meada corada

tingir

tingir

tingir

Há muito tempo que não brincava à tinturaria, apesar de ter descoberto recentemente duas plantas que crescem por perto que não perdem pela demora: uma é o ligustre (Ligustrum lucidum) do jardim dos meus pais e outra é a Phytolacca americana que espreita por detrás de um tapume vizinho. O que fiz desta vez foi muito mais simples do que as experiências com corantes naturais – tingi uma meada de lã com corante alimentar (daqueles que se usam em bolos e outras coisas de comer), vinagre, um tupperware e um micro-ondas (assim mas sem as seringas). As cores são tão luminosas e ficam tanto tempo entranhadas na pele (esqueci-me de usar luvas) que nunca ousaria usá-las em comida nenhuma. Aliás as letras pequeninas no rótulo dizem que o conteúdo pode causar efeitos negativos na actividade e atenção das crianças (!). Use at your own discretion.

i dream in colour

dyeing

dyeing

Não teria coragem de gastar cerejas boas para tingir lã, mas achei que os caroços e pauzinhos das que comemos ao jantar talvez contivessem corante suficiente para dar cor a um bocadinho de lã. Pu-los a cozer em água durante uma hora e a seguir deixei uma amostra de beiroa tricotada de molho na infusão, com um bocadinho de vinagre. A cor resultante é surpreendentemente bonita, e quase igual à da lã sarnubega de Mértola (no novelo). A repetir com todas as cerejas desta temporada. Read more →

dar cor

dyeing

dyeing

Por causa das novas lãs para meias que chegaram à Retrosaria, apeteceu-me fazer mais algumas experiências de tinturaria. Usei um processo diferente desta vez, que aqui deixo em formato de receita:

Ingredientes:

Uma meada de Beiroa branca novelada
Tintas próprias para tingir lã (eu uso da Jacquard mas também se pode experimentar com tinta Raposa) ou corante alimentar
Vinagre branco do mais barato
Seringas de plástico de 50ml
Luvas de látex e avental
Um recipiente que possa ir ao micro-ondas (eu uso um pyrex)
Forno micro-ondas

Execução: Read more →

tingir

tingir

ruiva

A minha paleta de beiroas tingidas com corantes naturais vai crescendo aos poucos. Como não tenho balanças em casa não consigo dar receitas exactas do que já fiz, mas posso dizer que:

1. A segunda meada a contar da esquerda foi tingida com líquenes oferecidos pela Alice iguais aos que usei aqui mas mordentada (acho que durante tempo de menos) com alúmen. A cor ficou distribuída mais uniformemente mas bastante pálida. Tanto quanto sei, para obter cores mais interessantes a partir dos líquenes, estes têm de ser fermentados durante muito tempo (o agente usado tradicionalmente neste processo é urina). Num apartamento não me está a parecer possível fazer experiências assim tão radicais.

2. A terceira meada foi tingida com cascas de cebola e vinagre. A receita mais simples de todas é: pedir à merceeira da rua para nos guardar as cascas das cebolas (em casa demora muito tempo a conseguir uma quantidade suficiente por muito estrugido que se faça). Pôr as cascas e a lã num tacho com água suficiente para a lã estar totalmente submersa e aquecer muito lentamente. Voltar a lã de vez em quando para homogeneizar a tintura mas com muito cuidado para não feltrar. Deixar no lume mínimo umas duas horas sem que a água ferva. Juntar vinagre para fixar a cor (mesmo assim durante a lavagem da lã a seguir à tintura saiu bastante tinta).

3. A meada da direita foi mordentada em alúmen durante umas horas, depois lavada e a seguir tingida com cascas de cebola da mesma maneira que a anterior. O resultado foi absolutamente surpreendente. O alúmen é uma substância conhecida desde a antiguidade e encontra-se à venda por exemplo na Drogaria Central, na Baixa. Como não é tóxica nem cara, esta experiência de tintura caseira com casca de cebola é boa para fazer com crianças.

A seguir vou experimentar a Garança ou Ruiva, que a Maria Adelaide me ofereceu há dias. Read more →

líquenes

liquen

beiroa com liquen

Na Gralheira o chão estava coberto de líquenes. Colhemos um saco deles, mesmo sem saber se seriam os mais indicados para tingir. À noite secaram junto à lareira e no dia seguinte, já em Lisboa, pu-los num tacho com água e deixei ferver uns minutos. Pareceu-me que a água não mudava de cor e achei que a experiência não ia resultar, mas juntei-lhes uma meada de Beiroa e deixei cozer em lume muito brando durante cerca de uma hora. Passado este tempo a lã tinha ganho uma cor dourada muito bonita. Não foi preciso juntar vinagre nem nenhum dos mordentes que muitos pigmentos naturais exigem para se fixar à lã.

É mais um tema que apetece estudar e experimentar. Algumas pistas de leitura: Read more →

下田直子のかんたんニット

下田直子のかんたんニット

下田直子のかんたんニット

Um casaco para a minha sobrinha recém-nascida (ver os pormenores no Ravelry). A receita é japonesa (de um dos livros que temos tido na Retrosaria) e a lã é uma meada de Beiroa que tingi em casa com uma tinta muito fácil de usar chamada iDye. Por inexperiência usei um tacho pequeno para a tintura, fazendo com que o pigmento ficasse mais concentrado numas partes da lã e menos noutras, mas o resultado acabou por ser muito bonito. Rematei com um pompom na cor natural.

Mais Beiroa ♥: o cachecol também de receita japonesa da Joana (que me trouxe dos Açores o lindo taleigo da fotografia) e os Rosa hats da SouleMama. Read more →