#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

vagar

mondim

Com um bebé pequenino, tudo o que não lhe diz respeito acontece mais devagar. Ou mesmo muito devagar. Estas meias estão para ser feitas desde que a Mondim chegou à Retrosaria. São um modelo antigo, feito originalmente em linha, que trouxe de Panoias (uma aldeia no Baixo Alentejo onde o fim da tarde é sempre magnífico). O ponto, rendado, é fácil de memorizar e gosto de o ver neste amarelo que toda a gente tem gabado. Estou a pôr as instruções por escrito em forma de gráfico, como fazem os livros japoneses, e espero tê-las no Ravelry em breve. Quando houver vagar.

mondim

meias de grades 2.0

meias de grades de bucos
As publicações camarárias, muitas vezes fontes únicas ou quase sobre determinado assunto, enchem caixotes e armazéns por esse país fora. Não chegam às livrarias, circulam pouco, só por sorte sabemos que existem. O Meias de Grades, editado em 2013 pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, teve outra sorte. Ainda que localmente não se lhe tenha dado grande atenção – desafio-vos a encontrar no site da câmara a secção das publicações – da Retrosaria saíram todos os exemplares que encomendámos e a brochura, que despertou muito interesse, acabou por esgotar rapidamente. Impunha-se assim uma reedição e, face à indisponibilidade da CMCB, resolvi fazê-la pelos meus meios (com a imprescindível colaboração da designer Rita Faria, claro). Aí está ela!

lã que pica

mondegueira
mondegueira

É só uma ideia, mas que podia ter resultados interessantes a vários níveis: fazer luvas esfoliantes tricotadas a partir da lã das nossas ovelhas churras mondegueiras, churras do campo e algarvias, que pouco valor tem no mercado. Este teste foi feito num instante com parte de uma maçaroca que fiei faz agora um ano e parece excelente para o efeito. Nano-empreendedores com gosto pelas ovelhas, embora lá?

larada

larada
larada

Branca larada, que vai pela estrada
não fia, não tece, e seus filhos veste

larada
larada

Uma camisola no meu novo fio, que é muito grosso e salpicado de cores. Fi-la a partir da app Raglanify, que me serve essencialmente para calcular o número de malhas inicial e a quantidade de aumentos necessários, mas usei a técnica das carreiras incompletas para conseguir um decote perfeito e alturas diferentes atrás e à frente.

o colete das pipocas

popcorn vest
press

O pequeno A ainda não me deixa chegar com frequência às agulhas de tricot, mas consegui finalmente no fim-de-semana completar o Popcorn Vest em Beiroa que tinha começado alguns dias antes de ele nascer. É um modelo da Misha and Puff, uma pequena marca de peças para bebé tricotadas à mão no Peru (na Europa encontra-se por exemplo nesta loja, que é a minha preferida por estes dias para comprar roupa de bebé) que também comercializa alguns modelos para tricotar. Este colete é de execução bastante simples e acho que vai ter muito uso.
Ao lado está uma prenda muito especial vinda daqui: uma revista de tricot de 1965 com 25 modelos de High Fashion Sweaters inspirados (ou nem por isso) por outros tantos países, dos quais um é uma curiosa variação sobre a nossa camisola poveira.

…e este mês estou na revista Saber Viver.

multitasking

A

A fotografia tem tem mais de um mês e o colete foi das últimas peças que fiz ainda grávida. Usei uma meada de um fio de lã que nunca tinha experimentado, o Fur Wool da Erika Knight, que cria um tecido peludo em que as malhas não são perceptíveis. A autora tem um padrão publicado com tamanhos de criança mas como queria um colete de recém-nascido (que ainda serve aos quase dois meses) tive de improvisar. Deixo aqui as instruções, num esquema que não passei a limpo e numa fotografia tirada à pressa, porque quando se tem um bebé pequenino é assim mesmo (ver aqui em grande).

multitasking

As instruções são simples de entender para quem está habituado aos livros japoneses de tricot:

Materiais:

Umas agulhas circulares de 10mm
Uma meada de fio Erika Knight Fur Wool na cor 02 Storm
Um caderno especial de corrida para quem faz tricot

Execução:

Montar 35 malhas e seguir o esquema. O colete é trabalhado em ponto de jarreteira/mousse/manta de gato (todas as carreiras em liga).

knitting for baby

As outras peças da fotografia são uma mini-camisola em João e um colete em Beiroa cheio de pipocas que ainda está por acabar.

35 semanas

knits

A um mês das 40 semanas, a tricotar:
Mais umas calças pequeninas, desta vez com lã João. O modelo, muito simples e gratuito, é o mesmo destas, mas em João ficaram mais pequeninas.
Uma touca feita num fio de lã da Brooklyn Tweed guardado há mais de quatro anos para uma peça especial. O modelo, Djevellue, também é gratuito.
Umas meias minúsculas em Malabrigo Sock improvisadas com 32 malhas e trabalhadas em canelado 2*2.
À direita, umas pantufas que andava há anos para experimentar, com receita do Temple of Knit. São um tipo de aconchego para os pés que se usa um pouco por toda a europa: em Espanha e França usam-se por dentro dos tamancos, em burel ou tricotados, como estes de Lugo e estes chaussons pour les sabots, com receita da 100 idées).

Madreñas
Madreñas, por César Poyatos

Mais para o centro e norte, e até à Turquia, há-os de muitas cores e feitios.
A propósito, um artigo sobre um interessante projecto de integração de migrantes baseado precisamente nestas pantufas: Balkan Slippers.

balkan slippers
Balkan Slippers

…e outro modelo a experimentar em breve (numa casa em que os sapatos ficam à porta dá sempre jeito mais um par): Fair Isle Slippers.

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