renda do pêlo de cabra

xaile

A seguir às viagens e às segundas-feiras de biblioteca, é na Retrosaria que aprendo mais sobre malhas. Volta e meia, no meio de uma conversa, alguém tira da mala uma coisa para mim totalmente nova. Foi o que aconteceu há dias, quando a D. Abília Ferreira (aluna da Rita Correia) me surpreendeu com este xaile do pêlo da cabra australiana que aprendera a fazer trinta anos antes a uma senhora de Santarém. É uma técnica de crochet em que se usa uma agulha de barbela e uma régua e que, segundo a D. Abília, só se consegue fazer com pêlo de cabra, porque com qualquer outro fio o cordão não forma os mesmos caracóis perfeitos e o ponto não fica com a mesma definição. O pormenor da cabra australiana intrigou-me: vim depois a descobrir que afinal o fio era 100% mohair e que vinha de um stock secreto da marca francesa extinta Georges Picaud. O ponto, de acordo com a minha especialista em crochet preferida, é uma variante mais bonita da chamada broomstick lace (♥), e teremos de aprender a fazê-lo numa próxima visita da D. Abília. Quanto ao uso do pêlo de cabra, já me tinha questionado a propósito dos xailes que vi há dois anos em Nisa se alguma das raças que por cá viveram teria um pêlo apropriado. Até porque entretanto também encontrei uma referência enigmática a camisolas serranas de pêlo de cabra (quaisquer achegas serão bem-vindas)… Read more →

dar cor

dyeing

dyeing

Por causa das novas lãs para meias que chegaram à Retrosaria, apeteceu-me fazer mais algumas experiências de tinturaria. Usei um processo diferente desta vez, que aqui deixo em formato de receita:

Ingredientes:

Uma meada de Beiroa branca novelada
Tintas próprias para tingir lã (eu uso da Jacquard mas também se pode experimentar com tinta Raposa) ou corante alimentar
Vinagre branco do mais barato
Seringas de plástico de 50ml
Luvas de látex e avental
Um recipiente que possa ir ao micro-ondas (eu uso um pyrex)
Forno micro-ondas

Execução: Read more →

fazer meias

meias

meias

Entre o Outono e a Primavera nunca param na gaveta, por andarem sempre a uso. Só na estação das sandálias é que as consigo ver todas juntas, de um ano para o outro com mais um ou dois pares (fora os que vários que fui fazendo para oferecer). Fiz as primeiras há três anos e desde então tenho sempre mais um par nas agulhas, porque como são um trabalho pequeno e portátil vão sempre comigo na mochila (aulas de piano da E, tardes no parque infantil e festas de anos de outros meninos são alturas óptimas para mais umas voltinhas). Quem também faz sabe do que falo. Read more →

coser

sewing

ferramentas

Já é raro usar meias compradas, mas ainda estou longe de ter feito blusas suficientes. Fiz esta há poucos dias com um tecido Nani Iro e um molde do livro Happy Homemade 3. Como é uma pergunta que me fazem com frequência, deixo também a lista de todas as ferramentas que usei: caneta de giz para marcar o tecido, linha de algodão e de alinhavar, agulhas, dedal, alfinetes finos e respectiva alfineteira, descosedor, punção (para conduzir ou corrigir o tecido mesmo junto ao pé calcador), uma tesoura grande e um corta-fios. Para decalcar o molde: papel vegetal, lápis de carvão, régua e tesoura de cortar papel. A alfineteira também serve de peso para o papel não se desviar.

atavios

máscara ibérica

dos pés

Este ano choveu durante o Desfile da Máscara Ibérica e acho que vieram menos grupos que no ano passado, mas valeu na mesma a pena ir assistir. Quanto a malhas, vi de perto algumas meias rendadas, as luvas às riscas de um diabo trasmontano e vários xailes que feitos noutras cores e fios não destoariam nos melhores livros japoneses, mas o que gostei mesmo (depois do episódio dos tamancos de Baltar) foi de ver as madreñas e albarcas, umas aconchegadas com palha dentro, outras com escarpines de burel e as mais fantásticas forradas a pneu. Read more →

a sumbia

sumbia

Man and His Horse
Man and His Horse. Senegal, 2005.

Se as malhas portuguesas têm muitas histórias por desvendar, sobre as africanas pouco li até hoje. No entanto estão por toda a parte, de Norte a Sul, de uma ou cinco agulhas, de lã e de fibras vegetais, manuais e mecânicas. A sumbia é o gorro que muitos homens africanos usam, julgo que sobretudo na Guiné Bissau, Gâmbia e Senegal, feito de malha mecânica de lã (as mais bonitas) ou algodão de duas cores. As que se vêem mais são verdes escuras e brancas, mas também as há castanhas e brancas, vermelhas e brancas e provavelmente em mais cores. Têm uma barra com motivo horizontal, normalmente um ziguezague mas há outros, e riscas estreitas verticais até ao topo, que é rematado com um pompom. Nunca encontrei nada escrito sobre estes gorros, apesar de tantas pessoas os conhecerem por os associarem imediatamente à figura de Amílcar Cabral. Apetece dizer que os motivos são os mesmos dos cestos destes países, mas a verdade é que são praticamente universais. Não sei onde são feitos (será em pequenas fábricas? Serão importados de outro país? Já se farão na China?) nem desde quando, mas o processo de fabrico deve ser curioso, porque as carreiras correm na vertical e não na horizontal como é hábito. Tenho uma de lã, trazida pelo meu avô da Guiné há cinquenta anos (à esquerda nas fotos) e várias de algodão, que encomendei à Ana Teresa, e adorava saber mais sobre elas. Read more →

exílio

exílio

Foram 20 anos de ausência. … Tornaram-me a vida impossível.

Vinte anos de exílio político tornaram-lhe impossível integrar-se e reconstruir a carreira no Porto quando uma amnistia permitiu que regressasse para junto da mulher e dos filhos. Viu-se obrigado a partir novamente para o Brasil, onde viria a morrer nove anos mais tarde.

Celebremos, hoje e sempre, a liberdade de opinião. 25 de Abril Sempre! Read more →