Muitas imagens para uma camisola só (e com luz a mais para comemorar o sol de hoje), porque afinal há quinze anos que não fazia uma para mim. O modelo chama-se Farleigh, e é do livro Noro Unlimited (que já tive na Retrosaria). A lã é a Noro Silk Garden. Segui o padrão à risca, com a excepção de ter feito tudo o que pude em tricot circular para tornar o trabalho mais rápido e poupar nas costuras. Continuar a ler
A Ervilha Cor de Rosa
rosa pomar
Category Archives: Knitting = Tricot
visita de estudo
Uma das muitas coisas boas que fizemos durante as férias do Carnaval foi visitar uma fiação. É a esta fábrica que chega anualmente a lã de vários pequenos rebanhos e é de lá que sai transformada na lã poveira da Retrosaria. Vimo-la nos fardos prensados e sujos em que entra na fábrica, feita núvens, mecha e fio. Por esta fábrica passam muito mais fibras sintéticas do que naturais (o que a meu ver é uma pena) mas é lá que se produz também a melhor lã para Arraiolos, resultante duma mistura de matéria prima alentejana e beirã, com um toque de zelândia. Continuar a ler
de manhã, tricot
O workshop da manhã foi de iniciação ao tricot. Os meus parabéns a todas as participantes e obrigada à Zélia pela ajuda. Continuar a ler
a vida da lã
Fomos ver as ovelhas e cabras do Toino Canhoto ao pôr do Sol, mesmo a tempo de ver dois cordeirinhos pretos acabados de nascer, macios e dóceis, ainda a serem limpos pela mãe. É do leite destas ovelhas, da raça bordalesa da Serra da Estrela, que as mulheres da família do pastor fazem queijos premiados, e são esses queijos a razão da sobrevivência do rebanho. A produção da lã já não compensa, disseram-nos, porque o preço a que é paga mal chega para cobrir as despesas da tosquia. Isto ao mesmo tempo que nas fiações falta a lã portuguesa e se manda vir de fora (é espanhol o burel das capas de Trás-os-Montes). As ovelhas do Toino Canhoto são de três cores: brancas, pretas (estas duas dão a lã das meadas da lã poveira) e sarrubecas (pronunciar com os ss e rr locais), cor de café com leite, a cuja lã havemos de seguir em breve o rasto.
Amanhã o dia na loja é da lã: de manhã ensino seis mulheres a fazer tricot e à tarde aprendo com outras tantas a fiar. Continuar a ler
dar receber
Amanhã, de surpresa porque era para ser a Margarida, vou ser eu a conduzir o workshop. E hoje fui eu a aprender com uma visitante uma maneira que não conhecia de montar as malhas do tricot: Continuar a ler
mais de cá
Tal como aconteceu na semana passada, um dos pontos altos deste workshop foi poder ver de perto algumas peças portuguesas invulgares. Desta vez, um tapete de retalhos salvo pela Zélia de acabar os seus dias como capacho e um par de meias de algodão feitas no Alentejo pela avó da Marta. Continuar a ler
uma hora
Banal para quem sabe fazer crochet, mas um feito para mim que não domino a técnica, esta quase luva ficou pronta numa hora. Materiais: esta lã e uma agulha de 6mm. Para mãos grandes como as minhas chegam 26 malhas (ou em crochet diz-se pontos?) e quatro aumentos para o polegar. A quem quiser umas mesmo lindas e não souber fazer recomendo as da Sandra Juto.
Kihnu Roosi Kindakirjad


Ärmä Roosi é uma artesã com setenta e cinco anos da ilha estónia de Kihnu, onde sobrevive uma riquíssima tradição de luvas e meias tricotadas à mão. Ao longo da sua vida reuniu várias centenas de padrões (consta que cada um tem um significado próprio) de luvas e meias tradicionais. Neste livro estão reunidos cento e dez desses motivos de luvas com e sem dedos. Descobri-o há poucas semanas e não descansei enquanto não consegui encomendá-lo (é verdade que com livros ainda não deixei de ser consumista). Para além do meu exemplar, pedi outros cinco para a Retrosaria, porque achei que mais pessoas o achariam tão irresistível como eu. Estão aqui. O livro é invulgarmente bem desenhado e paginado, o papel é óptimo e a impressão também. É verdade que está em Estónio mas os gráficos são de entendimento universal e, desde que comecei a comprar livros japoneses com regularidade, a língua deixou de ser um obstáculo para apreciar livros assim tão bonitos. Claro que se houver por aí alguém que leia a língua e queira vir fazer uma sessão de leitura pública com tradução, estou muito interessada. Continuar a ler
o gancho de fazer meia

N.º 755 – Malhas que prendem – Santo Tirso. Postal Foto Alvão (sem data).

Ganchos de meia em madeira. Séc. XIX-XX. Museu Nacional de Arqueologia, n.ºs inv. 745, 756 e 759. Imagem da MatrizPix.
Algumas imagens, a propósito do método português de fazer malha e do chamado gancho de fazer meia. O primeiro não é um exclusivo português (nem o único cá praticado) mas ao que parece é conhecido em poucos países, creio que quase todos localizados em redor do Mediterrâneo (conheço imagens de Portugal, da Grécia, Turquia e Bulgária e sei que é praticado no norte de África) e na América latina, aparentemente por exportação ibérica. Este método é uma de várias formas possíveis de tricotar (quem se lembra do canhão de fazer meia) e consiste em ter o fio que se está a trabalhar colocado primeiro por detrás do pescoço ou num gancho preso ao peito e depois em redor do dedo médio da mão direita. O fio fica sempre entre o corpo e o trabalho, sendo a cada malha accionado com o polegar esquerdo. O gancho que usa quem não passa o fio pelo pescoço pode ser um simples alfinete de ama ou uma peça muito trabalhada e aparece descrito na pouca bibliografia disponível como gancho de fazer meia. Continuar a ler
liga
Das vezes anteriores que quis experimentar percebi que era cedo demais. Ontem aprendeu mesmo, com umas agulhas portuguesas que, por terem barbela, seguram melhor as malhas e o fio. Diz que me quer dar um cachecol no Natal.
Divertido: sermos apanhados pela lente de uma desconhecida a brincar na rua.
























