vergílio correia

Um salto à Torre do Tombo para ver a exposição Vergílio Correia (1888-1944): um olhar fotográfico (patente até 7 de Outubro). O A2 gostou das vacas, bois e cavalos e eu gostei das mesmas coisas de sempre. Ficam alguns acrescentos e correcções às legendas, as mesmas do catálogo da exposição (que infelizmente não está à venda) editado pelo Centro de Estudos Vergílio Correia (queria encontrá-lo online mas aparentemente o Centro não tem site).

vergílio correia

16. Mulher e criança às costas[1]. Argola de ouro maciço[2] e trajo preto, saia e xaile.
Fuso munido de lã e respectiva roca para obra de fiação após cardação[3].
Arquitectura de granito, prestigiante e possivelmente manuelina.
Base de arco sobre capitel de pilastra decorado com meias esferas. Pavimento lajeado.
Beira Alta?[4]

[1] Mulher simulando fiar com bebé preso às costas no xaile, segundo um dos métodos tradicionais portugueses.
[2] As Argolas Carniceiras (que ainda se fazem) são ocas. Se fossem maciças daquele tamanho rasgavam a orelha.
[3] Provavelmente cardada, mas não necessariamente.
[4] Mesmo sem mais informação, arriscaria Trás-os-Montes e não Beira Alta. Do que conheço do babywearing da Beira, os bebés andavam mais ao lado e menos às costas, além de que por lá sempre tenho visto fiar a lã sem roca. Se se visse o cossoiro do fuso era mais fácil saber onde foi tirada a fotografia. A maneira de atar o lenço é uma pista que não fui explorar.

vergílio correia

17. Grupo de mulheres, menina e criança[1]. Saias compridas, menina descalça.
Artefactuário de fiação[2], com proeminente dobadoura[3].
Arquitectura despojada. Cobertura com telha de meia cana.
Paisagem de luz e sombra.
Trás-os-Montes.

[1] Uma das senhoras está a fazer meia, parece.
[2] O artefactuário (neologismo?) é uma roda de fiar, localmente conhecida como torno.
[3] Proeminente roda, deve ser o que o autor queria dizer.

vergílio correia, mulher e linho

18. Mulher sentada. Vendedeira de lã em meadas [1]. Ao fundo, homens e animais.
Feira em meio rural. Muros de pedra solta e cumeada.
Paisagem inóspita.
Beira Alta? Trás-os-montes?

[1] Parece-me que o que a senhora tem ao lado são estrigas de linho, e não lã. E um belíssimo taleigo também.

malhas da pesca

malhas da pesca
malhas da pesca

A primeira edição do workshop Malhas da Pesca no Museu Nacional de Etnologia foi ontem e à hora de ir embora ninguém queria parar de tricotar. Para mim foi um prazer poder ensinar naquele espaço e um privilégio ser responsável por algumas peças muito especiais terem saído das reservas para estarem temporariamente à vista de todos numa mini-exposição a que o museu chamou Da Matéria aos Usos: Malhas de Lã da Póvoa de Varzim.
A 16 de Janeiro repetimos a iniciativa e, até lá, há tricot para ver no átrio do Museu.

A muitos quilómetros de distância, inaugurou há pouco tempo uma exposição inteiramente dedicada ao tricot na Holanda que adorava ver. É no Fries Museum, em Leeuwarden. Já esteve de certeza mais longe o dia em que por cá se fará uma coisa semelhante.

Da Matéria aos Usos: Malhas de Lã da Póvoa de Varzim. Átrio do Museu Nacional de Etnologia. A partir de 5 de Dezembro.

malhas da pesca
malhas da pesca
Mais imagens do workshop.

de coruche

meias de maioral
coruche

No Sábado estive em Coruche para apresentar o meu trabalho no âmbito da Bienal de Artes que está em curso. Foi uma apresentação ao ar livre, com um público surpreendentemente interessado e participativo, sem o habitual projector e écran, pelo que levei comigo uma série de peças especiais para mostrar (na fotografia tenho na mão uma barreta da ilha de São Miguel – falo delas no meu livro). Associada a esta participação está patente em Coruche até Domingo uma exposição intitulada Espaço Malhas (junto ao mercado) onde, entre outras coisas que justificam o passeio, é possível ver uma verdadeira raridade dentro das malhas portuguesas: vários pares de Meias de Maioral, uma especialidade Ribatejana totalmente caída em desuso há várias décadas. Sobre estas meias, também referidas no livro mas sobre as quais aprendi muito entretanto, vou ter oportunidade de falar mais em breve.

boro

boro
boro

De todas as maneiras que os panos têm de falar por nós, esta é a que me atira ao tapete. Remendos, camadas, o azul dos azuis, o equilíbrio dos fios sem brilho e das costuras sem régua, a eterna constatação de que a perfeição nasce do ter de fazer, da necessidade absoluta de tapar e aconchegar com o que há, com quase nada.

Boro, no MuDE até 8 de Fevereiro.

boro
boro

ver

cantigas de santa maria
visitação

Dentro de uma redoma de vidro, um dos livros que mais gostava de ver com todo o tempo do mundo: o códice rico das Cantigas de Santa Maria compiladas por Afonso X. O facsímile está fora do meu orçamento e online só se encontram pedacinhos. Quando há tantos anos se viaja nos detalhes das suas iluminuras (os padrões das roupas, as algibeiras, as ovelhas e a lã, etc., etc.), parece uma provocação vê-lo assim.

A História Partilhada. Tesouros dos Palácios Reais de Espanha. Na Gulbenkian até 25 de Janeiro.

Por passar à porta quase todos os dias fui adiando a visita. Fui ontem, no último dia, ver a exposição comemorativa dos 516 anos da Santa Casa da Misericórdia. A sequência de sinais de expostos, cuidadosamente organizados e contextualizados pelos registos de entrada dos bebés na instituição, é uma viagem no tempo de uma força invulgar. Entre eles, a minúscula meia rendada de um bebé deixado na roda em 1848.

Visitação. Na galeria de exposições da SCM (Igreja de São Roque). Terminou a 2 de Novembro.

fia 2013 – a vez dos cestos

fia 2013

fia 2013

fia 2013

Uma pausa no atrasado relato das últimas viagens para registar a ida à FIA, que abriu ontem. Ano após ano, é um ritual que só falha se estiver longe de Lisboa. A edição de 2013 é dedicada aos cestos, com uma exposição a não perder. A variedade e qualidade dos cestos (e cadeiras, berços, esteiras e outras coisas feitas com fibras vegetais entrelaçadas) portugueses de produção artesanal ainda é magnífica. E os cestos continuam a ser em geral bem feitos, surpreendentemente baratos e, sobretudo, muito úteis para pôr coisas dentro como dizia o Joanica Puff. Nesta FIA há muitos e bons cestos à venda e alguns vieram comigo para casa. Um deles foi uma condença [sic] destas.

Mais sobre cestos:
Toino Abel: um projecto já com vários anos de divulgação e venda de cestas de junco (as melhores para transportar as máquinas de costura para os workshops).
Uma página do catálogo dos Armazéns Grandella de 1933 (adorava ver as outras) fotografada pela Alexandra, que nos dá um vislumbre da vida urbana pré-plástico.
…e a história de Jane Birkin e a sua condessa algarvia, que já é bem conhecida.

cestaria
Cestaria portuguesa no Museu de Arte Popular. Fotografia sem data proveniente da MatrizPix.

museu regional de montemor-o-novo

museu regional de montemor

museu regional de montemor

Imagens da sala das profissões do Museu Regional de Montemor-o-Novo. São lindos os muitos taleigos à vista e extraordinário o objecto da segunda imagem, provavelmente obra de um albardeiro mas que não conseguimos saber o que era. A tesoura antiga de tosquia (agora por lá já se tosquia à máquina), de aros protegidos por pedaços de cortiça, é idêntica à que trouxemos da feira de velharias local há duas semanas. Read more →

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