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polainitos

No Verão conheci a D. Teresa Simões, exímia fiandeira e fazedora de meias de Bucos. Vim aprender as grades de sete e de nove malhas, os corações e a espinha de peixe das meias que os homens daqui (e não as mulheres) traziam dentro dos socos. Trazia comigo umas meias meias feitas à maneira da Serra de Montemuro que a intrigaram. Ensinei-lhe o misterioso ponto da concha, ficámos amigas. Agora, no meu regresso a Bucos, ofereceu-me uns polainitos nesse ponto, feitos na lã por ela fiada das ovelhas mais meirinhas. Assim circularam desde sempre os pontos e as técnicas, entre segredos e amizades de mulheres de sítios diferentes. Assim se constrói a tradição.

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  1. Rosa Pomar,
    essa história emocionou-me, pois é dessa maneira que se transmite as tradições artesanais…Sou também muito curiosa e foi dessa maneira, por exemplo que aprendi a fazer crochet de grampo….
    Vi uma senhora amiga a fazer, e ela explicou-me….
    Ao chegar em casa, o meu pai conficionou o grampo com arame grosso ( no local onde morava, as retrosarias nem conheciam o que era isso) e comecei a fazer….numa época em que era pouco conhecia a técnica….Mais tarde comprei uma revista Burda em que ensinava pontos e maneiras de unir as tiras…..Isso ocorreu há mais de 35 anos…….
    Obrigada por nos mostrar essas belezas e nos contar essas histórias…
    um grande abraço de MF

  2. Rosa,
    O seu blog é uma delícia para os olhos e para a espírito.
    Dou por cá um saltinho de vez em quando e saio daqui de coração cheio!
    Cheio das coisas magníficas que se fazem no nosso país e que a maioria de nós desconhece, e cheio de orgulho da grande alma que o nosso povo demonstra. Numa época em que fica bem denegrir os portugueses, a Rosa, com simplicidade mas eficiência, expõe o engenho, a arte, o talento e a capacidade de trabalho que gente anónima, mas grandiosa, desenvolve todos os dias.
    Já agora, um aparte… passou-me o bichinho dos padrões através das fotos dos azulejos hidráulicos: agora ando por aí de nariz no chão à procura dos tesouros de antigamente.
    Bem haja, Rosa, pelo seu trabalho.

  3. Adorei! Retomar as tradições é uma necessidade, perceber como surgiram alguns elementos, hoje em algumas situações extintos pela evolução Tecnológica é uma curiosidade, acordem e vejam estes exemplos… Reutilizar, recuperar, fazer em casa é bonito, é original e para mim essencial… Parabéns pela originalidade e iniciativa de ir ao fundo das tradições. Beijinhos à “ervilhinha” Rosa

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