less is more

block to be

Se as mulheres de Gee’s Bend tivessem à disposição tecidos caros comprados de propósito, em vez das roupas velhas da família, teriam chegado onde chegaram? Se não estivessem limitadas na quantidade e qualidade da matéria-prima, teriam na mesma gerado peças com qualidade para serem expostas nos melhores museus? A pergunta em si não faz sentido, mas a verdade é que algumas limitações podem ser estimulantes. Da produção de cada um dos meus slings sobram oito quase triângulos de tamanhos variados e uma tira de largura irregular. Vou dar-lhes destino.

Os quilts de Gee’s Bend inspiraram: o lindíssimo Fletcher’s Quilt, My Indigo Window, wool lap quilt, Matty’s quilt.


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7 comments » Write a comment

  1. Soube o que era um quilt antes de saber o que significava a palavra quilt. O meu avô aproveitava tudo e mais alguma coisa, da minha (não muito longínqua) infância lembro caixas, caixotes e caixinhas de tampas de detergentes, botões velhos, embalagens de tudo e mais alguma coisa que não se podiam deitar fora, porque tinham que se aproveitar. De ir buscar fruta podre ao mercado, de não acender a luz da casa de banho. De não cumprimentar os netos com um beijo porque era a melhor forma de transmitir micróbios e depois tinha que se gastar dinheiro em medicamentos. Ainda hoje encontro meias dos Ecuteiros do meu pai cosidas e recosidas e tão duras dos remendos.

    Sim, era doença.

    Mas por causa disso, a minha avó usava todos, todinhos, os farrapos que sobravam das roupas que fazia, das roupas velhas, para fazer mantas (que há pouco tempo descobri que se chamavam quilts). As minhas conversas de almofada antigamente não eram com a almofada e sim com os padrões dos quilts que ela cosia.

    E contra a vontade do meu avô, cada uma das noras, filhas e netas tem um traje completo de lavradeira do minho, the works: a saia bordada, a camisa, o corpete, o avental, os socos (que já há muito deixaram de me servir), o lenço de lavradeira e o lenço dos namorados.

    Leio regularmente o que postas e para além da admiração por todas as coisas bonitas que crias e de que te lembras, sorrio ao imaginar a A. e a E. aconchegadas nessas obras de arte que tantas memórias me trazem.

  2. bom dia ervilha,

    tens uns sapatitos vermelhos lindos,

    eu de pequenina tive uns parecidos,

    agora que já sou grande,

    não resisti a comprar uns parecidos,

    e por aí vou, toda vaidosa com as minhas camper, vermelhitas no pés…

    olaririlooooo!!!

    bonito post,

    os sapatitos vermelhos. gostei muito, lol!!!

  3. Muito interessante, como sempre, o seu “post”. Para além da simplicidade e partilha do quotidiano, a Rosa deixa sempre uma marca de cultura e sabedoria.

    Acho super interessante o seu blog, não apenas pelo aspecto pelos trabalhos maravilhosos que faz mas também pelo seu conteúdo socio-cultural, muito informativo e de qualidade.

    Muito obrigada por partilhar…

    Bom fim de semana :o)

  4. Pois, a necessidade faz o engenho… mas no caso Gee’s Bend, não é com certeza só engenho. São lindos! (Obrigada por mos dares a conhecer Mary!)

    Quantas vezes a minha avó andava às voltas com um trapinho que ou esfarrapado, ou com uma mancha, rodava e virava, até encontrar a posição certa na almofada de retalhos?

    :)*

  5. Também eu já me fiz essa pergunta muitas vezes Rosa…

    Se por um lado acho que os tecidos têm uma grande influência no trabalho final (se calhar como as cores vibrantes o têm numa pintura magnífica), por outro lado, não aguçam o engenho o suficiente para os transformar verdadeiramente…

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