19 meses

A E. continua a vir para a nossa cama de madrugada quase todos os dias. Nem sei bem a que horas porque o faço a quase completamente dormir. Ouço-a decidida e já levantada na cama – mamã? mamã? – e pronto. Feito o mal uma vez é precisa imensa força de vontade para contrariar o hábito. Pelas oito e pouco acorda decidida: upa! mamã upa!. Sendo infinitamente mais agradável que um despertador não deixa de custar, sobretudo tendo em conta que raramente me consigo deitar antes da uma e meia, duas (estas horinhas de sossego em que até conseguimos tirar os livros, lápis, bolas, carrinhos e bonecos do chão, tomar um café e fazer qualquer coisa são demasiado preciosas para ir para a cama mais cedo…).

Continua a dizer poucas palavras e a usar muitos gestos e sons, por vezes mais complicados que as palavras propriamente ditas. Para dizer escorrega, por exemplo, senta-se no chão e arrasta-se para a frente e para trás. Aprendeu a pronunciar ão e pratica com afinco sobretudo os essenciais mão e pão.

Come a sopa sozinha com a colher mas prefere a mão para tudo o que seja fácil de levar à boca e distrai-se muito mais facilmente durante as refeições. Sempre que vê imagens do mar ou de areia pede para ir à praia. Creio que o paraíso da E. seria uma praia com baloiços, a sua amiga Aiã e um stock inesgotável de iogurtes e maçãs….

Links:

Little & The Girl: feitos à mão e muito simpáticos (obrigada Miriam).

Knittle: toscos, simples e lindos, coletes de tricot para inspirar as principiantes.

queiiabhuu

iogurte

Quando já se cansou do que tem no prato aponta para o frigorífico e pede iogurte. Come-o sempre muito concentrada, com uma colher pequenina, e cada vez entorna menos.

Sin Control: bonecos muito bem instalados, como se nota – gracias por las fotos, Betty! -, e um saco de sacos muito bonito e super resistente.

O artista instantâneo: não deve haver escola de artes em que os alunos não sejam convidados mais ou menos insistentemente a manter um diário gráfico. Na Mantofev há tudo o que é preciso para fazer um de véspera e impressionar toda a gente…

happy to be stuck with you

É oficial: afinal a E. ainda não vai este ano para o infantário. Depois de pensarmos e repensarmos e de pesarmos todos os argumentos a favor e contra decidimos que é melhor assim. É verdade que vou ter de adiar alguns projectos e que deixaram de estar no horizonte os dias um bocadinho menos extenuantes mas também é verdade que me sinto aliviada e que nunca me pareceu natural que ela começasse tão cedo a passar grande parte do dia longe de mim.

A propósito, releio este post da Heather e este da Ana (a quem agradeço a partilha deste tesouro).

E mais:

Um manancial de imagens (como esta ou esta ou esta ou esta) de filmes de animação checos (viva o Vasco Granja) que adorava que existissem editados em dvd (e vivam as alternativas ao moralismo cor de rosa dos estúdios Disney).

Um pinguim que queria ter sido eu a fazer.

Seis pessoas com vontade de tricotar.

lufa lufa

boneca tradicional

Há talvez vinte anos, os meus avós trouxeram de uma feira esta boneca de pano e uma outra que tenho de encontrar qualquer dia. Creio que eram novas na altura e nunca vi nenhuma parecida, assim mãozuda e sem feições.

Os dias parecem cada vez mais curtos. O sol já se põe mais cedo e o trabalho é cada vez mais. Sonho com o dia em que poderei ficar dedicada só às minhas coisas.

Já muito em cima da hora, voltamos a pôr em causa a ida da E. para o infantário. Por muito que as horas nos sejam preciosas – a nós, às coisas que são difíceis de fazer com ela a passarinhar em volta, a pedir que lhe desenhemos o milésimo ão aõ, nini (gato) e (peixe) do dia e que construamos mais uma torre de blocos de madeira – parece sempre mais importante sermos nós a partilhar com ela essas experiências e a ouvirmos os chilreios cada vez mais complexos e próximos de frases a sério que diz enquanto se concentra nas novas habilidades (calçar os sapatos, trepar à cadeirinha pelo lado de fora…).

E ainda:

Palavras simpáticas e mais palavras simpáticas e bonecas a caminho de Espanha.

Mãos à obra:

Moldes de bonecos e bonecas (thank you Hillary and Maia).

E ainda, o Craftster.org Blog (via Oh Theo!).

vida de mãe

pegadas

Uma boa parte da parte difícil de ser mãe reside na constante sensação de culpa que acompanha o cargo. Culpa por ter trazido a minha filha para este mundo sem saber se vou saber ensiná-la a viver com ele, culpa por cada pequena (minúscula) opção que se faz (nas coisas mais ínfimas) sem ter a certeza de ser a opção melhor, culpa por pedir aos meus pais que ficassem com ela toda a tarde de hoje para eu ficar a dormir (a dormir!) na tentativa de recuperar das muitas horas a menos de sono dos últimos meses, culpas reais e culpas ridículas (da marca da papa à escolha do infantário), responsabilidade, responsabilidade, responsabilidade. Acompanho a saga da Heather do outro lado do mar e releio a carta que me escreveu uma amiga agora grávida (tantas amigas grávidas, de repente!). Creio que nada na vida é ao mesmo tempo tão desejado e tão pesado como a maternidade. Só ela tem o poder de nos manter em constante vigília, mortas de cansaço, e a adorar cada segundo.

17 meses

linda linda

Quer fazer tudo sozinha, mesmo o que ainda não consegue muito bem (como vestir-se: acaba frequentemente com os calções na cabeça e a t-shirt a servir de saia). Consegue comer um iogurte à colher sem ajuda e sem despejar mais de um quarto. Diz quase tudo por gestos e sons que só nós percebemos. Quando se aproxima de língua de fora, por exemplo, quer dizer que quer ver o livro da Penélope (porque é o que a personagem faz na primeira página).

escolhas

ela

Tudo o que em mim é irracional (que é muito), passa o dia a arrepender-se da decisão de a pôr no infantário no mês que vem. Independentmente das razões que nos levaram a achar que era essa a melhor escolha, não consigo não estar angustiada.

Passei parte do dia a trabalhar em alterações para o site das bonecas, com base na possibilidade de explorar melhor as capacidades do Movable Type. Terei de voltar a esta página e a esta também.

Não me lembro se já aqui deixei um link para a Genevieve Dionne, mas mesmo que sim não faz mal nenhum deixar outra vez. Muitos dos trabalhos dela estão à venda na Cut+Paste.

A Mitiko recebeu o meu pacote de tecidos e gostou especialmente dos africanos. Que fará ela com eles?