Jan
06



Ärmä Roosi é uma artesã com setenta e cinco anos da ilha estónia de Kihnu, onde sobrevive uma riquíssima tradição de luvas e meias tricotadas à mão. Ao longo da sua vida reuniu várias centenas de padrões (consta que cada um tem um significado próprio) de luvas e meias tradicionais. Neste livro estão reunidos cento e dez desses motivos de luvas com e sem dedos. Descobri-o há poucas semanas e não descansei enquanto não consegui encomendá-lo (é verdade que com livros ainda não deixei de ser consumista). Para além do meu exemplar, pedi outros cinco para a Retrosaria, porque achei que mais pessoas o achariam tão irresistível como eu. Estão aqui. O livro é invulgarmente bem desenhado e paginado, o papel é óptimo e a impressão também. É verdade que está em Estónio mas os gráficos são de entendimento universal e, desde que comecei a comprar livros japoneses com regularidade, a língua deixou de ser um obstáculo para apreciar livros assim tão bonitos. Claro que se houver por aí alguém que leia a língua e queira vir fazer uma sessão de leitura pública com tradução, estou muito interessada. Continuar a ler »
Dec
30


Um livro infantil de 1957, extraordinário pelas fotografias e pelo design. É a história de um menino chinês, Kaiming, cuja família vive e trabalha num junco. Todo o livro é impresso a apenas três cores, as fotografias são recortadas e conjugadas com elementos gráficos aparentemente simples (no tempo em que não havia photoshop), e o resultado é lindíssimo. Tanto que fui a correr pesquisar mais sobre esta colecção (Les Enfants du Monde – ver aqui as capas) e a fotógrafa. Dominique Darbois, membro destacado da resistência francesa durante a segunda guerra mundial, passou as décadas seguintes a viajar e a fotografar. Para além deste, publicou pelo menos outros dezassete livros sobre crianças de outros tantos países. Um deles, Tacho, le petit mexicain
, foi objecto de uma exposição no Salon du Livre deste ano (mais Tacho, num blog todo dedicado à font Banco).
Sem saber se é tão bonito como este não resisti a encomendar em segunda-mão Natacha la petite Russe. E Terre d’enfants
, ainda disponível, já está na minha wishlist. Continuar a ler »
Dec
23



Textile Designs: Two Hundred Years of European and American Patterns Organized by Motif, Style, Color, Layout, and Period
é um dos meus livros do ano, apesar de ser de há quase vinte (foi originalmente editado em 1991 e reeditado em 2002). Da autoria de Susan Meller, a coleccionadora de tecidos por detrás da Design Library (onde adorava passar uma temporada) e do já aqui mostrado Russian Textiles
, é um magnífico repertório de imagens e uma excelente fonte para quem como eu se interessa pela história dos têxteis. Os tecidos estão organizados por motivos e temas, e as descrições incluem muitas vezes a história dos termos técnicos, que tenho pena de não saber na maior parte das vezes traduzir para português (talvez quando for finalmente ao Museu da Indústria Têxtil aprenda mais sobre o assunto).
Na secção dos tecidos produzidos em Inglaterra para exportação aparece esta chita azul, o que me deixa com a sensação de que do lado de lá do oceano se sabe mais do assunto que por cá. Continuar a ler »
Dec
07



Os livros são objectos transcendentes, já dizia ele. Continuar a ler »
Nov
24


Não resisto a mostrar aqui algumas ilustrações de um livro que herdei inesperadamente, depois de hesitar durante vários dias por achar que talvez fosse demasiado politicamente incorrecto fazê-lo. O livro (Deutsche Bauern in Ungarn) pertencia a uma minha tia-avó, que o recebeu como prémio do liceu pelo seu aproveitamento na disciplina de Alemão, e as imagens (bem como a qualidade gráfica e de impressão da obra) são, quanto a mim, indiscutivelmente admiráveis. A hesitação deveu-se ao facto de ter percebido que a autora, a artista austríaca Erna Piffl, especialista em desenho etnográfico, esteve ao serviço do regime nazi. Pode-se gostar dos desenhos da mesma maneira depois de o saber? Não tenho a certeza. Mas deixar por isso de os mostrar já me estava a parecer um acto de censura.
Sobre o tema, para quem domine o idioma, veja-se o site do Bundesinstituts für Kultur und Geschichte der Deutschen im östlichen Europa. Continuar a ler »
Nov
01


Uma magnífica descoberta da E. na biblioteca da escola: L’Enfant racine
, de Kitty Crowther
, ilustradora anglo-belga de que fiquei a querer conhecer também os outros livros. É uma história com dois níveis de leitura, um com fadas e outros seres mágicos e outro com uma mulher que vive no seu próprio mundo. Aqui, uma entrevista com a autora. Continuar a ler »
Sep
16



Comprei o livro Russian Textiles: Printed Cloth for the Bazaars of Central Asia
este Verão, depois de o namorar nos inúmeros blogs em que tem sido citado (mais imagens). Como muitas outras pessoas não resisti às imagens dos magníficos tecidos mas as minhas expectativas foram largamente superadas pelo resto do conteúdo. O livro é essencialmente um mostruário de extraordinários tecidos estampados produzidos na Rússia entre os meados do século XIX e os meados do século XX, com destino (segundo os autores) aos mercados da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Tajikistão, etc.), onde eram usados no vestuário tanto feminino como masculino. Ao folheá-lo, a primeira coisa que me surpreendeu foram as fotografias a cores, que parecem retiradas de uma revista de viagens ou produção de moda actual e são afinal do início do século passado. O seu autor, um dos pioneiros da cromatografia, foi Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii e pertencem actualmente à colecção da Library of Congress (vale a pena explorar o site e vê-las uma a uma). Continuar a ler »
Aug
24


Outro livro que comprei recentemente foi o catálogo da reposição, em 1991, da exposição Abstract Design in American Quilts
realizada em 1971 no Whitney Museum em Nova Iorque. Cheguei até ele através de uma entrevista com Denyse Schmidt (uma das criadoras de quilts mais interessantes da actualidade) e por sorte encontrei uma cópia do catálogo a bom preço.
Nesta exposição, cerca de sessenta quilts anónimos realizados entre os meados do século XIX e os anos 30 do século XX e escolhidos unicamente com base nas suas características estéticas foram expostos como se de pintura se tratasse. Foi a primeira vez que tal sucedeu e o evento teve enormes repercussões. Da introdução do patchwork americano no Japão à edição de centenas de livros sobre o tema, da organização de um mercado em torno dos quilts antigos à proliferação de textile artists e exposições de quilts, foram inúmeras as consequências directas e indirectas desta exposição. Por detrás dela estiveram Jonathan Holstein e Gail van der Hoof, um casal residente em Nova Iorque e frequentador do meio artístico, que anos antes começara a comprar quilts em feiras de velharias. Jonathan Holstein redigiu para o catálogo de 1991 um interessante texto de mais de cem páginas em que descreve detalhadamente tanto o processo que deu origem à exposição como os acontecimentos que se lhe seguiram, que incluíram a itinerância da mostra por vários países e continentes e o contacto com os especialistas em têxteis dos grandes museus. É uma leitura mais do que recomendável para qualquer pessoa com um interesse histórico sobre o tema.
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Aug
11


Com o calor que está não tenho conseguido trabalhar. Aproveito para ler alguns livros a que não resisti nos últimos meses e a que ainda não tinha dado a devida atenção.
Cheguei a este livro através da minha pesquisa sobre meias tradicionais portuguesas para um livro que estou a planear. É o catálogo da exposição homónima realizada no Centre de Documentació i Museu Tèxtil, instituição catalã dedicada à preservação, estudo e promoção da cultura têxtil, em 1997 (a edição é em Catalão e Castelhano). Para além da reprodução de 180 peças expostas, inclui vários textos interessantes sobre as malhas na indústria e outros de teor histórico. Montse Stanley
assina um resumo da história do tricot onde se reproduzem as peças tricotadas mais antigas encontradas na península ibérica (uma almofada e umas luvas do século XIII, estas últimas – porque o mundo é pequeno – pertencentes ao mesmo Rodrigo Ximénez de Rada cujas crónicas estudei na minha outra vida).
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Mar
21


Na última ida ao IFP não lhe resisti. A Beatrice Alemagna é uma das minhas ilustradoras preferidas, e este seu livro – Oméga et l’Ourse – é talvez o mais bonito dos que conheço. As páginas são de grande formato, o que é óptimo para se poder apreciar todos os pormenores da ilustração e entrar literalmente dentro da história. Como noutros trabalhos, usa uma técnica que mistura de forma única o desenho e a colagem de recortes. O resultado é perfeito.
Para ler, em francês, uma entrevista com Beatrice Alemagna.
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