traje à vianesa

viana do castelo

viana do castelo

trajes

Há muito tempo que não estávamos em Viana nas festas de Nossa Senhora d’Agonia. Este ano também não assistimos aos desfiles mas passeámos um bocadinho pelo centro na sexta-feira de manhã. As ruas estavam apinhadas e, com duas crianças pela mão, tirar fotografias decentes foi impossível, mas não podia deixar de tentar registar o que mais me impressionou. Não foi o facto de serem e tantos os grupos de mulheres trajadas à vianesa e a participação empenhada nas festas continuar a fazer parte da vida de tantas adolescentes da região. Foi a forma como se vestem muitíssimas das pessoas que vão a Viana ver as festas. Não sei se é uma novidade ou não, mas foi aquilo que tive mesmo pena de não fotografar melhor: o traje à vianesa 2010. O seu elemento principal é o lenço (quase sempre a versão corrente, em viscose ou poliéster) dobrado em triângulo e atado à cintura, desviado para um dos lados. De resto, a toilette varia: calças de ganga justas e camisa à vianesa de produção (semi-?) industrial, em linho ou algodão branco bordado a azul (ou, mais raramente, vermelho), com brincos de filigrana a rematar são a combinação mais frequente. A alternativa, mais arrojada, compõe-se na mesma de calças justas quase sempre de ganga, t-shirt branca justa, colete bordado (alguns deles lindíssimos) e ainda, nalguns casos, chapéu preto, baixo, de homem. Ficam as imagens possíveis e uma montagem para explicar melhor a ideia.

viana do castelo

viana do castelo

viana do castelo

viana do castelo

21 comments » Write a comment

  1. não sei se se pode chamar traje moderno à vianesa ao que tu mostras… pessoalmente acho bem mais interessante o traje popular que viste na feira, composto de lenço (às vezes), chinela (que pode ser havaiana) e o sempre importante avental, que já noutros tempos era a peça mais trabalhada do traje. Estes sim são os verdadeiros descendentes do traje de trabalho popular.

  2. ohhhh que máximo também estivemos na sexta de manhã em viana. ficámos no governo civil onde as mordomas se emparelharam!
    já ha algum tempo que também não íamos lá nesta altura e é sempre uma grande festa. ali vive-se a tradição a valer!

    muito boa descrição!

  3. E que bem que resulta! Poderá esta “moda” inspirar a “moda”? Esperemos que sim, que há por aí mil e uma tradições do nosso artesanato prontinhas a serem re-descobertas!

  4. Luísa, não estou a dizer que goste mais de um que do outro e acho que nestes domínios não há verdadeiros e falsos, mas esta maneira de vestir que descrevo está tão presente que não sei o que lhe falta para configurar aquilo que a palavra “traje” significa. Outra coisa interessante que já não coube no post é o facto de as pedintes romenas também terem incorporado o lenço de Viana no seu vestir e de serem, no seu “traje” habitual que inclui saia rodada, avental, cores vistosas e lenço na cabeça, à sua maneira as mais parecidas com as mordomas.

  5. Desde o início (2006) a Feitoria apostou na divulgação destas peças de roupa tradicional, exactamente com essa intenção: mistura com roupa convencional. Gostamos de ver a utilização das peças de uma forma criativa. :) Continuamos a vender, agora também na loja do aeroporto de Faro de onde muitos turistas partem com barretes de campino e chapéus de nazaré na cabeça e lenços de Viana ao pescoço

  6. estou apenas a adaptar comentários que me foram feitos há muitos anos pelo Benjamin E. P. Claro que este tipo de utilização faz reviver peças que estão para sempre ligadas a um contexto social e económico que já não é o nosso. Os originais são em tecidos feitos em casa, por exemplo! E são muito bonitas, ninguém diz o contrário. Mas de qualquer modo é sempre uma utilização pontual – nas festas da sra. da Agonia – que não passa para o quotidiano. O quotidiano é outro. Feito de chinela, bata, avental, brinco de ouro. Esse interessa-me muito. Este é de museu de etnografia, de desfile ou de rancho de bailarico… desculpa lá o desabafo.

  7. Acho interessante as mulheres começarem a usar os lenços de viana e adaptá-los ao nosso dia a dia e que bem que fica.
    Passa-se um pouco assim nas feiras novas em Ponte de Lima em Setembro. Pela vila passeiam muitas minhotas com as blusas, os lenços e não poderia deixar de ser a filigrana!

  8. A mim o que me surpreende é que esta moda, por assim dizer, ainda não tenha entrado no mainsteam em Portugal… em Madrid, onde vivo há 6 anos, depois da moda dos lenços “palestinianos” inicialmente pretos e brancos e depois em variações de todas as cores, passaram à moda dos lenços com flores e franjas aos que já ouvi chamar “los portugueses”… pessoalmente, comecei a procurar estes lenços ainda no tempo da moda palestiniana (pensei, ora bolas se estamos numa de ethnic chic, então quero um lenço tuga!), mas em Lisboa só os encontrei em versão sintética.

  9. Far out…

    Eu nasci no Porto, mas sou de imediata ascendência Minhota. E o mais engraçado é que sou a única da família que parece Minhota…Pel, olhos, etc… e adoro o Minho. fins de semana com o avô materno até aos 6 anos na nossa casa em Vizela (Santa Eulália e Barrosas). Ainda tenho um tio e tia em Vila Verde?…

    Parabéns pelas estupendas fotos.

    Maria do Carmo Brandão+

  10. Olá Rosa!
    Pelo que vejo numa foto estivemos lado a lado no largo de São Domingos!
    Também lá estive a ver o cortejo na sexta de manhã!

    É onde estou neste momento, pois a minha irmã mora aqui. :=)

    Segundo me contou uma vianense, a blusa bordada em tons de azul é para mulheres e em vermelho é para os homens. Infelizmente, são poucos aqueles que usam a sua camisa de bordados vermelhos. Daí a quase “raridade”.

    Agora as festas já terminaram. Mas é incrível o orgulho que esta gente tem na sua tradição.

    Chegaste a ver os tapetes nas ruas dos pescadores?

    :)

    Abraço

  11. Those scarves and aprons are just gorgeous. I love the composition of the one photo where the vibrant red of the women’s clothing is contrasted with the black and white plaid of the man’s shirt.

  12. Olá Rosa,

    A tanto tempo passeio pelo seu sítio e nunca te escrevi… Cada vez que te visito minha vontade de conhecer Portugal só faz aumentar! Minha avó veio de Portugal para o Brasil aos 4 anos, uma vez eu perguntei a ela se ela se lembrava daí, ela respondeu que não. Perguntei então se ela gostaria de conhecer o lugar onde nasceu, ela respondeu que sim. Então prometi a ela que a levaria um dia, mas ela partiu antes. Sempre que passo por aqui, também me lembro dela.
    Continuarei a visitar-te! Obrigada pelas coisas que me mostra de seu país! Até!

  13. olá, não pude deixar de comentar a interessante reportagem que realizaste em Viana do Castelo. Na verdade não se trata de um novo traje; trata-se, sim, de incorporar alguns dos elementos da cultura minhota (mais especificamente do trajar) nos dias da romaria da srª da agonia. Vianense que se treze tem ouro, lenços e um camisa. se não tiver fato completo ou se não o quiser usar, pôe um adereço que a identifica como Vianesa. repara que esses elementos estão em todo o lado: nas janelas, varandas, montras… penso que todas as regiões do país deviam manter vivas essas tradições que nos identificam como povo., pomham os olhos nos espanhois

  14. Olá,
    Já há algum anos que tenho visitado a Ervilha Cor de Rosa – desde uma entrevista a uma e-magazine que subscrevia e que, numa das edições, tinha uma entrevista à blogger/recém-artesã Rosa Pomar. Na altura, creio que só algumas peças estavam disponíveis por catálogo; entretanto, há coisa de um par de meses, lembrei-me de repente do título do blog e ‘googlei-o’, para encontrar este belo blog.
    Adoro a “repesca” de elementos e de técnicas tradicionais, adoro a idea da passagem da retrosaria virtual à física, adoro os conteúdos e o tom absolutamente não pretensioso que torna cada visita ao blog num prazer inenarrável.
    E agora, que estou na Turquia em Erasmus, estes artigos e estas imagens transportam-me, num minuto, do buliço e do caos de Istambul para um Portugal tão rico e com tanto que contar.
    Obrigada, Rosa, por estes interesses eclécticos e pela sua partilha com o mundo.
    Nesta outra ponta da Europa, já com um pé na Ásia, há uma “seguidora” assídua!
    Um grande abraço,
    Joana

  15. Qualquer tipo de recuperação e orgulho em envergar o que de belo existe na tradição portuguesa merece thumbs up. que bem estão as “neo vianesas”! os coletes são magníficos. alguém poderá indicar onde em viana ou noutro local se poderão adquirir as peças mais bonitas e fiéis ao original?

    off topic, visitei nas férias em reguengos de monsaraz a “fábrica alentejana de lanifícios” com teares manuais. a proprietária, holandesa(…), está a fazer um esforço de organização das amostras e padrões tradicionais, mas a energia não me parece significativa. de qualquer forma talvez tenha interesse para a Rosa e seguidoras que se interessam por estas matérias.

  16. Olá!
    Sigo com bastante assiduidade o seu blog, mas este post deixou-me bastante contente por mostrar aquilo que mais amo: a cidade de Viana do Castelo.
    Como vianense convicta, componente de um grupo folclórico e participante fervorosa das romarias da Senhora da Agonia e de Santa Marta de Portuzelo (de onde sou natural) é sempre muito bom ver a reacção e o carinho com que as pessoas falam desta terra e destas tradições tão enraizadas no Alto Minho. Fico feliz por saber que tantas pessoas se interessam e se sentem mais portuguesas ao vivenciarem uma experiência como a de ver (ou participar) o cortejo ou o desfile da mordomia. É por isso que, mesmo que não completamente, os vianenses gostam de usar algo que os ligue às festividades, às tradições que passam de geração em geração. Daí as camisas, os lenços, as chinelas, que se veem nas mais diversas indumentárias. E sim, seria óptimo que fossem usadas não só nestes dias festivos, mas também durante o resto do ano, pois nada mais bonito do que usar o que nos torna portugueses…

  17. Rosa, desculpe comentar num artigo com alguns anos, mas o curioso é que estava a passar por aqui para lhe escrever a perguntar exactamente por lenços de Viana quando encontrei esta publicação. Há alguma loja em Lisboa que venda lenços destes com qualidade razoável? Que mesmo não sendo lã, o tecido seja macio e maleável? Ou é melhor guardar mesmo a compra para uma visita a Viana. A minha avó tinha lenços destes que já deviam ser viscose ou poliester, mas eram muito macios e os que vejo em algumas lojas agora parecem-me de tecido rijo, “engomado” (não sei se me estou a expressar bem). Antecipadamente grata, Patrícia

Comentar