mezio

mezio

mezio

No Mezio funciona aquela que é provavelmente a mais interessante cooperativa de artesãos do nosso país, a Associação Etnográfica do Montemuro. Por cima da loja fica o museu etnográfico, onde cada peça está legendada com o seu nome local (bem, tirando o triste neologismo trapologia que ainda estou para saber quem foi que inventou). Ou a região de Castro Daire é especialmente rica em tradições têxteis ou nenhuma outra das que visitei até hoje fez tão bem o respectivo levantamento. Percebi como se fazia a torcida dos fios fiados em casa (lá diz-se ugar os fios e torcê-los no fuso-parafuso), vi baralhos de agulhas de tricot talhadas em madeira de urze, meias especiais sobre as quais vou escrever mais a sério em breve e uma técnica de fazer mantas ou tapetes de malha com trapinhos pelo meio que pensava só existir no Algarve. Isto para não falar no ponto de crochet quebra-cabeças que ainda não consegui deslindar nem encontrar referido em lado nenhum, nas pulseiras e tigelas de tricot, nas colchas de puxados, nos naperons de papel recortado, nos alforges e nos tamancos de madeira e burel… Read more →

líquenes

liquen

beiroa com liquen

Na Gralheira o chão estava coberto de líquenes. Colhemos um saco deles, mesmo sem saber se seriam os mais indicados para tingir. À noite secaram junto à lareira e no dia seguinte, já em Lisboa, pu-los num tacho com água e deixei ferver uns minutos. Pareceu-me que a água não mudava de cor e achei que a experiência não ia resultar, mas juntei-lhes uma meada de Beiroa e deixei cozer em lume muito brando durante cerca de uma hora. Passado este tempo a lã tinha ganho uma cor dourada muito bonita. Não foi preciso juntar vinagre nem nenhum dos mordentes que muitos pigmentos naturais exigem para se fixar à lã.

É mais um tema que apetece estudar e experimentar. Algumas pistas de leitura: Read more →

casa campo das bizarras

casa campo das bizarras

giga

Dois dias longe de Lisboa para ver a lã e a neve. Ficámos na Casa Campo das Bizarras, junto a Castro Daire. A decoração é despojada e invulgarmente criteriosa, feita exclusivamente com peças produzidas na região (algumas são preciosidades, como as colchas de puxados pertencentes à família da proprietária) que acabam por funcionar como uma mostra etnográfica: dos instrumentos do ciclo do linho e da lã aos móveis, das gigas de silva aos tamancos e às alfaias agrícolas, das capuchas ao excelente mel do pequeno-almoço. Read more →

o livro das camisolas

Tricô. O Livro das Camisolas

Tricô. O Livro das Camisolas

Há muito, muito tempo, estávamos em 1984. Os fios sintéticos estavam no auge (têm mais força, elasticidade e não deformam), a palavra de ordem era fantasia, o Like a Virgin estava no top e publicavam-se livros como O Livro das Camisolas (tradução de The Sweater Book), cujos modelos tinham nomes como Algazarra, Cubos loucos e Riscas cintilantes.
Sem ironia, o livro é surpreendentemente complexo e interessante quando comparado com os que as editoras norte-americanas e inglesas lançam actualmente para o mercado. Com excepção do que chega do Japão, a tendência dos últimos anos é para os projectos rápidos e fáceis e no mercado editorial aparecem cada vez mais livros de tricot e costura obviamente feitos em cima do joelho e com o mínimo de custos.
Rewind para 1984: a minha colega do colégio que ia para a escola com camisolas feitas pela mãe (a minha preferida tinha uns bolsos garridos em forma de luvas) de certeza que não sabe que foram essas camisolas que me deram vontade de tricotar a sério. Read more →

dar cor

dar cor

dar cor

Continuo a fazer experiências de tinturaria com a Beiroa. De uma cor passei para as duas, e depois para mais ainda. A ideia é conseguir que as meadas sejam bonitas mas que não tenham aquele efeito (ou defeito?) de serem ainda mais bonitas do que o fio depois de trabalhado (quem faz muito tricot sabe do que estou a falar). Esta meada foi levada pela Ana Paula, que se ofereceu para a experimentar e me trouxe hoje o resultado: uma gola decorada com um ponto ajourado muito bonito e simples de fazer:

Carreiras ímpares:
*Primeira, terceira e quinta carreiras: 7 malhas de liga, uma laçada, resto das malhas em liga.
Sétima carreira: matar sete malhas e trabalhar as restantes em liga.
Carreiras pares: liga.*
Repetir de * a * até ao fim da meada. Read more →

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