, com as suas constantes incertezas e os dramas diários. Apesar do enorme negócio-hipnótico que a sua imagem envolve, até gosto dele.

    Mas quanto à Barbie devo dizer, por experiência própria que ela me fez muito bem. Tive umas 10. Depois de todas as novelas que viveram nas minhas mãos, encarnando os meus pensamentos mais fúteis, acho que absorveram por completo a adolescente pirosa e parvinha que eu poderia ter vindo a ser. E ainda bem! :)*

  4. Amen, amen, amen!

    Confesso que travei essa batalha nos primeiros três anos até que alguém, à minha revelia, lhe ofereceu uma e eu vi que não fazia mal nenhum. Já tem mais que uma, sim, e uma delas até fomos nós que oferecemos, e é como tu dizes, a rival, que também lhe ofereceram (e a que ela, curiosamente, pouco liga) é que é absolutamente imoral. Dá uma olhadela à sinopse dos filmes da dita cuja na FNAC e julga por ti.

    A Barbie, cabecinha oca e cor-de-rosa não obstante, tem bons sentimentos… Eu sei porque agora até os filmes (Quebra-Nozes, Rapunzel, Lago dos Cisnes) por cá se vêem, quando os rapazes da casa deixam, é claro…

    Quanto aos saquinhos das festas, que também é uma das minhas obsessões, o meu truque tem sido deixá-los comer as porcarias que abundam pelas mesas (e que muitas vezes nem são muitas, porque estão todas nos saquinhos)e depois, no final, quando já estão cansados e fartos da festa, entregam-me directamente o saquinho, que eu me ofereço por guardar na mala ;) e esquecem-se completamente dele. Assim que chegamos a casa deito-o no lixo (não é reciclável, pois não?).

    Felizmente que do mentecapto com o barrete azul ninguém gostou, excepto o minorca, que adora mesmo é os carros (a mota, o carro do mentecapto, o do polícia)…

  5. Fizeste tu muito bem. O Noddy do meu tempo era o original da Enid Blyton, com uns livros deliciosos traduzidos para português, não esta versão que se vê agora por aqui.

  6. a minha mãe proibio-as, à sua rebelia só me ofereceram uma aos 9 anos. dei-lhe pouco uso.já a minha irmã, mais nova 2,5 anos, conseguiu que o meu pai lhe trouxesse uma de espanha, provocando amuo matrimonial. não somos de estereótipos, também tivemos os livros da anita (talvez o seu contrário!) e nunca mais vamos ser estereótipo da anita!já muitas vezes pensei o que vou fazer quando for mãe: barbie sim, barbie não, anita sim, anita não. concluo que a batalha mais importante é a referência do que somos,como pais, o que cada um dos nossos gestos transporta, cada uma das viagens, brincadeiras partilhadas… concordo com algumas ideias básicas a militar, às quais também não cederia…mas uma barbie é UMA barbie nada mais do que isso(numa família consciente)…e chega que já vai longo…

  7. Não sei bem como é o Noddy de agora… só lhe vi uns poucos episódios, um dos quais em inglês e não achei mt bom… realmente a parafernália de merchandising que se faz dele agora é que mete medo! Eu lembro-me do Noddy quando era miuda, e até lhe achava piada, mas era tudo muito diferente… eram todos de madeira e assim! Por vezes, face ao ridiculo que certos miudos aparentam já em tenra idade, dou por mim a pensar que não quero ser uma mãe dessas que dá tudo e deixa ver tudo… as barbies cá em casa não entraram à vontade! Sou a do meio, os outros dois são rapazes… o meu irmão mais velho tinha uma espécie de ken, vestido de tropa, não sei que boneco era pq na altura nem havia action men! Eu imaginva que ele era um ken, mas n tinha barbie e quando via as 500 que as minhas colegas tinham desde pequenas ficava meio triste… mas sempre adorei nenucos e barriguitas, plasticina e panelinhas por isso tb acho q n pensava mt nisso… a minha mãe não gosta de barbies, eram carissimas, não mas comprava! Uma vez foi a Paris e lá me trouxe uma vestida de princesa… tive depois mais umas duas e um ken. Confesso que o que mais me dava gozo era montar-lhes a casinha. Quando aprendi a tricotar foi para lhe fazer uma camisola! Curiosa e talentosa como a E. é, acho que ainda acaba por lhe fazer roupas originais! ;)

    ufa! que comentário gigante!

  8. engracado, ontem comprei-lhe uma barbie por um euro no mercado do dia da rainha, muito velhinha e sem vestido de princesa, so para experimentar. nao lhe ligou muito e continua a preferir os legos do irmao. eu nunca tive barbies, mas tive tuchas e a joana. quanto ao noddy nao conheco, tenho um livro que alguem me deu, mas que nao bate os mais de 35 livrinhos de ouro que coleccionamos e sabemos de tras para a frente. eu dou-lhes pipi das meias altas e classicos holandeses do tempo do pai, eles gostam!

  9. Ola! Quanto aos desenhos animados, pouco sei, alem de ter lido uma entrevista com a senhora que escolhia (escolhe?) os desenhos animados na RTP. Ela considerava que um tal de Ruca era superior ao Noody, que passa a vida a pedir desculpa.

    Quanto ‘a alimentacao concordo plenamente com os chamados fundamentalismos. O que as criancas comem agora e’ bastante diferente daquilo que comiamos ha’ 30 anos. A industria alimentar nao e’ sempre transparente.

    Deixo aqui um site, que tem um pequeno filme sobre qual deveria ser a posicao dos novos pais relativamente aquilo que os mais pequenos comem.

    http://www.mouthrevolution.com

  10. Que bom, ouvir falar mal do Noddy. Odeio o boneco. Acho feio e desinteressante. Mas sinceramente, e embora me preocupe com os valores que os bonecos passam, não acho que uma criança que goste do Noddy ou da Barbie vá ser um adulto tão mentecapto quanto os bonecos com que brincou.

    Concordo com alguém que deixou um posto em que dizia que o mais importante são os valores que nós passamos aos nossos filhos. Todas nós, adultas conscientes, amigas do ambiente e preocupadas com a qualidade da alimentação dos nossos filhos temos uma piroseira de estimação. Seja uma música, uma roupa, um filme. E não é por isso que somos menos interessantes ou inteligentes. E há diferenças entre oferecer uma Barbie ou 50 Barbies e seu respectivo Castelo que custa quase um ordenado mínimo. Tudo tem uma medida certa, e cabe a nós pais gerir essa medida.

  11. O Noddy até nem é dos piores, ao menos aborda temas de interesse (como se deve ou não agir perante certas situações, como achar uma carteira, como tratar os amigos, ou o que acontece quando dizemos mentiras).

    Pior mesmo foi a fase da Floribela (que infelizmente está a voltar)! Contra essa lutei com unhas e dentes com algum sucesso (ela aproveitava para ver quando ia a casa da avó, as avós fazem o oposto do que lhes pedimos… grrr!).

    Em relação á Barbie, também não lutei pois também tive e pode-se dizer que as minhas primeiras costuras foram vestidos e roupas para elas! Agora quando ela só fala de vestidos, batons e verniz, passamos uns tempos sem tocar nesses temas e sem comprar nada que tenha a ver, não me perdoarei se ela se tornar fútil por causa disso!

    De resto é melhor mesmo é que as crianças corram no parque e brinquem ás escondidas que ficar fechados em casa a brincar com jogos electrónicos! É preciso enfrentar a tecnologia e o consumismo ou que sofre são eles, no futuro.

    A minha Jé, com 5, tem 6 Barbies (uma da avó, uma do tio, uma do avô…)

  12. A parte boa de ser mãe com vinte e poucos anos, é que me lembro muito bem da minha infância. Tive uma barbie: cortei-lhe o cabelo , fazia-lhe vestidos de tricot e perdia sempre os sapatos. Já na minha altura via os desenhos animados aos sábados de manhã e já então as crianças eram completamente bombardeadas com anúncios a tudo e mais alguma coisa. Não havia livro de banda-desenhada que não viesse “embrulhado” em publicidade!

    Para mim existe uma grande diferença entre as crianças “conhecerem” os produtos e “consumirem” os produtos. Não acredito em mantê-las na ignorância, mas acredito que no final os hábitos incutidos pelos pais são os que prevalecem na vida adulta. É muito importante que conheçam tudo o que as rodeiam, para que possam perceber porque é que umas coisas são boas e outras não.

    Acredito até que este “conhecimento” pode ser uma espécie de vacina contra um consumismo compulsivo em idades mais avançadas.

    Enfim, para tudo acredito no equilíbrio.

  13. foi-me recusada uma vida inteira uma barbie, para grande desgosto meu e talvez por isso nem tenha hesitado quando a Maria revelou interesse por uma.

    o mal não está na boneca, mas nas nossas cabeças.

    dar-lhe-ei a liberdade de escolher e pensar desde cedo sobre isso, embora me irrite (e ela não simpatize )com o Noddy mas não consiga de forma nenhuma escapar ao Ruca.

  14. Alguém já disse que antes de se aprender a ser diferente temos de ser iguais…o bom senso deve prevalecer e aplica-se tanto às Barbies como ao McDonalds. Entretanto, sublinarmente, podemos tirar do sótão as Nancys dos anos 70/80 (as minhas filhas não lhes resistiram) e oferecer uma Carolle mais moderna. Com a diversidade elas vão aprender a diferença e a ter gosto nela. Tudo o que é imposto mesmo o politicamente correcto, dá em asneira. Foi assim com todos os totalitarismos.

  15. Pois eu fiz como a Helena: Contra-ataquei! Fui buscar ao sotão a minha Nancy que reapareceu linda e maravilhosa com a sua perna larga e a quem nos temos deliciado a renovar o guarda-roupa. Quanto à Barbie, para já ainda ouço “nós não gostamos, pois não mãe?”… Até ver.

  16. Desculpem estar a re-comentar, mas não resisti ao comentário da Helena: também acabei de oferecer as minhas duas Nancys à minha filha quando fez 5 anos. Neste momento são as bonecas preferidas dela e olhem que ela ama as suas Barbies. E repegando também no que a Helena diz, nunca me esqueço que o Hitler era vegetariano, anti-tabaco, abraçador de árvores e amigo dos animais, e muito militante de cada uma dessas causas!

    Para mim o mais importante é que a minha filha brinque, que brinque com bonecas e tachinhos e roupas e essas coisas todas. Eu brinquei até aos 12 anos, como a maior parte das miúdas da minha geração – tenho 37 – (comprei a 2ª Nancy com a minha mesada) e faz-me impressão que as miúdas de agora, segundo oiço dizer, aos 8 ou 9 anos comecem a achar que é infantil brincar.

  17. Eu tive várias Barbies em pequena mas nunca perdi o interesse pelos meus amados peluches zarolhos, pelos legos ou pelos meus livros.

    Muito pelo contrário, cada um destes brinquedos desempenhava uma função e alimentava interesses distintos, ainda que complementares.

    Com as Barbies eu imaginava e encenava facetas e situações da vida adulta alternativas às que eu vivia e que não me agradavam e assim sonhava a possibilidade de uma existência feminina totalmente inversa à que me cercava.

    As minhas Barbies tinham irmãs e amigas animadas (eu não)

    As minhas Barbies saiam de manhã para o “escritório” e tinham carreiras fulgurantes, tinham carro (a base da mesa da sala), passavam férias sozinhas, batiam com as portas, eram independentes e marimbavam-se para o Ken, figura obscura e totalmente de décima grandeza (nenhuma das mulheres da minha infância era assim)

    As minhas Barbies tinham filhos mas não tinham marido e não se sentiam nada mal por isso nem ninguém lhes apontava o dedo na rua.

    As minhas Barbies vestiam vestidos lindos para fazer o jantar aos filhos porque gostavam delas próprias e de se sentir bonitas.

    Eu sei que os tempos mudaram mas na minha infância (tenho quase 29 anos), as Barbies não simbolizaram uma feminilidade fabricada, falsa e castradora, eram embaixadoras de uma vida plena, eram veterinárias e médicas, eram giras e independentes e sorriam e não tinham vergonha de se arranjar nem procuravam desculpas para isso. Assumiam a sua vaidade sem falsos pudores, sem precisar de desulpas ou justificações, eram o cúmulo do amor próprio.

    Se calhar fui eu que tive muito azar, mas na minha infância, foram das mulheres mais felizes que conheci.

  18. Tenho 25 anos e lembro-me da primeira vez que li as histórias do Noddy. Requesitei o livro da Biblioteca Itenerante (que saudades) e não fui capaz de pousar o livro até o acabar.

    A primeira vez que o vi na TV não o reconheci…

    Foi graças às Barbies que aprendi a coser à mão e a tricotar (para fazer roupas para elas) e tive muitas. Ainda hoje gosto delas e faço muitas roupinhas para as da minha sobrinha.

    Hoje sou uma mulher equilibrada, posso dizê-lo. Portanto Rosa, foi a decisão acertada, muito provavelmente.

  19. Rosa,

    não tenhas medo de ter uma Barbie em casa! Eu tenho uma caixa cheia delas, que foram chegando naturalmente do exterior (é o que faz ter muitas Tias, montes de primas e tantas amigas…) e não tenho dúvida de que por si não têm quaisquer efeitos nocivos nas meninas! De facto, como diz a Ana Rute, é apenas uma boneca e o “mal” está é nas nossas cabeças. E o que simbolizam, como se vê pela Jinx não é linear.. Umas meninas gostam, outras não. Umas virão a ser umas Barbies, outras não.

    Eu acho que educar é ensinar a fazer escolhas e não, de todo, impor modelos. Apetrechar com referências e valores que permitam encontrar o seu caminho: não necessáriamente igual ao nosso.

    Defendo a mão ferrea na ingestão do açucar, pelo menos até aos 3, e outros controles alimentares, incluindo a disciplina da sopa (a melhor maneira de garantir a ingestão de uma boa quantidade e diversidade de legumes…). São hábitos que ganham raízes desde cedo e que têm uma tradução directa na nossa saúde, tesouro de que se deve cuidar. Mas no que se refere à nossa cabeça, não acredito nada em tabus e imposições. Como tu bem sabes, ela quer-se bem livre e para tal bem “equipada”. Sempre detestei totalitarismos e desagradam-me crianças réplicas acríticas dos seus pais. E cada vez mais me convenço que o mais determinante são os exemplos próximos, que se aborvem desde tenra idade. Não serás certamente aquela Barbie que detestas para modelo da tua filha: não te preocupes por isso com um mero brinquedo de plástico, com o qual ele pode passar horas bem divertidas (por inconcebível que isso te possa parecer). Desagrada-me mais o consumismo, o brinquedo rapidamente descartado a que não se tem apego (compra outro, rápido!), que se pode desenvolver mesmo em torno dos mais politicamente correctos. Preocupa-me muito mais a tendência actual de não se proporcionar às crianças tempos livres e a incapacidade que se gera de viverem sem actividades dirigidas e pré-programadas, e os efeitos que daí resultarão na sua criatividade e desenvolvimento interior.

    Faz como eu: proporciona-lhes traquilamente outros brinquedos e outras estéticas, que te dão muito gozo,e o resto virá por si.

    Como disseram a Helena, a Ana Rue, a Alice: equilíbrio, bom senso e, digo eu, confiança!

  20. E para algo completamente diferente…e insistindo na tónica do politicamente (in)correcto. Não cheguei a comentar a questão da McDonalds, mas agora não resisto. Há vários pontos que merecem a nossa reflexão para além do óbvio, i.e que a junk food faz mal. Em primeiro lugar Michael Moore não é inocente na forma como faz os documentários, como toda a gente sabe,mas neste é flagrante a tontice: é evidente que alguém a comer Big Macs 3 vezes ao dia durante um mês fica doente; mas ficaria igualmente doente se em vez disso só comesse tofu ou risoto com porcini; e não é estranho que só refira a McDonalds quando há tantas outras cadeias de fast food? Eu até confio mais na McDonalds que de tão vigiada não se pode dar ao luxo de ter problemas de higiene alimentar. Em segundo lugar, no dito estabelecimento, onde as calorias e demais nutrientes até estão indicados nos alimentos, as minhas filhas (que sim senhor lá vão de vez em quando)comem um hamburguer natura que é só carne grelhada e pão, água e iogurte… e também há sopa e salada. Elas ficam com o brinquedo que é o que querem e depois vão comer percebes e camarões da costa com os pais: uma questão de equilibrio. As crianaçs funcionam com exemplos e a piroseira começa em casa…ou não. E para terminar: o Noddy e o Ruca eram desenhos animados encantadores e educativos enquanto passavam na 2; agora que passam no Panda e há todo o marchandising são bonecos não gratos: onde está o preconceito?

  21. olá Rosa!

    Tenho trinta anos e, tal como a Ana Rute, sempre me foi recusada a barbie. Lembro-me perfeitamente de me sentir triste por não ter uma, e só muito mais tarde entendi as razões dos meus pais. Na altura não compreendia. Não fiquei com nenhum trauma de infância por não ter tido uma, mas de facto foi algo de que não me esqueci.

    Os noddys, os rucas, o macdonalds, as pistolas e as facas, os desenhos animados violentos, o açucar, e essas coisas todas, existem e os nossos filhos, mais tarde ou mais cedo, têm algum tipo de contacto essas realidades. Tenho dois filhos: um menino com 12 anos e um menino com (quase) 2 anos e com eles nunca fui pelas restrições extremas, nem pelos excessos. Tento ensiná-los a escolher aquilo que me parece ser o melhor para eles, mas não escondo aquilo que (sei que) lhes faz mal.

    Quando o meu filho mais velho tinha uns 5, 6 anos o desenho animado que estava na moda era o Dragon Ball (nada violento, não senhor!). Em vez de o proibir de ver (apeteceu-me muitas vezes), sentei-me com ele a explicar o que estava a acontecer. Viu sim…mas com sentido crítico. Tal como quando teve curiosidade pelos Morangos com Açucar (série que eu detesto) tentei explicar-lhe o que acho são os valores errados transmitidos na série.

  22. 2 confissões, para ser honesta:

    – adoro o Noddy! Quem conheceu as edições deliciosas dos inícios dos anos 60 não pode não gostar. Que se dane o marchandising associado!

    – com as minhas teorias sobre a “liberdade do espírito” assumo sem qualquer problema que censuro sem qualquer pudor as emissões televisivas que na minha casa chegam às minhas filhas (uma já com 9 anos): não há acesso livre (é combinado), não há canal Panda (sempre reduz a carga de solicitação), não há noticiários da TVI a entrar pela boca dentro à hora das refeições (nem TV nehuma), não há Morangos com Açucar nem Floribelas nem reality shows (só a título excepcional, em dose conta-gotas para saberem de que é que as colegas falam…e com os pais sempre a dizerem mal daquilo) e sobretudo há restrição do tempo. Não podem estar um dia inteiro a olhar para aquilo: escolhem se querem ver aquele filme tão giro que vai dar, ou o circo, ou o documentário sobre os ursos. ou a série de aventuras, ou… Lá está: saber escolher. Mas há coisas que à partida estão fora da escolha (mas não será por muito mais tempo que poderei impor esse filtro…: a dada altura deixa de fazer sentido). E esta censura é porque não tenho dúvida nenhuma de que a TV sem controle aperreia qualquer espírito tenro. Censura em prole da liberdade: pode parecer contraditório mas não o acho…

  23. Helena,

    o documentário “Super Size Me” não foi realizado por Michael Moore mas sim por Morgan Spurlock.

    Nenhum deles é de facto inocente na sua forma de trabalhar, mas convém não esquecer que eles são realizadores do género “documentário”, não do género ficcional – são, quase por definição, críticos, politicamente comprometidos, moral e eticamente empenhados. Tendenciosos? Talvez, mas de pleno direito. Opinativos diria eu.

    Se o Super Size Me é tontice ou não, ficará ao critério de cada um de nós. A escolha recaiu sobre a cadeia Macdonalds por várias razões, algumas das quais mesmo que não tivessem sido já enunciadas de forma clara pelo realizador, me continuariam a parecer maóbvias. É a maior cadeia dos EUA e em termos internacionais, uma das das maiores e mais omnipresentes. Para o realizador, o projecto partiu originalmente de uma notícia de duas jovens que iam processar o Macdonalds pelos seus problemas de peso/saúde.

    Quantos à saladas e sopas que esta cadeia vende, aconselho-a a ler bem os perfis nutricionais das saladas, por exemplo. Os níveis de gordura (para não falar na contagem bruta de calorias)destas refeições são um atentado ao bom senso. No meu entender, estas alternativas saudáveis são um embuste, não passam de tentativas pouco convictas, que mascaram com fotos de alfacinhas e tomates brilhantes a manifesta ausência por parte desta multi-naciona de um compromisso ou preocupação real com a saúde ou bem-estar dos seus consumidores.

    Mas atenção, eu não dou uma “neo-fascista” alimentar. Acredito que todos nós somos responsáveis pelas nossas próprias escolhas e não devemos culpar 3ºs pelas consequências das mesmas.

    Não sou é ingénua ao ponto de me deixar convencer que a multinacional Macdonalds (ou a Coca Cola ou tantas outras) se preocupam minimamente com a minha saúde e portanto não lhes confio a mais pequena fracção da minha alimentação.

    Outros pensaram de outro modo.

  24. Cara Jinx

    Peço desculpa pelo equívoco da autoria do filme: o estilo é, como disse, o mesmo e daí a confusão.O que contesto no documentário é precisamente o seu carácter ficcional ao tentar provar a sua tese através da ingestão diária e exclusiva daquele tipo de comida e daquela empresa. Isso é tontice…na minha opinião. Por outro lado, também contesto que a McDonalds ou qualquer outra empresa do género sejam as responsáveis pelos distúrbios alimentares que começam bem cedo com as comidas para bebés, os iogurtes aditivados e continuam pela vida fora num estilo de vida apressado sem sopa, peixe grelhado e com comidas pré-cozinhadas. E, apesar de tudo, tenho menos medo de comer na McDonalds que tem contas a prestar, especialmente aos complexos “americanos” dos americanos,do que no chinês, vietnamita, vegetariano ou café da esquina que não tem contas a prestar e pensam, esses sim, no lucro do fim do mês.

  25. gabo-te a valentia de expores a público uma coisa destas mas enfim, nalguma coisa tinha de sair à tia :)

    e ai, que saudades da tv barbie-vai-ser-comida-pelo-tubarão-já-já

    um beijo

  26. Olá

    Adoro esta “Ervilha”, adorei estes comentários…na devida altura. Por não ter ainda filhos não partilhei ideias, mas hoje no comboio do “deserto” (leia-se Margem Sul)p/Lx ouvi uma Sr.ª contar a 2crianças mto impacientes historias do mentecapto do barrete azul, permitindo aos restantes menbros da carruagem um descanso p/os ouvidos. não resisti e estou aqui a participar Partilho inteiramente as ideias da Rosa em relação aos estereótipos e sou um pouco fanática, mas hoje deu tanto jeito……

  27. nao percebo porquê tanta guerra com o Noddy… sim, tornou-se irritante por causa da máquina publicitária a que foi sujeito, mas disso não tem ele culpa: qualquer coisa à qual se insira tanta publicidade – e ele é camisolas, e ele é chapeus e roupas de cama e sei la que mais – torna-se muito irritante. Mas isso é como TUDO! Ainda para mais o Noddy é criação da maravilhosa Enyd Blyton que encantou toda a minha infancia com as suas publicações! Tambem amo os livros da Anita e tou a ver que qualquer dia voltam em força se alguem se lembrar de a tornar 3D…tambem as bonecas lindas que a rosa pomar faz podem tornar-se assim um dia… vitimas do comercial! Nao tenho preconceitos contra o noddy, ate o acho querido, e a animação e os cenários são suberbos. Só tenho de concordar que tambem acho as histórias um bocado ridiculas de tão parvas que são… mas penso que a linguagem é para bébés! são historietas básicas para a compreensão ainda básica dos mais novos… mas não anulam nada a criatividade cerebral nem tao pouco são uma afronta. just my opinion…

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