mãos

first time

Enquanto a Ana e a Rita se aventuravam alegremente pelos mares nunca dantes navegados do tricot, a E. aprendeu a fazer crochet com uma mestra. Pensou num cachecol e eu lembrei-me das sábias palavras da Elizabeth Zimmermann sobre a melhor maneira de ensinar uma criança a fazer malha:

An excellent first project is a garter-stitch pot-holder. It will probably turn out thin, lumpy, sleazy, and full of holes, but it is a small project, comparatively soon finished, and very easy to make much of.
Provide suitable and encouraging tools and materials. (…)
Then hang the pot-holder up behind the stove, and use it, and
use it. It won’t be your most efficient pot-holder – it will give you many a burned hand – but use it. It won’t even be necessary to comment on its excellence or beauty every time you use it; you will be noticed, and the fact that it will soon become shabby, worn, and beat-up will be the best thanks and encouragement you can give. Soon its successor will be cast on.

in Knitter’s Almanac, 1974.* Read more →

para mais tarde recordar

puzzle

Não sei bem quando foi que deixei de fazer posts deste género. A grande maioria das primeiras vezes da E. ficaram de fora deste espaço (e de qualquer outro que não as nossas memórias, porque este passou a ser o meu único diário) e muitas já não consigo datar com certeza (foi aos nove meses que disse papá, mas quantos mais demorou até dizer também o meu nome?). Marquei o dia em que largou a chucha mas não o da última fralda, algumas gracinhas mas não outras, sem grande critério mas sempre a pensar no quanto é que será expor demasiado: eles, a primeira geração de bebés blogados, encarregar-se-ão sem dúvida de nos criticar daqui a uns anos. Tudo isto porque a E. me acordou a ler. Sem perceber o que estava a ler mas a ler. Estávamos no sofá, com ela a fazer de conta que me contava histórias para adormecer (o que, no meu estado actual, funciona em menos de um minuto). Já do outro lado, comecei a prestar atenção ao que estava a ouvir: áa, depois áapéee, áapécuéeee, e quando soletrou ápécuéna (a pequena) dei um salto. Tu já sabes ler?! O interesse pelas letras já vinha de há mais de um ano, mas tinha decidido não dar mais do que resposta aos inúmeros como é que se escreve e o que é que diz aqui diários. A seguir à surpresa de hoje não resisti a ir buscar a Isaurinha e a comprovar que junta as letras quase todas sem grandes hesitações. Não sabe ler, porque não consegue na maior parte das vezes deduzir sem ajuda o significado do que acabou de dizer, mas junta sozinha as letras de uma palavra inteira.

Tão importante como isto, pelo menos para ela, enquanto juntávamos triângulos para o próximo quilt e depois de dias de treino, conseguiu assobiar.

infantário, ano ii

escolinha

O regresso ao infantário, esta terça, correu sem sobressaltos. De grande na sala dos pequeninos passou a pequena na sala dos grandes. Passados dois dias já estava outra vez fluente em infantariês e a chegar a casa com o cheiro e a cor característicos. À educadora ainda vou ter de agradecer um dia os retratos de família que temos, por pedir um novo a cada ano lectivo.

doudous

cenoura

Entre muitas outras igualmente bonitas, a Milk acabada de sair traz uma peça intitulada Voudoudous: seis fotografias de outros tantos doudous (loveys – como é que se diz em Português?) rotos, esventrados e amputados de tão usados. A E. não tem doudous. Durante muito tempo insistiu em dormir com a chucha e uma (qualquer) fralda de pano mas, desde que deixou a primeira, a segunda já não tem o mesmo encanto. De entre os bonecos, o Cão, a Rosa Clara e o Anacleto são os bonecos por excelência (passeiam mais e protagonizam mais brincadeiras do que quaisquer outros) mas não sei ainda se será deles que se vai lembrar como eu me lembro destes três: o Cenoura, o João e a Emília (zoom). Os dois últimos, já se vê, foram feitos pela minha mãe.

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31 semanas, 3 anos e meio

brinquedos artesanais portugueses

Depois de uma semana em que parecia estar comodamente instalada de cabeça para baixo voltou às mudanças de posição frequentes (com correspondente variação do feitio da minha barriga ao longo do dia). Eu vou-me mexendo com deselegância, esbarrando de lado nas portas e mesas como aos treze anos mas ainda sem me sentir só uma barriga com pernas. Hoje, depois de um simpático email da dona da loja, fui ver mais carrinhos na Gama Rústica e já estou quase decidida a repetir as compras de há quatro anos.

A E. elogiou tudo o que havia de cor de rosa na loja, mas felizmente pediu um carrinho azul para a irmã. Já responde em piloto automático ao permanente então vais ter um mano ou uma mana? mas do que gosta mesmo de falar ultimamente é de países, bandeiras, nacionalidades e como é que se diz seja o que for nas línguas todas de que se conseguir lembrar. Derreto-me sempre com as deduções dela, como hoje: Mamã, sabes o que é pu[b]licidade? É o sítio onde moram os polícias.

Na fotografia, a montra de uma loja na esquina da Av. de Roma com a João XXI. A bem das minhas finanças estava fechada, mas espero que só para férias.

lisbonense

sapataria lisbonense

Há meses que andava a namorar a montra da Sapataria Lisbonense, enquanto me decidia entre calçar ou não à E. uns sapatos mesmo a sério (porque pensando bem não tinha tido uns únicos até hoje cuja sola não fosse de borracha). A experiência, que já resultou num par de pés felizes, fez-me pensar que 1. há anos que não entrava numa sapataria propriamente dita; 2. só tenho e só tive nos últimos anos um par de sapatos sem sola de borracha e as vezes que os usei contam-se pelos dedos de uma mão; 3. esses mesmos sapatos são também, que me lembre (e apesar do nome enganador da marca), os únicos sapatos portugueses que tive em talvez mais de dez anos (!).

Alguns links atrasados:

Denise Burge (via Whip Up).

Piece of Cake: este estojo, estes bonecos e as outras imagens todas.

Make a T-Shirt laptop case.

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enriqueça o seu vocabulário

a flor

Depois de desenhar uma magnífica flor e aborrecida com uma estrela que não saiu como queria, amassou o desenho num gesto inédito e fugiu para o sofá a choramingar:

Então, estás frustrada?

Não. Estou zangada com as coisas que não consigo fazer. O que é frustrada?

É isso mesmo.

[Entra o pai:] Então, E., o que é que se passa?

Estou frustrada.

and then there were four

4

Guiada para já apenas pelo bom senso, tenho tentado preparar a E. (e a mim) para o que aí vem. Não que queira diminuir-lhe o entusiasmo ou prescindir dos miminhos na barriga, mas sobretudo para a poupar a desilusões (uma irmã que só mama e chora e dorme em vez de uma companheira de brincadeira) e minimizar o choque de se ver de repente obrigada a partilhar-nos com uma estranha que todos culminam de atenções e mimos. A tarefa não é propriamente exequível, nem seria normal conseguir privá-la da avalanche de emoções que se avizinha, mas vou tentando. Hoje, numa primeira pesquisa sobre o assunto cheguei a esta página, cheia de conselhos que me pareceram ajuizados e que constatei com algum alívio já ter em boa parte seguido. Também comprei com a E. e com segundas intenções uma familia de plaimobís que inclui um bebé e um filho mais velho. A ideia é simples mas parece interessante: entre vários outros pormenores, serviu para constatar que o bebé ainda dorme no quarto dos pais enquanto que o rapaz já não, que a mãe muitas vezes está a dar de mamar e não pode ir brincar e que o mais velho já faz uma série de coisas que o bebé não consegue.

chucha

...

A E. deixou de usar chucha este fim-de-semana. Há bem mais de um ano que só a usava para dormir e desde bem antes disso que eu e o F. nos questionávamos sobre a melhor altura para a fazer desaparecer. Nunca fomos grandes apoiantes da dita (a E. só começou a usar chucha por volta dos três meses) e os quase três anos e meio dela já tinham ultrapassado todos os prazos que nos propusemos. Em busca do método ideal, ouvimos os relatos de amigos com filhos e relembrámos as nossas próprias experiências (esquecer a chucha em casa na ida para férias ou fora no regresso a casa, convencer a criança a deitá-la ao mar/ao lixo, etc.). O único livro que temos sobre o assunto (boa história mas ilustrações muito fracas: A Chupeta de Nina, edições Ambar) nunca despertou grande interesse e as muitas conversas racionais que tivemos com ela serviram para a fazer perceber que mais tarde ou mais cedo chegaria o grande dia mas em geral só aumentaram a ansiedade relacionada com o assunto.

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