Fazer é poder - arquivo

lavores femininos

lavores femininos

lavores femininos

Memória de um ensino muitas vezes tirânico e sempre sexista, em que as raparigas (e só elas) aprendiam na escola a coser, cerzir, bordar e fazer meia. É o álbum de pontos de costura da artista plástica portuguesa Alice Jorge, que a própria conservou cuidadosamente ao longo de toda a vida, apesar de, enquanto opositora ao regime, ter provavelmente aplaudido a extinção dos Lavores Femininos. Trata-se de uma das contradições que o país não soube digerir: a luta pela igualdade de direitos entre os sexos arredou as mulheres das agulhas. Deixaram-nas em casa, com as panelas e o tanque de lavar a roupa, como atributo de uma forma de viver que já não lhes servia. A escola da Democracia fez o mesmo e os chamados Trabalhos Manuais vieram morrer ao tempo em que eu andava no liceu. Em vez de se actualizar e estender este ensino também aos rapazes (como acontece noutros países), apagou-se a prática dos têxteis dos currículos do ensino oficial, como se conhecimento pudesse ser sinónimo da ignorância disciplinada promovida pelo regime de que saíramos. Passados 38 anos, quantas e quantos se envergonham ainda de fazer malha em público, quantos acham que gostar de coser não fica bem a um intelectual, quão fundo ficou gravado o estigma? Continuar a ler…

remendar

antes

Demora mais tempo do que descer a rua para comprar umas calças novas. Custa menos dinheiro e é mais inteligente, claro, mas a grande diferença está no prazer do durante e do depois. As instruções estão aqui. Continuar a ler…

mirandesa

mirandesa

mirandesa

Frutos de inverno: a lã que começou aqui, finalmente pronta na Retrosaria. Lã das ovelhas Churra Galega Mirandesa, lavada, aberta, fiada e torcida à mão. E com uma etiqueta com texto em Mirandês desenhada pelo mestre João Maio Pinto. Fazer é poder. Continuar a ler…

agulha

agulha

Enquanto eu e a Daniela víamos o Sr. Manuel Chaves a fazer agulhas, o F. deitou discretamente mãos à obra e fez uma também, de um pauzinho que achou no chão. Ontem, ao ver este link partilhado pela Rita, lembrei-me de a estrear finalmente. As agulhas de madeira (normalmente todas descascadas e branquinhas) são muito mais frequentes nas nossas aldeias do que se possa pensar – em pelo menos três, de norte a sul, ouvi mulheres contar que em meninas aprenderam a fazer meia nas agulhas que elas próprias talharam. Fazer é poder! Continuar a ler…

utilité

utilité

utilité

Alguém disse ao meu pai que me disse a mim que eu ia gostar deste livro. É o catálogo da exposição homónima da fotógrafa Ellen Korth. Cada conjunto de páginas mostra o interior de uma casa ou atelier, alguém a trabalhar com fios e um grande plano ou pormenor de uma peça. Uns fazem malha, outros cardam, outros tecem, uns parecem solitários, outros profissionais, mas em todos é captado aquele momento em que somos só nós e o fio, como num mantra. Acho que ainda há exemplares à venda neste site, e aqui pode ver-se melhor o livro por dentro. Continuar a ler…

renda do pêlo de cabra

renda de crochet

renda de crochet

Quando se encontra uma técnica que não vem explicada em livro nenhum conhecido e alguém que a domina, há que assegurar que mais pessoas a aprendam para um dia por sua vez a ensinarem a outros. Foi bom poder convidar a D. Abília Ferreira a vir à Retrosaria ensinar cinco mulheres a fazer a renda do pêlo de cabra, que tanto interesse despertou neste post. Continuar a ler…

material escolar

material escolar

Os estojos do ano passado só precisam de uma boa lavagem, mas ontem fizemos dois novos, com tecidos escolhidos por ela. Os antigos ficam para as canetas e lápis de casa. Durante o ano muitas pessoas vieram aprender a fazê-los à Retrosaria. Continuar a ler…

tricot de dedo

tricot de dedo

tricot de dedo

No dia em que, apesar do calor, a A. quis pavonear o seu casaco novo no recreio, chegou a casa a dizer que a professora de cantina e de sesta a tinha ensinado a fazer tricot. E tinha mesmo: tirou da mochila um colar feito durante o recreio e desde aí fez mais um monte deles, tão concentrada como divertida. O tricot de dedo (instruções em Inglês) é a mesma coisa que o rabo de gato, mas feito sem mais material do que um novelo de fio. Fica óptimo com trapiho ou uma lã grossa, e está provado que de tão simples pode ser feito por uma criança de quatro anos. Continuar a ler…

recortes da tia lina

recortes da tia lina

recortes da tia lina

Duas caixas esquecidas no fundo de um guarda-vestidos. Lá dentro, recortes de revistas coleccionados entre Portugal e o Brasil pela irmã da minha bisavó, exilada também, e com mãos de fada. Continuar a ler…

:)

prenda do toino

Esta tarde, na varanda:

O velo branco desta tosquia, depois de lavado e antes de ser estendido a secar.

A A. com um dos meus lenços novos. Fi-los com retalhos de riscados portugueses (salvos da trituradora) a pensar no vestir das mulheres alentejanas e acrescentei-lhe os biquinhos que povoam muitas das nossas mantas e taleigos.

From this afternoon, in the balcony:

The white fleece i’ve got from António the shepherd a few days ago. Washed and ready to dry under the sun.

A. wearing one of my new scarves in the old Alentejo way. The colors are inspired by the blues and greys of the women’s work clothes and the prairie points come from many of our traditional quilts and taleigos.