cowspiracy

cuchila

Por volta dos dezanove anos deixei de comer carne e peixe. Durante vários anos não lhes toquei de todo e nunca voltei a ser verdadeiramente omnívora. Hoje em dia como bacalhau no Natal e pouco mais. Não é um sacrifício, é um hábito que se instalou há muitos anos e que sempre achei fazer sentido. Nunca pensei em prescindir dos lacticínios nem dos ovos, apesar de ser cada vez mais atenta à origem e qualidade dos que compro. Também nunca fui fã de soja nem deixei de usar sapatos em couro, e uma matança do porco faz-me – por várias razões – muito menos impressão do que a secção da carne do supermercado. Sou uma vegetariana atípica, porque se tivesse de escolher entre a galinha do galinheiro de um amigo e uma embalagem de salsichas vegetarianas fabricadas num país longínquo preferia comer a galinha: pelo menos era de mais perto, não tinha sido fabricada com muitos ingredientes estranhos (entre os quais soja plantada sabe-se lá onde) nem vinha numa embalagem de plástico.
Todos os dias fazemos escolhas e uma coisa em que insisto cada vez mais é que é ao gastarmos dinheiro que tomamos as decisões com efeito mais imediato sobre o mundo à nossa volta.
Há muitas áreas em que continuo à procura de soluções – quando não sei o que comprar (por exemplo, porque é que não há uma marca em Portugal a fazer calças de ganga decentes?) sei que ser frugal e comprar o mínimo também faz parte das minhas opções.
Isto para dizer que Sábado passado fui ver o documentário Cowspiracy e que o recomendo vivamente. Não acredito que o mundo caminhe para o veganismo (aliás sabe-se que caminha no sentido contrário), mas acho que ainda no nosso tempo de vida (tal como aprendemos a separar o lixo ou a fechar a torneira enquanto lavamos os dentes) vai ser do senso comum consumir bichos com muita, muita moderação.

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