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faixa

faixa

A faixa (ravelry) já estava terminada há uns dias mas só agora voltou a estar fresco que chegue para a usar. A lã é a Beiroa nas suas duas cores naturais e o ponto chama-se vulgarmente entrelac mas também é conhecido e praticado há muitas décadas nalgumas aldeias portuguesas (com belas histórias a propósito para contar um destes dias).

I’ve finished my knitted belt a few days ago but last week it was to hot to wear it. I’d been meaning to knit something like this for a long time, as I hate having my underwear showing when I wear low waist jeans. The yarn is Beiroa. I had never tried entrelac before, but after finding out that it has been know for many decades in some remote portuguese villages (and associated with very interesting traditions – more on that later) I had to learn it (Ravelry). Read more →

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l'art populaire en france

Menos posts que de costume porque ao trabalho habitual juntei nas últimas semanas a tradução de um livro de tricot feita a convite de uma editora portuguesa (é caso para dizer finalmente, porque depois deste poucos ou nenhuns com interesse se editaram por cá). Não sendo um trabalho muito criativo, foi óptimo para ganhar experiência, escolher termos, praticar abreviaturas, etc. Além de que na pesquisa acabei por constatar que por detrás da excelente tradução d’O Grande Livro dos Lavores está o mesmo Fernando Baptista de Oliveira que escreveu O Tricot em todas as modalidades, o Método de Corte, e ainda (e isto é que me surpreendeu mais) a História e Técnica dos Tapetes de Arraiolos, que continua a ser a grande (única?) obra de referência sobre o tema. Quem seria este homem?

As imagens do post são de dois dos livros que folheei hoje, um dos anos 70 sobre arte popular em França e o outro um manual espanhol de engenharia têxtil dos finais do século XIX. Read more →

:)

prenda do toino

Esta tarde, na varanda:

O velo branco desta tosquia, depois de lavado e antes de ser estendido a secar.

A A. com um dos meus lenços novos. Fi-los com retalhos de riscados portugueses (salvos da trituradora) a pensar no vestir das mulheres alentejanas e acrescentei-lhe os biquinhos que povoam muitas das nossas mantas e taleigos.

From this afternoon, in the balcony:

The white fleece i’ve got from António the shepherd a few days ago. Washed and ready to dry under the sun.

A. wearing one of my new scarves in the old Alentejo way. The colors are inspired by the blues and greys of the women’s work clothes and the prairie points come from many of our traditional quilts and taleigos.

#meiasdatiabarborita

aprender

Demorou, mas as instruções para fazer as meias da tia Barborita estão finalmente prontas e disponíveis para download no Ravelry. Escrevê-las foi um processo muito mais interessante do que de vezes anteriores porque implicou aprender uma coisa nova. Há anos que admiro os livros de tricot japoneses e as suas instruções em esquema. Mais claras e intuitivas (para mim) do que as receitas por extenso, há muito que se tornaram a minha forma preferida de ler e escrever tricot. Ao decidir publicar a receita destas meias quis fazê-lo à japonesa, mas faltava-me dominar a ferramenta certa para o fazer. Foi o pretexto para aprender.
As instruções também estão disponíveis em texto (em Português e em Inglês). Por isso, quem quiser aprender a tricotar por esquemas japoneses pode ver estas instruções como uma espécie de pedra da roseta e passar das meias da Tia Barborita para livros como este ou este.

meias da tia barborita
meias da tia barborita

As meias que desenhei nasceram desta, pequenina e rota, feita algures no início dos anos 70. Hoje em dia a Tia Barborita pouco pega nas cinco agulhas e entretém-se sobretudo a fazer (como tantas senhoras de norte a sul do país) biquinhos de renda em panos da loiça. Mas in illo tempore fez, no mesmo ponto, as da fotografia de baixo, que julgo serem as meias mais altas que já vi.

No Instagram: #meiasdatiabarborita

tele-tricot


Uma coisa que estava há anos na minha lista: fazer pequenos vídeos de tricot. Vídeos mesmo muito simples e curtos, como os que eu gosto de ver, sem narração nem introduções, só mesmo com o que interessa. A câmara lenta ajuda a que os gestos se percebam mais facilmente e, a julgar pelo feedback no instagram, foi uma boa ideia fazê-los. Os primeiros já estão no YouTube, porque a web 2.0 só se lembra do que aconteceu há uns minutos atrás e às coisas úteis convém ser fácil voltar. Partilho aqui este em particular porque ilustra uma maneira menos comum de tricotar o ponto de meia. A técnica é actualmente a minha preferida porque, com um pouco de prática, faz com que a tensão das carreiras de meia fique quase idêntica à das carreiras de liga.

malhas portuguesas

malhas portuguesas

malhas portuguesas

Nasceu esta tarde em Lisboa às 14.31h, com 546g de peso. Está de boa saúde, tal como a mãe que, por se encontrar ainda um pouco combalida e muito emocionada com o acontecimento, deixa os comentários para depois.

malhas portuguesas - portuguese knitting

malhas portuguesas

portugal porta-bebés

tecto

capucha

Não tenho conseguido ir mesmo todas as semanas à biblioteca como pretendia, mas sempre que vou regresso contente. Um excerto de um dos artigos que li hoje, escrito por José Júlio César em 1922:

Se precisam de agasalhar ou conduzir ao colo uma criança, deitando-a sobre uma das pontas [da capucha] e passada a outra por baixo desta, levam as mães os filhinhos encostados ao coração, podendo levá-los sopesadas da cabeça e ombros, enfardados e estendidos quase como se estivessem no berço. Desta forma devia ter trazido a Virgem Mãe ao colo, envolto em seu manto, verdadeira capuchinha, o Deus Menino.
É tão cómodo e prático este modo de trazer e acalentar crianças que as mães, ou quem assim as leva, ficam com os movimentos livres para fazerem qualquer serviço, e até para conduzir qualquer coisa à cabeça. pois sabem aconchegar e enrolar os filhos de tal modo que podem fazer largos trajectos sem precisarem do auxílio das mãos e braços para os transportarem.

Esta imagem, que publiquei há algum tempo, ilustra bem o texto.

sobre rodas

Ch. Chusseau-Flaviens, Autriche Vienne, ca. 1900-1919.

Uma das consequências indirectas de o nascimento da A. me ter convertido ao babywearing foi ter passado a questionar a necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés. Sair à rua com um bebé num sling significa deixar em casa o gigantesco porta-bagagens sobre rodas conhecido como carrinho de bebé. Sem porta-bagagens aprende-se a simplificar e chega-se à conclusão de que quase nada chega perfeitamente.

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams

Trainee nannies at a Nursery Training Centre push prams. 1926 (arq. Corbis).

Ao perceber que os carrinhos são só mais um dos acessórios dispensáveis passei a olhar para eles com outros olhos. Popularizados no tempo da rainha Vitória, fazem na sua origem parte de um tipo de maternidade delegada em amas e criadas, com uma enorme distância entre os olhos da mãe e a pele do filho. O século XX democratizou o acesso aos carrinhos e deu-lhes novos feitios e materiais, mas não encurtou essa distância.

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