cobertor

cobertor
cobertor
cobertor

O novo fio da Retrosaria chama-se Cobertor e é o fio com que são feitos os cobertores de papa. É espesso e no novelo o toque não é suave. A textura e torção fazem lembrar os fios islandeses com que se fazem as camisolas lopi. Aquilo que o torna mesmo especial, para além dos 500 anos de história quase desconhecida à qual espero voltar por aqui, é o que se lhe pode fazer depois de o tricotarmos: com uma pequena carda ou uma escova de aço para cães pode levantar-se facilmente a camada de pêlo densa e fofa que caracteriza os melhores cobertores de papa. A paleta que criei para este fio tem doze cores, mais o branco amarelado e o castanho naturais das ovelhas que lhe dão vida. Agora sonho vê-lo transformado em casacos e outras coisas boas de vestir no Inverno.

PS: o belíssimo rótulo é da responsabilidade do Lord Mantraste.

a hora do tricot

a hora do tricot
a hora do tricot
a hora do tricot

Correu mesmo bem. Foi preciso inventar mais cadeiras e trazer almofadas para quem se sentou no chão, o chá e bolinhos foram um mimo e as histórias contadas pela Ana Sofia Paiva e pelo Luís Correia Carmelo conquistaram-nos a todos. Obrigada ao Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva pelo convite e pela organização e obrigada a todos os que vieram, foi um prazer.

PS: mais alguém reparou naquele estojo de tricot tão lindo? O motivo é este, só é preciso aproximar mais as filas de ovelhas.

a hora do tricot

a hora do tricot
a hora do tricot

Há dez anos fazer tricot em público era estranho. Já não se viam senhoras a fazer renda no eléctrico e fazer malha, em geral, não ficava bem. Pode parecer estranho dizê-lo, porque não passou assim tanto tempo, mas é verdade: se se era uma mulher culta, activa e independente (seja já o que isso for), então não era suposto fazer-se malha. Quando muito fazia-se um bocadinho em casa, quando nascia um bebé, sob os olhares semi ou totalmente reprovadores de quem estava por perto. Foi nessa altura, em Setembro de 2004, que eu e a Hilda Portela convocámos o primeiro encontro de tricot. Tão popular era a ideia que compareceram três pessoas – eu, a Hilda e uma corajosa chamada Sofia. Os encontros seguintes foram muito mais animados, claro. E depois veio a imprensa, a televisão, apareceu gente a mais, criaram-se novos grupos e aos poucos as coisas foram mudando.
Há algumas semanas fui convidada pelo José Vítor Malheiros para organizar um encontro de tricot no âmbito de um evento anual no Pavilhão do Conhecimento. Disse que sim. Convidei o Bruno Reis Santos, aka Lord Mantraste, para desenhar os flyers e cartazes e estão tão bonitos que vão ficar na parede durante muito tempo (quem quiser um aproveite para passar ou fazer encomendas na Retrosaria hoje e amanhã). Chamámos a Zélia para representar o Gang da Malha e o IELT para contar histórias e vai haver chá e bolinhos. É amanhã.

mantraste
a hora do tricot

les plus beaux jacquards du monde

100 idées
100 idées

Des cristaux de neige deviennent les fleurs d’un kaléidoscope fantasque. Des animaux hiératiques marchent à l’étoile. Un oiseau-dieu échappe au piège des mailles et prend son vol de feu sur la cordillère des andes. La géométrie se colore, délire et s’en va dériver loin des mornes sentiers euclidiens. Tout cela par la magie de la laine, des aiguilles, de l’imagination réunies. Tout cela grâce au jacquard, qui existait bien avant qu’un tisserand ne lui donne son nom, vers 1800, par le biais curieux d’une machine à tisser.

Em Outubro de 1975, começava assim um artigo do número 24 da revista 100 idées sobre as malhas a cores de todo o mundo (por coincidência são o dia, mês e ano em que nasci).
Trinta e oito anos depois as camisolas em jacquard, sem nunca terem desaparecido, voltaram em força às montras e as imagens deste artigo parecem tiradas de um dos mais recentes livros japoneses de tricot. Os países do norte da Europa usam-nas (sempre as usaram?) com mais orgulho, reinventam-nas, fazem delas património, identificam-se com e por elas.
Um exemplo da Islândia, de onde vêm as camisolas Lopi da segunda fotografia:

The Icelandic financial crisis and recovery could be seen as the most expensive group therapy of all time. The Icelanders had five years to come together and ask themselves: Who are we, and what is our place in the world? (…) Since 2008, she says, “suddenly everyone started to knit Icelandic sweaters like crazy.” Indeed, young Icelanders do seem to walk around less frequently in cheap labels like Zara and H&M than they do in patterned hand-knit sweaters. “They are warm, they are beautiful, they are very Icelandic. There is something comforting about them,” Ragga says. She also sees them as the antithesis of suits, the globalized uniform of bankers.

de Out of the Abyss: Looking for Lessons in Iceland’s Recovery.

Na Dinamarca, a série de televisão The Killing criou um verdadeiro fenómeno em torno da camisola usada pela protagonista, uma camisola feita à mão em lã e com motivos tradicionais das ilhas Faroe (sim, lã daquela que pica mas isso não fez diferença nenhuma), que se tornou quase mais popular do que a própria série.

The knitwear also has personal memories for the actor, who was brought up in the 70s in a very hippy-like environment in Copenhagen. “I wore this sweater and so did my parents. That sweater was a sign of believing in togetherness. There’s a nice tension between those soft, human values and Lund being a very tough closed person – because to me it says that she’s wanting to sit around a fire with a guitar; it gives a great opposite to her line of work and behaviour.”

The Killing: Sarah Lund’s jumper explained

O sucesso foi tal maneira que a designer que a concebeu gere agora uma marca de sucesso, a Gudrun & Gudrun e que a camisola é mencionada no site oficial do turismo da Dinamarca. É o poder do jacquard, a fascinar desde há mais de quinhentos anos.

keito dama
lopi sweater

Imagens:
1. Camisolas de inspiração dinamarquesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975.
2. Camisolas de inspiração islandesa na revista 100 Idées n.º 24, de Outubro de 1975. Sobre a história das camisolas Lopi, ver Nation in a sheep‘s coat: The Icelandic sweater.
3. Anúncio de uma marca norueguesa de lã (1956) no número 160 da revista japonesa Keito Dama (Inverno 2013/2014).
4. Camisola de inspiração islandesa no livro japonês Traditional Knits of the World 1: Iceland Lopi (2013).

♥ zagal

♥ zagal
♥ zagal

How much or how little information do you need to follow a knitting pattern? Knitting from japanese books has made me favor charts over text, symbols over words. While doing research for my book I’ve met old ladies who can’t follow the simplest written pattern but will reproduce a complex knitted garment from looking at it only once or twice.

♥ zagal
♥ zagal

This sleeveless jumper was the first thing I’ve created with my new yarn, Zagal. My daughter is 7 but I think it will look nice on smaller kids as well. It’s done portuguese style (which means I prefer purling over knitting and always purl when knitting in the round, facing the inside of the garments), in the round up to the armholes and then flat up to the shoulders. If you’re knitting style is any other than portuguese chances are you prefer knitting over purling – just purl where I knit and knit where I purl and you’ll be fine.

♥ zagal
♥ zagal

Needles: 60cm x 6mm circular needles for the ribbing, 60 x 7mm circular needles for the body and a set of 5 double pointed 6mm needles for the ribbing on the neck and arm openings.
Yarn: 1 skein of Zagal 902 (yellow) and 3 skeins of Zagal 909 (blue & white).

♥ zagal
♥ zagal

Some notes:
1. The ribbing pattern is k1, p3.
2. After the ribbing, stitches 1 & 63 are knitted to create a faux seam. All other stitches are purled.
3. Leave stitches 1 & 63 on stitch holders when you reach the beginning of the armholes.
4. Cast off the stitches of the front (20 on each shoulder) together with the stitches of the back (also 20 st on each shoulder). This is called a three needle bind off.
5. The neck opening starts on row 64 of the front and row 77 of the back. Start counting after the ribbing is finished.

♥ zagal

Have fun!

o gorro montanhac

montanhac
montanhac



Nasceu há já alguns meses, inspirado por uma manta do baixo Alentejo especialmente bonita. O padrão é diferente dos mais habituais: não tem meio e o seu lado esquerdo é o negativo do direito. De tal maneira que em pequenino, como estava na manta, parecia ter um erro de construção. Fiz o primeiro em Beiroa 2ply com agulhas 6mm e agora fiz três de uma vez em Zagal com agulhas 7mm. Chama-se Montanhac porque é esse o nome localmente dado às mantas com este tipo de desenho (a bibliografia de referência está aqui, pirateada por yours truly porque é quase impossível dar com ela em alfarrabistas). As instruções estão disponíveis para download no Ravelry e hoje, no belíssimo Fringe Association, fala-se dele.

o casaco

o casaco

o casaco

Ainda não contei nada sobre a Zagal, mas já estou quase a acabar um casaco para a E. feito com cinco das suas quinze cores (Ravelry). O número de malhas e os aumentos foram calculados com o Raglanify e o resto foi nascendo ao sabor das agulhas. Tem bolsos às riscas e parece vagamente saído deste livro. E assenta-lhe tão bem que me parece que vai ser das melhores coisas que tricotei até hoje.

zagal

no armário

lã

A propósito da simpática entrevista comigo que a Divine Shape publicou hoje, uma camisola que fiz em 1994 com lã que comprei na Cooperativa Oficina de Tecelagem de Mértola. Tinha dezoito anos e usei-a continuamente durante uns dez. O novelo que sobrou está na capa do meu livro.
No outro dia citei dois autores do século XIX a propósito de roupa. Mas no século XXI, ao contrário do que acontecia no pré-pronto-a-vestir, o que vestimos reflecte aquilo que somos. O que vestimos, o que comemos, o que compramos. Porque comprar, mesmo que poucas pessoas o façam pensando nisso, é um acto político. Onde compramos o pão e que pão compramos, onde compramos uns sapatos e que sapatos compramos? Em quem decidimos diariamente investir, apostar, seja com €1 ou €100. Queremos que a padaria de bairro sobreviva, é lá que vamos comprar o pão. Queremos apoiar os produtores portugueses? É não comprar sem olhar para a origem dos produtos. Umas calças a €10? Quanta gente explorada está por trás desse preço? Todos os dias são dia de eleições, o que há é pouca gente a dar por isso.

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