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Há exactamente quatro anos estava a dar de mamar numa maca estacionada num corredor, a poucos metros da box onde a E. nasceu, na MAC. Os regulamentos da altura mandavam que os recém-nascidos de parto normal passassem a primeira hora de vida no berçário (pelo menos nisso a instituição melhorou entretanto) mas o meu ataque quase histérico de choro quando ma levaram comoveu (não a primeira dúzia de médicos e enfermeiros a quem implorei mas) o meu querido ecografista que, por feliz coincidência, estava de serviço nessa manhã.

O quarto ano da E. foi cheio de emoções e novidades. Foi o ano em que ela deixou de se poder gabar (como sei que fez uma vez na escola) de que a minha mãe nunca grita, em que lutámos pela sesta (eu gravidíssima e a querer dormir, ela a recusá-la terminantemente), passou para a sala dos grandes e a escola ganhou uma importância que não tinha tido antes (grandes amigos, brincadeiras, parvoíce, decibéis). Foi o ano do cor de rosa, dos vestidos e da piroseira, da dedução, imaginação e cantorias permanentes, o ano em que largou a chucha e aprendeu a ler. Foi, ainda por cima, o ano em que deixou de ser filha única.


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