Passei boa parte do fim-de-semana a fazer mais estojos. Este foi feito com o burel mais fino, sob o qual feltrei pedacinhos de lã com esta ferramenta. Os outros modelos, que não vão aparecer já por aqui, deverão estar na Retrosaria em breve.
A Ervilha Cor de Rosa
rosa pomar
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para pôr coisas dentro

Depois dos da E., um para mim. É feito com dois quadrados de burel (idêntico ao feltro de lã mas um bocadinho mais espesso). Foi mais rápido de fazer por não precisar de forro nem de bainhas e é grande que chegue para levar umas meias meias feitas na mala comigo para todo o lado. Já desconfiava que este material seria bom para fazer estojos (um para o portátil também está nos meus planos), mas agora tenho a certeza. Continuar a ler
rentrée scolaire
De regresso à loja, às novidades e à máquina de costura, fiz os dois estojos de que a E. precisa para a escola: um para os marcadores e outro para todas as outras coisas necessárias a uma menina da segunda-classe. pelo tamanho e proporções lembram-me uma caixinha de bolos de pastelaria. Num usei ganga e no outro este tecido japonês. O forro de ambos é este, que já tenho usado em muitas outras coisas. Continuar a ler
fiar

Autor desconhecido, Retrato de mulheres (sec. XX). Papel montado sobre madeira, col. Museu de Arte Popular (via MatrizPix).
A imagem de cima deve ser a mais bonita que conheço de mulheres portuguesas a fiar. Hoje foi o que fiz boa parte da tarde. Aprendi já há meses, com a Tita Costa, mas só agora que tenho a matéria-prima que procurava me empenhei em aperfeiçoar a técnica. Diz a bibliografia (Normas de Inventário. Etnologia / Tecnologia têxtil, IPM, 2007) que estes fusos (usados em Portugal, Itália, França e julgo que poucos outros países) são os de tipo 2, caracterizados pela ausência de volante ou cossoiro (aquela base ou rodela dos chamados drop spindles que também se usam por cá em muitas aldeias) e pelo sulco helicoidal que percorre o topo da haste. Este, que tão bem fia mesmo nas mãos de uma principiante, deve ter cem anos e é de uma amiga. Quem me dera nestas férias ter a sorte de encontrar o da minha bisavó… Continuar a ler
katakake fukuro

A técnica tem nome japonês mas é a mesma da nossa trouxa, talvez tão antiga como o pano com que é feita. Foi a Sara que me ensinou a usá-la assim: um quadrado de um metro de tecido, debruado com uma fita para ficar mais forte, atado como mostra o filme: Continuar a ler
passear
Com um excelente pretexto, e se não houver imprevistos ou vulcões que o impeçam, vou passar boa parte da próxima semana em Londres com a E. Será a primeira vez dela e a minha primeira vez em 10 anos (!), pelo que se aceitam sugestões de coisas (exposições, mercados, metal biscuits e o que seja) a não perder. Para aconchegar a minha máquina fotográfica no pouco tempo que vai passar dentro da mochila fiz este bolso acolchoado, com tiras de alguns dos meus tecidos novos preferidos. Continuar a ler
fiar
A Tita Costa veio do Porto para nos ensinar a fiar lã. Mostrou-nos fusos de várias partes do mundo, pôs-nos a rir com os fios de pelo de cão (!), demonstrou alguns truques índios e ensinou-nos a usar os fusos portugueses de madeira de urze. Para mim foi uma experiência inesquecível. Já a convidei para voltar em breve. Continuar a ler
para o pão
Um cestinho de pano para a E. levar para a escola o pão do meio da manhã. Com uma destas raposas, um retalho de ganga, forro aos quadradinhos e um fecho fácil de abrir. Continuar a ler
avó
Uma das maneiras melhores de passar o tempo em casa da minha avó era brincar no chão com os botões, as linhas e as tesouras enquanto ela cosia à máquina e me contava histórias. Continuar a ler
velhos são os trapos
Na semana passada, junto com algumas gavetas, e outras velharias, encontrei num prédio em obras aqui ao lado uma arca cheia de trapos velhos que não resisti a abrir. Entre eles, uma manta de trapo muito velha e puída mas tão fina que tive de a trazer comigo para ver se sobrevivia a uma boa lavagem. Está rota demais para usar como tapete, mas acho que dará umas boas almofadas. Resolvi experimentar bordar-lhe um passarinho em ponto de cruz, depois de andar de volta do catálogo de uma exposição do Museu de Arte Popular sobre o tema (O ponto de cruz: a grande encruzilhada do imaginário. Coord. Elisabeth Cabral – ainda disponível na loja do Museu de Arte Antiga).
É impressionante a diferença entre as mantas de trapo antigas, feitas com roupa cortada em tiras o mais estreitas possível e debruadas a tecido, e as que se vendem agora, quase sempre de trapilho industrial e onde já não se vêem os efeitos tradicionais. As mantas de trapo, que se fazem em vários países, devem ser uma ideia com tantos séculos de vida como o próprio trapo. Duas imagens com mais de cem anos:

Mantas de Farrapos à venda no Minho em 1908 (Ilustração Portuguesa, 111, 6 de Abril de 1911). Continuar a ler























