Monthly Archives: April 2007

cantos da (não exactamente) minha casa

folha

Cinco dias, um monte de ovos de chocolate, um passeio Douro acima e dois passarinhos depois, estamos de volta a Lisboa.

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a minha sardinha

selo Chita

Os CTT estão a promover um concurso de propostas para emissões filatélicas do próximo ano. Já só faltam três dias para a votação terminar, de forma que não conto ficar entre os dez primeiros lugares (os que passarão à fase seguinte), mas não podia deixar de puxar a brasa à minha sardinha e propor uma colecção de selos sobre chitas.

portugal, um retrato social

soajo

Soajo, 1980. Fotografia de Alexandre Pomar.

Desde os primeiros anúncios, que pediam depoimentos e histórias de vida, que aguardava a estreia desta série da autoria de António Barreto. Perdi o primeiro episódio mas, depois de ontem ter visto o segundo, espero ter as meninas a dormir a horas de não perder mais nenhum. Conhecia de outro documentário as declarações chocantes do autarca algarvio dos anos 70, a propósito da urbanização selvagem do sul do país, mas as imagens do Portugal a preto e branco põem-me sempre a pensar. A preto e branco não há gordos. Reparei nisso há anos, julgo que nos excertos que vi das recolhas de Michel Giacometti, e nunca mais consegui deixar de ver (em todas as imagens do programa de ontem, uma única mulher não era magra) essa fome quase omnipresente até há tão pouco tempo. Desse país, o dos meus pais e avós, o que conhecerão as minhas filhas? Das visitas de estudo que fiz durante a primária, as que melhor recordo foram a fábricas: uma de conservas (acabou com a turma a deliciar-se à mão com uma lata gigante de cavala), outra de açúcar e ainda a de bolachas e chocolates da Aliança. Eram todas em Lisboa, dentro da cidade. Nenhuma sobrevive. Restará talvez para elas desse Portugal, o rural e o das fábricas, o que foi guardado e/ou reinventado pelos ranchos folclóricos (sem eles não seria certamente possível comprar hoje – e pela internet – um fato completo de lavradeira do Minho), por alguma museologia e pelos nichos de mercado.

Nota: na fotografia, tirada se não me engano num princípio de Primavera em que a água das poças ainda gelava, mais uma achega para a história do mundo antes das fraldas descartáveis, sobre a qual comecei a interrogar-me nesta altura: o menino, provavelmente com dois anos, tem sapatos e meias até aos joelhos (vêem-se noutra fotografia da mesma série) mas, da cintura para baixo, mais nada.

casa tavares & tavares

Casa Tavares & Tavares

Mais uma entrada para o Crafty Tour of Lisbon, com uma loja que parece não ter mudado muito nos últimos anos e felizmente continua cheia de fregueses. Os lojistas têm bigode e muitos anos de caixa, como gostam de dizer. É uma das minhas preferidas em toda a Baixa de Lisboa.

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da E

nós as 3

De mãos gigantes, caracóis, varinha mágica, uma filha no sling e outra pela mão. Desconfio que a parte da varinha é uma indirecta.

…e aquela mão suspeita na boca da irmã?

carreço em lisboa

cabeçudos

Apesar de irmos todos os anos, a E. nunca tinha visto dançar o rancho de Carreço Grupo Folclórico e Cultural Danças e Cantares de Carreço*. Ontem, sem sair de Lisboa, vimos rancho, cabeçudos, gigantones e zés-pereiras. Ela gostou mais do rancho, claro e, depois de meter conversa com uma das mordomas para lhe poder ver de perto os ouros e as roupas, veio embora a ensaiar o Vira. E eu vim embora a relembrar os passeios e tudo o que aprendi (sobre vacas, coelhos, galinhas e etc.) com a minha amiga Lígia, uma das lavradeiras de há vinte anos.

Mais sobre o dia de ontem aqui.

*Obrigada, Diana e Paula, pela correcção!

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